UOL Notícias Internacional
 

11/09/2007

Lento progresso no Iraque, diz Petraeus ao Congresso

The New York Times
David Stout
Em Washington
O general David H. Petraeus, comandante militar americano no Iraque, disse ao Congresso na segunda-feira (10/9) à tarde que os EUA, até o próximo verão, podem reduzir sua presença para cerca de 130.000 homens, o nível anterior ao recente aumento.

A volta aos níveis anteriores ao reforço, com a retirada de 30.000 soldados, poderia ser feita sem ameaçar o progresso obtido a duras penas no Iraque, disse Petraeus aos membros da Câmara. A audiência, emocionalmente carregada, de alguma forma lembrou a época do Vietnã. Segundo o general, nenhuma decisão sobre outras retiradas deveria ser feita até março.

Jason Reed/Reuters 
General Petraeus diz que pode reduzir número de soldados no Iraque até o verão

A diminuição gradual de tropas americanas deveria começar neste mês, com a retirada da 13ª Unidade Expedicionária Marine, que tem base em Camp Pendleton, Califórnia, disse Petraeus, que recomendou essa medida ao presidente Bush.

O general, cujo testemunho na segunda-feira foi o mais ansiosamente esperado em décadas por um líder militar no Capitólio, disse que via os EUA alcançando "sucesso" no Iraque, "apesar disso não ser nem rápido, nem fácil".

O Iraque continua afligido por terroristas estrangeiros e nacionais, além de puros brutamontes, segundo o general. Além disso, Síria e o Irã continuam se metendo no Iraque, disse ele. A continuidade da competição entre grupos sectários no Iraque é inevitável; a questão é se a competição continuará sendo violenta, como tem sido há meses, disse o general.

O relatório de Petraeus a uma sessão conjunta do Comitê de Relações Exteriores e o Comitê de Forças Armadas da Câmara misturou notas de um progresso modesto e lento na pacificação do Iraque com uma previsão que muitos dias difíceis estão por vir.

O embaixador americano no Iraque, Ryan C. Crocker, ofereceu avaliação igualmente sóbria, declarando que o Iraque é hoje "uma sociedade traumatizada" e assim continuará por um longo tempo.

Os objetivos militares do aumento de tropas ordenado por Bush no início do ano estão "sendo cumpridos, em grande medida", disse Petraeus aos congressistas, alguns dos quais duvidavam abertamente. Mas apesar dos terroristas terem sido enfraquecidos, "Al Qaeda e seus afiliados no Iraque permanecem fortes", disse ele.

Os sentimentos estavam à flor da pele, e alguns manifestantes contra a guerra cantavam "generais mentem, crianças morrem", até o deputado Ike Skelton, democrata de Montana que dirige o comitê, declarar, "Para fora!" e advertir que todos que perturbassem a audiência seriam expulsos. Mas houve mais perturbações, e um manifestante que gritava foi carregado da sala enquanto Petraeus elogiava as tropas americanas no Iraque como "uma nova melhor geração".

Há dias já se sabia a essência do testemunho de Petraeus, então suas projeções sobre o tamanho das tropas não surpreenderam. Ainda assim, sua audiência com Crocker foi dramática: democratas e republicanos elogiaram os dois homens como servidores públicos extraordinários, mas diferiram fortemente sobre a política que iam defender.

Inevitavelmente, Petraeus tornou-se uma figura controversa. Seus defensores descreveram-no como um general brilhante que, literalmente, escreveu o manual do Exército do combate ao terrorismo. Seus detratores acusaram-no de ser pouco mais que um vendedor das políticas de Bush.

Os líderes democratas dos comitês descreveram o general e o enviado como boas pessoas, presas a uma política ruim, enquanto republicanos disseram que Petraeus em particular tinha sido submetido a insultos e críticas injustas por pessoas que nem ouviram o testemunho antes de correr em julgar.

"Ele é a pessoa correta, três anos tarde demais e com 250.000 homens de menos", disse Skelton do general.

O deputado Duncan Hunter, da Califórnia, principal republicano do comitê das forças armadas, disse que era "revoltante" e "contra as tradições desta grande casa" que alguns congressistas pareciam ter tomado uma decisão antes da audiência.

Entre os exemplos de progresso que Petraeus citou, havia uma diminuição no derramamento de sangue na província de Anbar, que há pouco tempo era uma das regiões mais afligidas por violência do Iraque.

E Crocker disse que a intromissão contínua do Irã e da Síria havia sido contrabalançada por uma boa notícia diplomática: a Arábia Saudita pretende abrir uma embaixada em Bagdá pela primeira vez desde a era de Saddam. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host