UOL Notícias Internacional
 

11/09/2007

Bloomberg tenta conduzir a cidade para além do pesar

The New York Times
Diane Cardwell
Em Nova York
O planejamento para a cerimônia de aniversário dos ataques terroristas de 2001, na terça-feira, tinha se transformado em um impasse. De um lado se encontrava um grupo barulhento de parentes das vítimas ameaçando realizar seu próprio evento porque a cerimônia ocorreria, pela primeira vez, não no ponto zero, mas do outro lado da rua, no Zuccotti Park. Do outro lado, o prefeito Michael R. Bloomberg, acusado de insensibilidade pelos parentes, se mantinha firme na posição de que era inseguro permitir a presença de pessoas em um local que agora é um canteiro de obras.

O prefeito e as famílias chegaram a um acordo: a cerimônia seria realizada no parque, mas os parentes seriam autorizados a descer ao local onde seus entes queridos morreram.

Shawn Thew/EFE - 28.ago.2007
Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é acusado de insensibilidade pelos parentes das vítimas do atentado de 11 de Setembro
Quando assumiu como prefeito em 2002, Bloomberg buscou consertar muitos dos problemas urgentes provocados pelos ataques: reforçar a segurança de uma cidade repentinamente transformada em alvo; fechar o buraco no meio da Baixa Manhattan; estimular uma economia que sofreu com a perda de milhares de empregos.

Mas o prefeito também teve um papel essencial, mesmo que mais sutil, na condução gradual da cidade para além de seu pesar. É um desafio que o prefeito às vezes lidou de forma desajeitada e às vezes com grande sensibilidade e eloqüência, enquanto traçava o caminho para longe do eventos de 2001. Agora, enquanto trabalha para imbuir a cidade com otimismo pelo futuro, ele até mesmo insinua um dia em que a recordação não envolverá a leitura dos nomes de todos os mortos.

"Será preciso mudar para mantê-la relevante", disse Bloomberg em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, quando perguntado sobre o fato de uma emissora de televisão ter optado por não transmitir toda a cerimônia, que ultrapassará quatro horas. "Eu nunca acreditei que fazer a mesma coisa todo ano é a melhor forma de conseguir algo".

De fato, Bloomberg, que despreza viver no passado e prefere manter suas emoções para si mesmo, tem desde o início estimulado a cidade a deixar a tragédia para trás. No princípio, ele defendeu a construção de escolas e moradias no ponto zero e sugeriu que o memorial elevado imaginado por seu antecessor, Rudolph W. Giuliani, se transformaria em um "cemitério" e afugentaria moradores e empresas.

O prefeito, que se recusou a ser entrevistado para este artigo, disse ao "New York Times" um dia antes do primeiro aniversário dos ataques: "Eu acho que os judeus fazem da forma certa. Eles inauguram uma lápide um ano após o funeral, e este é o intervalo de tempo que você deixa o processo de luto e começa a seguir em frente. E nas cerimônias do 11 de Setembro, o que estou tentando fazer é pela manhã olharmos para trás, lembrarmos quem eram e por que morreram. E ao anoitecer partir olhando para frente e dizendo, 'Ok, nós vamos seguir em frente'".

Nos últimos meses, tal campanha se tornou mais urgente à medida que Bloomberg assumiu um papel mais ativo na aceleração do desenvolvimento da área, intervindo para romper os impasses, superando à força a oposição com uma convicção de que seus valores e prioridades - realizar o projeto, deixar um legado para o futuro - são os corretos.

Em 11 de Setembro, disse Edward Skyler, um vice-prefeito que, como secretário de imprensa da campanha, está com Bloomberg desde aquele dia, a cidade "sofreu um enorme golpe emocional, mas ele não queria que fosse um golpe transformador para pior".

O ataque "claramente mudou a cidade. Mas ele não queria que mudasse a postura fundamental do 'posso fazer' da cidade", disse Skyler. "Ele tem tentado encontrar o equilíbrio certo entre recordação e reconstrução".

Tal equilíbrio às vezes é complicado. Após alienar alguns dos parentes das vítimas com sua insistência de que os nomes no memorial fossem listados aleatoriamente, Bloomberg fechou um acordo que não silenciou as críticas, mas permitiu o andamento do plano. Após criticar fortemente os esforços anêmicos para arrecadação de fundos para o memorial, ele assumiu como presidente da fundação e está se aproximando da meta de mais de US$ 300 milhões, ele disse na segunda-feira.

E quando neste ano as empreiteiras ameaçaram atrasar ainda mais a demolição do prédio do Deutsche Bank com uma greve, Bloomberg convocou uma reunião na Gracie Mansion, na qual acabou concordando que elas deveriam receber mais para concluir o trabalho.

Até mesmo a cerimônia de terça-feira, que ocorrerá em grande parte longe do ponto zero, é resultado de tal esforço. E sejam quais forem os ataques que suportou, ele parece ter reunido nova-iorquinos suficientes em torno de sua posição para deixar Giuliani, e não Bloomberg, o político na posição incômoda.

"Ele é acima de tudo um pragmático, mas isto não significa que não se sensibilize", disse Christy Ferer, a ligação de Bloomberg com as famílias das vítimas. Ferer, que perdeu seu marido nos ataques, disse que percebeu uma admiração crescente entre as famílias e o prefeito ao longo dos anos, juntamente com uma diminuição no interesse no ritual de pesar no local, à medida que mais famílias passaram a optar por cerimônias mais pessoais e decresce o público presente na cerimônia.

Alguns parentes pensam o mesmo. Nikki Stern, cujo marido, Jim Potorti, morreu nos escritórios da Marsh & McLennan, disse acreditar que a idéia de equilíbrio entre recordação e reconstrução é lógica, algo que apóia publicamente desde outubro de 2001. "Para mim, eu não vejo o que mais podemos fazer a não ser seguir em frente", ela disse. "Não significa que não sentimos vontade de deitar e morrer. Mas não podemos". George El Khouri Andolfato

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