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03/09/2007

Menopausa: para uma baixa dose de hormônio, faça sua escolha

The New York Times
Roni Caryn Rabin
Adesivos, bombas, pílulas, pílulas de baixa dosagem, cremes e géis de dosagem super baixa: desde que um estudo marco da Iniciativa de Saúde da Mulher revelou que terapia hormonal podia ser prejudicial, uma variedade atordoante de novas opções de baixa dosagem passou a ser oferecida no varejo para os sintomas da menopausa.

Alguns ministram os hormônios à moda antiga, por via oral. Outro o fazem pela pele, por adesivos, creme ou gel, ou por anéis vaginais ou supositórios. Em 3 de agosto, a Food and Drug Administration (FDA, a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos) aprovou mais um tratamento, um spray que ministra baixa dosagem de estrógeno pela pele.

Para médicos e pacientes, a riqueza de opções pode ser desconcertante. "Há um trilhão de produtos disponíveis", disse a dra. Mary Jane Minkin, professora de obstetrícia e ginecologia de Yale. "Você pode receber uma baixa dose de muitas formas diferentes e no final se resume a preferências pessoais".

A dra. Minkin disse não se surpreender com a confusão das pacientes, acrescentando: "Eu também fico".

A variedade reflete os esforços da indústria para reconquistar as mulheres com sintomas como ondas de calor, suores noturnos e secura vaginal que relutam em usar os produtos tradicionais devido às conclusões da Iniciativa de Saúde da Mulher, divulgadas há cinco anos.

Os grandes testes clínicos revelaram que os hormônios aumentavam o risco de derrames e coágulos sangüíneos potencialmente fatais, e que combinados com estrógeno e progesterona também aumentavam o risco de câncer de mama e ataques cardíacos. (Mulheres que não passaram por histerectomia devem usar os hormônios combinados.)

A recomendação atual para sintomas incômodos da menopausa é tomar a dose mais baixa necessária de hormônio visando alívio pelo período mais curto possível. Mas os médicos reconhecem a falta de provas de que doses menores são mais seguras. "Nós presumimos que dosagens menores serão mais seguras, mas realmente não dispomos de qualquer dado a respeito", disse a dra. Michelle P. Warren, fundadora e diretora médica do Centro para Menopausa, Desordens Hormonais e Saúde da Mulher do Centro Médico da Universidade de Columbia e consultora da Bradley Pharmaceuticals, a fabricante do Elestrin.

Muitas mulheres que buscam medicamentos naturais se voltaram para as farmácias e farmacêuticos de manipulação que prometem os chamados hormônios bioidênticos, que são sintetizados quimicamente mas apresentam a mesma estrutura molecular que os hormônios produzidos pelo corpo da mulher.

Especialistas médicos e organizações profissionais apontam que assim como outros hormônios, os bioidênticos realmente não são encontrados na natureza e que estão disponíveis em muitos produtos hormonais comerciais, onde apresentam maior probabilidade de serem cobertos pelo plano de saúde.

Os defensores dos bioidênticos sugerem que são mais seguros que os outros hormônios porque eles imitam os hormônios femininos. Muitos cientistas médicos disseram que não há evidência conclusiva disto. Mesmo o porta-voz da entidade setorial dos farmacêuticos, a Academia Internacional de Farmacêuticos de Manipulação, disse que isto não está claro. "Nós necessitamos de mais pesquisa para saber se os riscos são diferentes", disse o porta-voz, Joshua Wenderoff. "Por ora, precisamos presumir que não".

Dezenas de produtos no mercado oferecem diferentes dosagens e métodos de ministração. Uma lista completa compilada pela Sociedade Norte-Americana de Menopausa pode ser encontrada em www.menopause.org/edumaterials/hormoneprimer.htm.

Baixas doses podem ser bastante eficazes para sintomas como suor e ondas de calor, apesar de alguns médicos alertarem que baixas dosagens podem demorar mais tempo para surtir efeito do que as normais. Um novo estudo do Elestrin, um gel que ministra 0,0125 miligramas por dia do hormônio 17-beta-estradiol pela pele, revelou que ele reduziu significativamente a quantidade e severidade das ondas de calor em comparação a um placebo.

Os adesivos hormonais se mostraram não muito populares nos Estados Unidos, mas especialistas sugerem que por contornarem o fígado, eles podem ser mais seguros para as mulheres preocupadas com triglicérides elevados, doença cardíaca e coágulos.

As mulheres cujas principais queixas são secura e irritação vaginal podem preferir um creme vaginal, supositório ou anel vaginal, um dispositivo como de borracha que libera uma quantidade constante de hormônio por vários meses. A maioria destes produtos oferece alívio local, mas pouco hormônio no sistema para ser absorvido.

Para mulheres que passaram por histerectomia que levou a sintomas repentinos e severos de menopausa, recentes estudos mostrando riscos cardíacos menores do estrógeno para mulheres na faixa dos 50 anos devem ser tranqüilizadores, disse o dr. Jacques Rossouw, chefe da divisão de saúde da mulher do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue. Estas mulheres podem receber o estrógeno sozinho, que é associado a riscos menores do que a terapia combinada.

A dra. Warren, da Columbia, disse que qualquer pessoa que toma hormônios deve ser atentamente monitorada por um médico, deve realizar exames regulares de mama e mamogramas, deve ser examinada regularmente para pressão alta e deve ficar alerta a sinais de coágulos.

Mesmo mulheres que planejam parar de tomar hormônios após poucos anos podem se ver em uma situação complicada. Os sintomas freqüentemente retornam quando a medicação é suspensa, disse o dr. Wulf Utian, diretor executivo da Sociedade Norte-Americana de Menopausa. "É um dilema", ele disse. "Este é o momento em que a chamada terapia de curto prazo se torna uma terapia de longo prazo". George El Khouri Andolfato

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