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04/09/2007

O desafio de Bill Clinton: manter a luz dos holofotes sobre a sua mulher

The New York Times
Patrich Healy
Em Sioux City, Iowa
Bill Clinton fez discursos de campanha em um período que, somado, totaliza 30 anos, como candidato político, governador e presidente. O seu mais recente é também o mais curto, com cerca de oito minutos de duração, e talvez o que tenha o objetivo mais difícil: explicar sucintamente, da forma mais eficaz e entusiasmada, por que a sua mulher deve ocupar a Casa Branca.

Clinton é um famoso tagarela em uma gama impressionante de tópicos: ao visitar uma feira em New Hampshire no último domingo, ele deu uma longa aula improvisada aos repórteres sobre como cultivar melancias e abóboras gigantes. Portanto, quando se trata de um assunto que ele seja capaz de dissecar minuciosamente, como a sua mulher, ele provavelmente poderia falar sozinho por dias seguidos.

Gary Hershorn/Reuterse - 26.jul.2004 
Bill Clinton abraça Hillary durante a Convenção Nacional do Partido Democrata

O objetivo é ser sucinto e memorável ao apresentar a sua mulher nos comícios de campanha, conforme ele fez no domingo em New Hampshire e aqui em Iowa na segunda-feira -, mas não tão memorável a ponto de eclipsar o discurso da candidata. Os seus assessores dizem que a prosa de Bill Clinton deve ressaltar vividamente os feitos de Hillary Rodham Clinton como senadora democrata pelo Estado de Nova York, e apresentá-la como a candidata à presidência mais qualificada.

É também tarefa de Bill Clinton tentar acabar com quaisquer dúvidas a respeito da capacidade de Hillary de se eleger em uma disputa de âmbito nacional, caso ela seja de fato a candidata democrata. Bill Clinton geralmente procura parecer neutro, observando que na sua campanha pela reeleição ao Senado em 2006, Hillary venceu em dezenas de condados do Estado de Nova York nos quais Bush havia ganhado. Mas, após apresentar essas estatísticas em um comício em Portsmouth, em New Hampshire, na noite de domingo, Bill Clinton também teve um momento de certa irritabilidade.

"Essa dúvida quanto à capacidade dela de se eleger nacionalmente é uma ficção; é algo que não merece consideração", disse Bill Clinton a uma multidão de milhares de pessoas. "O que é necessário considerar é quem seria o melhor presidente".

As palavras de Bill Clinton tem um certo peso, ainda que a sua parcialidade seja óbvia. Ele procura com freqüência minimizar essa parcialidade - como se isso fosse possível -, oferecendo um testemunho algo distorcido: "Mesmo se não fôssemos casados, eu ainda faria campanha para Hillary porque ela é a melhor candidata".

Ele é capaz de fazer gracejos sobre a sua própria sinceridade. "Tenha uma perspectiva bastante única no que diz respeito aos desafios da função", disse ele em Portsmouth, e em um comício anterior, feito também no domingo, em Concord, em New Hampshire. Mas ele nem sempre exibe regularidade quando se trata de manter a luz dos holofotes sobre Hillary. Aqui, na manhã de segunda-feira, ele elogiou o desempenho econômico do seu governo, enquanto em New Hampshire, no domingo, focou-se naquilo que a sua mulher faria como presidente.

O gabola interno costuma ficar oculto durante este discurso de marido da candidata - ele dedica à política árida menos de um minuto da sua fala. No entanto, ele às vezes se expressa em uma linguagem séria que deixa a platéia imóvel.

"Ela trabalha com educação há mais de 25 anos; ela tem um programa muito bom nesta área", disse o ex-presidente em Portsmouth. "Hillary entende muito bem o que será necessário para uma retirada do Iraque".

O ex-presidente pouco fala sobre os anos durante os quais Hillary foi a primeira-dama. Em vez disso, ele se concentra nos anos dela no Senado e no intelecto da mulher. "Ela possui a melhor combinação de coração e mente que já vi", disse ele. Em New Hampshire, no domingo, ele vinculou as habilidades de Hillary à plataforma dela, afirmando. "Ela possui o melhor plano para nos proporcionar um futuro com energia limpa e verde, para a criação, e não a eliminação, de empregos".

Bill Clinton dedica um minuto inteiro, e parece particularmente enfático, à próxima questão - assegurar que os outros países e líderes mundiais estão torcendo pela eleição de Hillary em 2008. Os nomes dos líderes não são mencionados, mas parecem estar por toda parte - Ásia, África, alguns na Europa, diz Bill Clinton. No domingo ele falou também dos eleitores da Europa e do Canadá, citando uma pesquisa que revelou que nesses países Hillary Clinton é mais popular do que os outros candidatos presidenciais.

"Vocês querem consertar a posição dos Estados Unidos no mundo instantaneamente? Então, elejam Hillary presidente", afirmou ele em Portsmouth.

Quanto ao apelo às emoções, isso geralmente vem na parte final do discurso: Bill Clinton invariavelmente engasga ou morde o lábio inferior quando recorda como certo dia um bombeiro de Nova York segurou o seu braço em um campo de golfe e lhe disse que Hillary Clinton foi a primeira pessoa a reconhecer as ameaças potenciais à saúde devido ao atentado de 11 de setembro de 2001, tendo procurado fornecer assistência aos trabalhadores que atuaram no local em que se situava o World Trade Center e que ficaram doentes.

"Os meus olhos encheram-se de lágrimas", disse Bill Clinton em Portsmouth, descrevendo a forma como o bombeiro elogiou Hillary. "Ele me disse: 'Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que ela seja a próxima presidente'".

A data em que tal episódio teria ocorrido é meio confusa: Clinton o mencionou pela primeira vez durante uma viagem a Iowa no início de julho. Em discursos no Dia do Trabalho (comemorado na primeira segunda-feira de setembro nos Estados Unidos e no Canadá), ele falou sobre o bombeiro usando as expressões "algumas semanas atrás" e "um dia desses". Os seus assessores dizem que o bombeiro conversou com ele em junho.

É claro que o que realmente importa é se os Clinton serão capazes de persuadir o bombeiro a aparecer no circuito da campanha em algum momento e elogiar Hillary Clinton. Ela é de fato popular junto aos bombeiros de Nova York, mas o depoimento público de um desses profissionais que participaram dos trabalhos de resgate que se seguiram ao 11 de setembro poderá ser um auxílio poderoso. Porém, por ora ela conta com o depoimento de Bill Clinton - segundo os analistas políticos, uma vantagem singular, especialmente porque o discurso de Hillary Clinton às vezes tende a se arrastar.

"É por isso que Bill Clinton é um trunfo tremendamente valioso", afirma Ruth Sherman, consultora de comunicação política, para quem os discursos de Hillary Clinton às vezes soam esquisitos. "No entanto, ele não poderá falar por ela indefinidamente". UOL

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