UOL Notícias Internacional
 

06/09/2007

Alemanha anuncia prisão de três suspeitos de planejar atentado terrorista

The New York Times
Mark Landler e Nicholas Kulish*
Em Frankfurt
A polícia alemã prendeu três militantes islâmicos suspeitos de planejar ataques terroristas de grande escala contra vários locais freqüentados por americanos, inclusive boates, bares, aeroportos e instalações militares.

Os suspeitos - dois cidadãos alemães e um turco residente na Alemanha - estavam em estágios avançados do planejamento de ataques com bombas que poderiam ter sido mais mortíferos que os atentados terroristas que mataram dezenas em Londres e Madri, disseram as autoridades na quarta-feira (05/09). Os possíveis alvos incluíam a movimentada base área de Ramstein e o aeroporto internacional de Frankfurt.

Thomas Lohnes/AFP 
Montagem traz imagens da prisão dos três suspeitos de planejar atentado na Alemanha

"Eles estavam planejando ataques enormes", disse a promotora federal alemã Monika Harms, na quarta-feira, em uma conferência com a imprensa, descrevendo uma investigação de seis meses. Segundo a promotora, os suspeitos tinham reunido enormes quantias de peróxido de hidrogênio, principal substância usada para produzir os explosivos usados em atentados suicidas em Londres em julho de 2005.

Harms disse que os dois suspeitos alemães tinham sido convertidos ao islã e treinado em campos terroristas no Paquistão. Eles tinham escondido 680 kg de peróxido de hidrogênio e estavam preparando para sair do local quando foram presos na tarde de terça-feira. Eles também tinham detonadores de capacidade militar, o que fez as autoridades alemãs e americanas suspeitarem de conexões com a Al Qaeda.

"Isso teria permitido que eles fizessem bombas com maior poder explosivo do que as usadas nos atentados de Londres e Madri", disse Joerg Ziercke, diretor do Escritório Federal de Crime Alemão, chamando os elos com a Al Qaeda de "próximos".

Autoridades alemãs ficaram visivelmente aliviadas com as prisões, que resultaram de uma investigação de seis meses envolvendo 300 pessoas da polícia e da promotoria. Na quarta-feira, a polícia fez uma revista em 41 casas e apartamentos na Alemanha, apreendendo computadores e outras evidências.

Um dos suspeitos, Fritz Gelowicz, 28, nascido em Munique, estava sob vigilância de investigadores alemães desde dezembro de 2006, após ter sido visto reconhecendo um quartel americano em Hanau como possível alvo para atentado, de acordo com os documentos.

As prisões foram feitas em uma casa de férias em Oberschledorn, uma aldeia remota de 900 pessoas na Renânia do Norte Westfalia, ao norte de Frankfurt. Os suspeitos tinham alugado a casa para armazenar substâncias químicas para fazer explosivos, disseram as autoridades, e estavam se preparando para sair quando as forças de segurança chegaram.

Um dos três homens fugiu e, em uma luta com um policial, tirou a pistola do coldre dele e atirou contra sua mão antes de ser dominado. O oficial ficou ferido levemente, disseram as autoridades. Os moradores descreveram a ação da unidade de polícia de elite como algo saído de um filme de ação.

As prisões aconteceram um dia após a polícia dinamarquesa prender oito pessoas em outra suspeita de plano terrorista. O ministro do interior alemão, Wolfgang Schauble, disse que não havia evidências de laços diretos entre as conspirações, apesar das similaridades, inclusive uma ligação suspeita com a Al Qaeda. Seis desses suspeitos já foram liberados.

As autoridades alemãs disseram que os ataques poderiam ter ocorrido dentro de dias, observando que o sexto aniversário dos atentados de 11 de setembro caem na semana que vem e que o Parlamento alemão logo vai discutir um ponto político delicado, sobre a extensão da permanência de tropas alemãs no Afeganistão.

"Havia uma ameaça de segurança iminente", disse o ministro de defesa alemão, Franz Josef Jung, à televisão estatal.

Harms disse que os três suspeitos presos na terça-feira pertenciam a uma célula alemã da União Jihad Islâmica, um grupo radical sunita, com base na Ásia Central, nascido como divisão do Movimento Islâmico do Uzbequistão.

Apesar desse grupo não ter sido associado aos ataques terroristas de Europa, responsabilizou-se pelos atentados suicidas, em julho 2004, perto das embaixadas americana e israelense na capital uzbeque, Tashkent. O grupo pede a derrubada do governo secular do Uzbequistão.

Durante meses, autoridades alemãs advertiram que o país estava sob a ameaça de um ataque terrorista, em parte por causa do envolvimento da Alemanha no Afeganistão. As autoridades disseram que estavam particularmente preocupadas com os informes de que alemães estavam participando de campos de treinamento no Paquistão, perto da fronteira afegã.

"O modo de operação parece muito com aquele sobre o qual tínhamos sido advertidos", disse uma autoridade, sob condição de anonimato.

"A lição disso é que o perigo não é apenas abstrato, é real", disse a chanceler Angela Merkel aos repórteres em Berlim. As conseqüências de um ataque, disse ela, teriam sido "indescritíveis".

Ziercke disse que os EUA tinham ajudado as autoridades alemãs em sua investigação. Outro agente de segurança aqui disse que os americanos tinham avisado aos alemães da existência da União Jihad Islâmica.

O presidente Bush, que está na Austrália, foi informado das prisões, de acordo com Gordon D. Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. "Ele está contente que um ataque potencial foi frustrado e aprecia o trabalho das autoridades alemãs e a cooperação do policiamento internacional".

Uma autoridade de inteligência americana disse na quarta-feira que a suspeita que a célula poderia estar planejando um ataque na Alemanha levou a Embaixada Americana em Berlim a emitir uma advertência no início do ano.

Duas vezes nessa primavera, a Embaixada americana em Berlim advertiu a americanos na Alemanha da necessidade de reforçar a segurança. No dia 16 de março, uma mensagem para os americanos dizia: "A embaixada americana exorta os cidadãos americanos residentes ou visitantes na Alemanha a manterem alto nível de vigilância e tomarem as medidas necessárias para reforçar sua segurança pessoal".

No dia 20 de abril, em outra mensagem de advertência, a embaixada disse que as instalações diplomáticas na Alemanha estavam aumentando sua "posição de segurança".

"Estamos tomando essas medidas em resposta à crescente situação de ameaça", dizia a mensagem, também sem detalhes. Novamente exortou os americanos na Alemanha a aumentarem sua vigilância e garantirem sua segurança pessoal.

Autoridades americanas que falaram publicamente sobre as capacidades crescentes da Al Qaeda de atacar alvos ocidentais, também disseram que o grupo na Alemanha provavelmente tem laços com agentes da Al Qaeda no Paquistão. Agências de espionagem americanas acreditam que os líderes da Al Qaeda estabeleceram um porto seguro nas montanhas ocidentais do Paquistão, onde montaram pequenas construções para treinar agentes para ataques a alvos ocidentais.

Oficiais americanos aqui disseram que os alemães os contataram na terça-feira à noite para adverti-los sobre o plano terrorista. Eles não tinham mais informações sobre uma ameaça à base aérea de Ramstein.

"Essa foi uma investigação liderada pelos alemães", disse o comandante Corey Barker, porta-voz do Comando Europeu dos EUA em Stuttgart. "Apreciamos o compromisso deles em nos proteger contra ataques terroristas."

Ramstein é a maior base aérea americana aqui e um centro de transportes para as tropas na Europa Oriental, Iraque e Afeganistão. O comandante Barker disse que a base não tinha modificado seu nível de proteção, que está atualmente em B, o segundo mais alto.
O aeroporto de Frankfurt, o segundo mais movimentado da Europa continental depois do Charles de Gaulle, em Paris, estava operando normalmente na manhã de quarta-feira, disse um porta-voz do aeroporto, Robert A. Payne.

Um porta-voz da embaixada americana em Berlim, Robert A. Wood, disse que o Departamento de Estado não tinha decidido se emitiria nova advertência. "A operação de sucesso dos alemães nos lembra que a ameaça de terrorismo é real e requer cooperação por todas as nações que pensam da mesma forma, para colocar fim a esse flagelo", disse Wood.

A Alemanha se livrou por pouco de um ataque terrorista em julho de 2006, quando duas bombas foram deixadas em malas em trens em Colônia e não explodiram. Autoridades alemãs disseram que o ataque foi motivado por raiva contra a publicação de desenhos satíricos sobre o profeta Maomé em um jornal dinamarquês.

Diferentemente daquele caso, no qual a polícia disse que os suspeitos usaram materiais amadores para fazer explosivos relativamente pequenos, esses suspeitos reuniram suficiente peróxido de hidrogênio para gerar uma bomba com a força explosiva equivalente a 550 kg de TNT.

Em junho, Schaeuble e seu vice, August Hanning, advertiram que a ameaça terrorista era comparável aos meses anteriores a 11 de setembro de 2001 nos EUA. Aquele plano, em grande parte, foi preparado em Hamburgo por um círculo de militantes islâmicos que se faziam passar por estudantes.

Junto com sua advertência, Schaeuble acrescentou um pedido para a adoção de medidas mais rígidas no combate ao terrorismo. Ele disse que gostaria que a polícia fosse capaz de conduzir buscas clandestinas em computadores pertencendo a terroristas suspeitos. "Há um problema crescente com o terrorismo interno que também está evidente em toda parte na Europa", disse Schaeuble à imprensa em Berlim.

Alguns críticos acusaram Schaeuble de usar o medo diante do terrorismo para promover suas medidas mais duras. O debate foi particularmente feroz por causa da profunda aversão da Alemanha, desde a Segunda Guerra Mundial, a táticas de policiamento que ameacem as liberdades individuais.

* Souad Mekhennet contribuiu com reportagem de Frankfurt, Mark Mazzetti e Brian Knowlton de Washington e Sheryl Gay Stolberg da Austrália Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,22
    3,148
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,64
    65.099,56
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host