UOL Notícias Internacional
 

31/08/2007

EUA dizem que empresa subornou oficiais para trabalhar no Iraque

The New York Times
Eric Schmitt e James Glanz

Em Washington
Uma empresa de propriedade americana que opera no Kuwait pagou centenas de milhares de dólares em subornos para oficiais de contratação americanos em esforços para conquistar mais de US$ 11 milhões em contratos, argumenta o governo em documentos de um processo.

No mês passado o Exército suspendeu a empresa, a Lee Dynamics International, de negócios com o governo e o caso agora parece estar no centro de um crescente escândalo que levou o secretário de Defesa, Robert M. Gates, a enviar o inspetor-geral do Pentágono ao Iraque para investigar.

Os documentos apresentados no caso dizem que o Exército agiu contra a empresa por suspeitar de pagamento de centenas de milhares de dólares em subornos a oficiais do Exército americano para assegurar contratos de construção, operação e manutenção de depósitos no Iraque, que guardavam armas, uniformes, veículos e outros materiais para as forças de segurança iraquianas em 2004 e 2005.

Um destes oficiais, a major Gloria D. Davis, que na época era a oficial de contratação que trabalhava no Kuwait, se matou com um tiro em Bagdá em dezembro de 2006. Autoridades do governo disseram que o suicídio ocorreu um dia depois dela ter reconhecido para um investigador do Exército que tinha aceito pelo menos US$ 255 mil em subornos da empresa. O governo americano deu início aos procedimentos para confisco dos bens de Davis, uma medida que está sendo contestada por seus herdeiros.

Além de Lee Dynamics International, a empresa já foi conhecida como American Logistics Services.

Detalhes do caso vieram à tona porque a empresa contestou a decisão do Exército, em 9 de julho, de proibi-la de obter contratos junto ao governo americano. Isto forçou o governo a revelar elementos de seu caso contra a empresa em documentos à Justiça, incluindo uma declaração de sete páginas de autoria do investigador do Exército.

Um advogado da empresa, Howell Roger Riggs, negou na quinta-feira as acusações do governo e disse que a empresa está apelando junto ao Exército pela suspensão da proibição. Riggs reconheceu que a empresa está sob investigação do Departamento de Justiça, mas disse que nenhuma acusação foi impetrada contra a empresa ou seus diretores.

"Isto se baseia apenas em uma declaração não substanciada e nem corroborada", disse Riggs em uma entrevista por telefone. "Caso vierem a apresentar evidências concretas e acusações, nós lidaremos com isto no devido momento".

O caso agora faz parte de uma investigação mais ampla, na qual o Exército enviou uma equipe de alto nível para analisar 18 mil contratos no valor de mais de US$ 3 bilhões que o escritório de contratação do Exército no Kuwait concedeu nos últimos quatro anos.

O Exército suspendeu 22 empresas e indivíduos, pelo menos temporariamente, de buscarem trabalho junto ao governo por investigações de fraude nos contratos concedidos no Iraque, Kuwait e Afeganistão, disse um porta-voz do Exército na quinta-feira. Um total de 18 empresas e indivíduos receberam uma pena mais dura e estão proibidos por um prazo determinado de buscarem trabalho junto ao governo.

Os documentos judiciais deixam claro que os investigadores concluíram que a Lee Dynamics pagou altas somas a vários oficiais americanos que trabalhavam na época no Iraque e no Kuwait. Um dos oficiais citados é Davis. Outro é um oficial do Exército, identificado no relatório do investigador do Exército apenas como "Pessoa B", por atualmente estar cooperando com a investigação. Ele reconheceu ter recebido US$ 50 mil de suborno em dinheiro da empresa, segundo os documentos do processo.

Duas pessoas com conhecimento direto da investigação ou do escritório de contratação no Iraque na época disseram que a "Pessoa B" é o tenente-coronel Kevin A. Davis, que trabalhou com uma oficial que despontou como o foco central da investigação criminal em um caso de armas. Não acredita-se que Kevin A. Davis tenha relação com Gloria D. Davis.

Tal oficial, a tenente-coronel Levonda Joey Selph, que não está mais no Iraque, estava no centro do esforço para fortalecer as nascentes forças de segurança iraquianas em 2004 e 2005. Selph por sua vez trabalhava estreitamente com o general David H. Petraeus, que comandava o esforço na época. Patraeus é atualmente o mais alto comandante no Iraque.

Em uma breve conversa telefônica na quinta-feira, Selph confirmou a ligação entre ela e Kevin A. Davis no Iraque. "Eu trabalhei para Kevin Davis", disse Selph. Ela disse que desejava consultar seus advogados antes de falar mais, porém não respondeu aos recados telefônicos posteriores.

Uma mulher que atendeu o telefone de Kevin A. Davis em Maryland e se identificou como sendo sua esposa disse que ele estava fora da cidade e não estava disponível para comentar.

À medida que o caso se expande, os investigadores estão à procura da possibilidade de que tenha conexão com o que parece ser um grande escândalo separado de corrupção centrado no Kuwait. Na semana passada, o major John Cockerham, um ex-oficial de contratação do Exército no Kuwait, sua esposa e sua irmã foram indiciados por terem aceitado até US$ 9,6 milhões em subornos para contratos do Departamento de Defesa no Iraque e no Kuwait.

Segundo os documentos do processo, Gloria Davis também serviu como oficial de contratação no Campo Arifjan, Kuwait, de outubro de 2003 a novembro de 2004 e, no período, concedeu milhões de dólares em contratos para a American Logistics e suas empresas afiliadas, levantando a suspeita de uma relação dos casos.

A Lee Dynamics parece emblemática das muitas empresas que foram formadas desde a queda do governo iraquiano, em 2003, para tirar proveito dos bilhões de dólares em contratos para vestir, alimentar e armar as tropas americanas no Kuwait e para sustentar as forças de segurança do Iraque.

Segundo uma declaração de 9 de julho de Larry S. Moreland, um agente do Comando de Investigação Criminal do Exército, o fundador da empresa, George H. Lee, e uma pessoa cujo nome não é mencionado formaram a American Logistics Services, uma empresa com sede no Kuwait, para fornecer apoio logístico às forças armadas americanas.

Em 2004, a empresa obteve contratos no valor de US$ 11,7 milhões para construção, operação e manutenção de vários depósitos no Iraque. Os documentos do processo argumentam que devido aos subornos, a empresa obteve ilegalmente informação antecipada sobre os contratos.

Em maio de 2005, diz o documento, Lee e seus filho, Justin W. Lee, transferiram com sucesso os ativos e contratos da empresa para uma nova, a Lee Dynamics, e seu contrato para manutenção dos depósitos foi renovado em julho de 2005, apesar do péssimo desempenho da empresa, disseram dois oficiais americanos que estavam no país na época.

Naquele mesmo mês, depois que Gloria Davis foi transferida para o Pentágono, a Lee Dynamics obteve um contrato de US$ 12 milhões para os depósitos. Antes da concessão do contrato, Gloria Davis disse a George Lee que sua empresa receberia um "relatório excelente" durante o processo de licitação, argumentam os documentos do processo no caso do governo para confisco dos bens da major.

Entre agosto de 2005 e abril de 2006, a empresa transferiu mais de US$ 220.900 em três depósitos diferentes para contas bancárias de Gloria Davis, segundo os autos do processo.

Segundo seu site, os depósitos da Lee Dynamics em Taji, Umm Kasr, Ramadi, Mosul e Tikrit "receberam, armazenaram e distribuíram grande parte dos mais de um bilhão de dólares em materiais e equipamentos encomendados para a reconstrução do Iraque". George El Khouri Andolfato

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