UOL Notícias Internacional
 

24/08/2007

Relatório da inteligência vê governo iraquiano se tornando 'mais precário'

The New York Times
Mark Mazzetti e David S. Cloud

Em Washington
O governo do primeiro-ministro do Iraque, Nouri Kamal al-Maliki, se tornará "mais precário" entre os próximos seis meses a um ano, e apesar de suas forças de segurança terem melhorado, elas não são fortes o bastante para atuar sem ajuda externa, disseram autoridades da inteligência americana na quinta-feira, em uma nova avaliação pessimista da situação no Iraque.

"Os líderes políticos iraquianos permanecem incapazes de governar efetivamente", concluiu o relatório ao expressar profundas dúvidas de que o governo de Al-Maliki conseguirá superar as divergências sectárias. Implicitamente, ao menos, o relatório questiona se Al-Maliki está disposto ou é capaz de ajudar o novo Iraque a se tornar um país plenamente funcional.

Além disso, o relatório disse que a mudança da missão das tropas americanas e aliadas, da caça aos rebeldes ao apoio às forças iraquianas, "minaria os ganhos de segurança obtidos até o momento". Vários críticos da política do presidente Bush pedem por tal abordagem.

O relatório disse que ocorreram "melhorias mensuráveis mas desiguais" na situação geral da segurança desde que Bush ordenou um aumento no número de soldados americanos no Iraque no início do ano. Mas apesar de tais melhorias, a violência sectária permanece alta, com os rebeldes realizando ataques de peso, informou o relatório.

O Iraque permanece rachado por causa da insegurança dos xiitas no comando político, "a ampla indisposição dos sunitas em aceitar seu status político reduzido", várias outras rivalidades sectárias e o trabalho dos terroristas, concluiu o relatório, formalmente conhecido como Avaliação da Inteligência Nacional. (Os xiitas são maioria no Iraque, mas os sunitas desfrutaram de um longo período de domínio sob Saddam Hussein, que era um sunita.)

À medida que o fim do recesso parlamentar se aproxima, o debate em torno da política para o Iraque apenas se intensificará e o novo levantamento de inteligência, chamado "Perspectivas para a Estabilidade do Iraque" provavelmente exercerá um importante papel na discussão.

A avaliação concluiu que Al-Maliki mantém o apoio dos grupos xiitas em parte porque a formação de um novo governo seria árdua. As autoridades em Washington e Bagdá disseram por meses que quaisquer ganhos militares seriam efêmeros se os políticos iraquianos não pudessem superar as divisões sectárias.

Al-Maliki é cada vez mais criticado não apenas por sunitas e curdos, mas também por alguns outros xiitas, disse a avaliação. Além disso, o deslocamento de civis iraquianos devido à violência sectária, somado à interferência dos vizinhos do Iraque, notadamente o Irã e a Síria, pressagiam maior instabilidade, declarou o documento.

Novas iniciativas de segurança de "baixo para cima", principalmente entre os árabes sunitas e concentradas no combate aos terroristas, representam a melhor esperança de melhoria da segurança ao longo dos próximos 6 a 12 meses, "mas julgamos que estas iniciativas apenas serão traduzidas em acomodação ampla e estabilidade duradoura se o governo iraquiano as aceitar e apoiar", concluiu a avaliação.

O relatório representa as conclusões das 16 agências que compõem a burocracia americana de inteligência. Citando a avaliação de inteligência apresentada há seis meses, o mais novo documento declarou que "os desdobramentos no Iraque estão ocorrendo mais rapidamente e com maior complexidade atualmente".

"O relatório disse que ocorreu pouco progresso político até o momento e é bastante pessimista em relação às chances de progresso político no futuro", reconheceu um funcionário do Congresso com conhecimento de seu conteúdo antes mesmo da divulgação do documento.

Apesar de que certamente Bush e seus aliados usarão o documento para argumentar que os Estados Unidos não devem retirar suas tropas apressadamente, os democratas foram rápidos em agarrar as conclusões.

"A Avaliação da Inteligência Nacional de hoje sobre o Iraque confirma o que a maioria dos americanos já sabe: nossas tropas estão atoladas em uma guerra civil iraquiana e a estratégia de escalada do presidente fracassou em produzir os resultados políticos que ele prometeu aos nossos soldados e ao povo americano", disse o senador Harry Reid, de Nevada, o líder da maioria.

O deputado Rahm Emanuel, de Illinois e presidente da bancada democrata da Câmara, disse: "A guerra no Iraque já dura mais que nossa própria Guerra Civil e a mais recente Avaliação da Inteligência Nacional indica que não há um fim à vista. Por quanto mais o presidente Bush insistirá em manter o curso enquanto soldados americanos arriscam suas vidas?"

O relatório é "mais pessimista em sua avaliação" do que o governo tem sido em suas próprias discussões internas, disse um alto funcionário que o leu. Mas o relatório também alerta, como Bush fez em um discurso aos Veteranos de Guerras Estrangeiras na quarta-feira, que uma retirada precoce levaria a mais caos.

"Ele não adota uma posição política", disse uma autoridade. "Mas deixa você com a sensação de que o que estamos fazendo não está funcionando, mas que não podemos parar, ou ficará ainda pior".

O relatório, uma atualização de uma Avaliação da Inteligência Nacional divulgada em fevereiro, também conclui que as forças armadas americanas tiveram sucesso nos últimos meses em reduzir a violência sectária no país.

Mas diz que uma retirada das tropas americanas provavelmente reacenderia ondas de violência sectária. Apesar de algumas unidades iraquianas terem se tornado mais capazes nos últimos meses, as autoridades disseram que tais ganhos são insuficientes para alterar significativamente a avaliação anterior de que os soldados e policiais iraquianos seriam "pressionados" a operar de forma independente das tropas americanas no próximo ano. George El Khouri Andolfato

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