UOL Notícias Internacional
 

25/08/2007

Número de detidos no Iraque tem grande aumento

The New York Times
Thom Shanker

Em Washington
O número de pessoas detidas pelas forças armadas lideradas pelos Estados Unidos no Iraque cresceu em 50% após o aumento do número de soldados ordenado pelo presidente Bush, com uma população carcerária aumentando de 16 mil em fevereiro para atuais 24.500, segundo oficiais militares americanos no Iraque.

O aumento das detenções ocorreu, eles disseram, porque as forças americanas estão atuando em áreas onde não estavam presentes há algum tempo e porque mais unidades são capazes de manter uma presença ininterrupta em algumas áreas. Eles também disseram que mais iraquianos estão cooperando com as forças militares.

Quase 85% dos detidos sob custódia são árabes sunitas, a facção minoritária no Iraque que governou o país sob a ditadura de Saddam Hussein; os demais detidos são xiitas, disseram as autoridades.

Benjamin Lowy/The New York Times 
Soldado americano mantém suspeito vendado e com os braços presos no Iraque

Dos detidos sunitas, cerca de 1.800 alegam fidelidade a um grupo conhecido como Al Qaeda na Mesopotâmia, disseram os oficiais militares. Outros 6 mil se identificam como takfiris, ou muçulmanos que acreditam que alguns dos outros muçulmanos não são verdadeiros crentes. Alguns crentes consideram os muçulmanos xiitas como hereges.

Tais estatísticas podem parecer indicar que a principal inspiração da insurreição sunita radical deixou de ser o desejo de restaurar a antiga ordem - um movimento que contava com ex-membros do Partido Baath e autoridades de segurança que serviram sob Saddam - e se tornou religioso e ideológico.

Mas os oficiais disseram que um número igualmente grande dos detidos iraquianos diz que dinheiro é um motivo significativo para plantarem bombas em estradas ou atirarem em iraquianos e nas forças lideradas pelos Estados Unidos.

"Interessantemente, nós descobrimos que a grande maioria não é inspirada pelo jihad ou ódio pela coalizão ou pelo governo iraquiano", disse o capitão John Fleming da Marinha, um porta-voz das operações de detenção das forças multinacionais no Iraque. "A inspiração da grande maioria é o dinheiro. A principal motivação é econômica. Eles são homens furiosos porque não têm emprego. A população carcerária é em sua maioria iletrada e desempregada. Os extremistas têm tido muito sucesso em disseminar sua ideologia entre os iraquianos destituídos economicamente com pouca ou nenhuma educação formal".

Mas o sistema de detenção em si freqüentemente serve como criadouro para a insurreição e uma oportunidade de treinamento para aqueles que, após serem libertados, podem realizar ataques contra as forças iraquianas ou lideradas pelos Estados Unidos, disseram os oficiais militares.

Segundo estatísticas fornecidas pelo quartel-general da Força-Tarefa 134, a unidade das forças armadas americanas encarregada das operações de detenção no Iraque, há cerca de 280 estrangeiros detidos. Destes, 55 foram identificados como egípcios, 53 como sírios, 37 como sauditas, 28 como jordanianos e 24 como sudaneses.

É difícil identificar com certeza alguns dos combatentes estrangeiros, disseram os oficiais, porque eles tentam esconder suas identidades com documentos forjados e nomes falsos.

Cerca de 800 menores estão detidos nas instalações carcerárias americanas. Os oficiais disseram que os grupos rebeldes os usam para plantar bombas em estrada e para servirem como observadores, presumindo que as forças americanas e iraquianas e seus aliados não os considerarão suspeitos.

Em geral, a duração média da detenção é de cerca de um ano, disseram os oficiais. Segundo eles, até o momento 3.334 detidos foram liberados neste ano.

Os oficiais militares no Iraque disseram que a crescente população carcerária não sobrecarregou o sistema, nem tem atrapalhado as operações de combate.

Na preparação para o aumento de tropas ordenado por Bush em janeiro, planos foram feitos para aumentar o número de oficiais de detenção e para a construção de espaço adicional para os detidos. A força-tarefa está ampliando as atuais instalações de detenção no Campo Bucca, no sul do Iraque, e no Campo Cropper, perto de Bagdá, com a ajuda do Corpo de Engenheiros do Exército.

O mais notório dos centros de detenção, a prisão de Abu Ghraib, não é mais usado pelas forças americanas para prender os rebeldes capturados. As imagens de carcereiros americanos cometendo abusos contra os presos em Abu Ghraib ultrajou os iraquianos e a comunidade internacional, manchando a reputação das forças americanas no Iraque.

Poucos números confiáveis existem sobre os detidos pelo governo iraquiano, segundo John Sifton, um pesquisador do grupo de defesa Human Rights Watch. As forças armadas americanas no Iraque não fornecem o número dos detidos sob custódia do governo iraquiano.

"As alegações de abuso são bem piores nas instalações iraquianas do que entre os detidos sob custódia americana", disse Sifton. "É difícil ter conhecimento da população carcerária iraquiana. Existem tanto sistemas de detenção oficiais quanto não oficiais no Iraque".

No geral, ele disse, as organizações de direitos humanos "se preocupam com um aumento de 50% no número de detidos porque são 50% mais pessoas correndo o risco de detenção arbitrária ou, pior, de serem entregues para oficiais iraquianos que podem sujeitá-las a tortura". George El Khouri Andolfato

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