UOL Notícias Internacional
 

12/09/2007

Geração do "baby boom" na Web

The New York Times
Matt Richtel
Em San Francisco
Pessoas mais velhas são grudentas.

Essa é a mais recente opinião no Vale do Silício. Investidores em tecnologia e empresários, há muito obcecados com adolescentes e jovens adultos, estão começando a criar novos sites de relacionamentos para a geração do "baby boom" e pessoas mais velhas.

Os sites têm nomes como Eons, Rezoom, Multiply, Maya's Mom, Boomj e Boomertown. Parecem o Facebook - com rugas.

New York Times
 
E estão procurando explorar o que os investidores dizem ser uma característica lucrativa dos usuários mais velhos da Internet: têm menor probabilidade do que os jovens de mudar de um site da moda para o outro. "Os adolescentes ficam um pouco, custam dinheiro e depois vão embora", disse Paul Kedrosky, autor do blog "Infectious Greed". Antes o Friendster era o ponto quente, agora, o Facebook e o MySpace atraem as multidões de jovens on-line.

"A faixa etária mais velha tem muitas características interessantes", acrescentou Kedrosky. "Uma delas é que eles são fiéis".

Essa perspectiva de relativa fidelidade está ajudando a levar uma onda de novos investimentos para sites de relacionamentos voltados para os mais velhos, que oferecem discussões e namoros, compartilhamento de fotos, notícias e comentários e conversas intermináveis sobre dieta, saúde e atendimento médico.

Na semana passada, a Vantage Point Ventures, uma das primeiras investidoras do MySpace, anunciou que tinha liderado uma rodada de financiamento de US$ 16,5 milhões (em torno de R$ 33 milhões) para o Multiply, site de relacionamentos para pessoas que já estão estabelecidas, que não estão ainda em busca de parceiros.

Em agosto, Shasta Ventures ajudou a patrocinar US$ 4,8 milhões (cerca de R$ 9,6 milhões) para o TeeBeeDee, site que sai da fase de teste neste mês. O nome é a abreviação das iniciais em inglês de "Ser determinado" (ou seja, só porque você não está babando por um companheiro no MySpace isso não significa que sua vida acabou.)

Também em agosto, a Johnson & Johnson gastou entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões (entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões) para adquirir Maya's Mom, um site de relacionamentos para pais, de acordo com uma pessoa informada sobre o acordo. O site existe há apenas um ano.

Os sites voltados para relacionamentos até agora se concentraram principalmente em empresários e jovens, porque são muito dedicados à tecnologia e adorados pela Madison Avenue.

Existem, entretanto, 78 milhões de pessoas na geração do "baby boom" - quase três vezes o número de adolescentes - na maior parte, usuárias da Internet que aprenderam a usar o computador no trabalho. De fato, o número de usuários de Internet com mais de 55 anos é quase o mesmo dos que têm entre 18 e 34, de acordo com a Nielsen/NetRatings, firma de pesquisa de mercado.

A fundadora da TeeBeeDee é Robin Wolaner, que, em 1987 criou a revista Parenting. Naquele ano, foram lançadas ao menos sete revistas voltadas para a experiência da paternidade, e Wolaner disse que estava procurando o mesmo tipo de reconhecimento súbito da necessidade dos sites responderem às demandas dos americanos mais velhos.

"Eu estava sentada com uns amigos, e dissemos: 'Não vamos nos encontrar no site da Aarp. O que há para nós?'" disse ela, que queria encontrar uma comunidade onde pudesse discutir seu interesse em fazer uma plástica nas pálpebras.

"Há um reconhecimento que essa geração agora usa a Internet igual aos mais jovens", disse ela. "A única coisa que essa geração ainda não fez foi uma rede on-line".

A questão é se esses usuários vão tornar essa rede grande o suficiente para justificar as dezenas de milhares de dólares entrando no ciberespaço. De fato, o interesse dos empresários e capitalistas levou a um súbito aumento no número de sites para a geração do "baby-boom", criando o que chamam de massa crítica e, provavelmente, se não inevitavelmente, algumas quedas.

Alguns dos usuários mais velhos e interessados nos sites de relacionamento específicos dizem que a experiência parece ser mais confortável do que quando experimentaram MySpace, Facebook ou Friendster.

"Discuti meu divórcio, minhas questões médicas e quando vou ter coragem de namorar de novo", disse Martha Starks, 52, oftalmologista aposentada em Tucson, que passa uma hora ou duas toda noite em um site chamado Eons. "Certamente não queria discutir essas coisas com uma pessoa de 20 anos".

Ela diz que também conversa sobre assuntos mais leves, como filmes e música, com um público que entende o que ela está dizendo.

"Eles nem sabem quem é Aretha - ela é a rainha do soul!", disse ela.

Meg Dunn, 38, mãe de três filhos em Fort Collins, Colorado, disse que tinha tentado o MySpace e o Facebook, mas concluiu que a falta de atenção dos usuários também não era adequada para ela. Agora ela usa o Multiply, onde compartilha fotos da família com seus parentes e entra em discussões sobre tópicos substantivos, como saúde e doença afetando os idosos.

"Sinto como se estivesse criando raízes, construindo relacionamentos", disse ela. "Minha sensação no MySpace era que as pessoas te dão uma estimulada e, depois, vão embora, e você nunca mais as vê."

Peter Pezaris, presidente e diretor executivo da Multiply.com Inc., com base em Boca Raton, Flórida, acredita que os clientes mais velhos são mais fiéis que os jovens, mas disse que as evidências até agora não são estatísticas. Ele disse que 96% dos usuários ativos da empresa voltavam a cada mês, um número que impressionou os fundos que pensavam investir no site.

David Carlick, diretor da VantagePoint, que liderou o mais recente investimento na Multiply, acredita que os sites de relacionamentos em geral têm um brilhante futuro, quando os anunciantes começarem a despertar para eles. Ele também disse que acreditava que os sites voltados para um público alvo, como os que se concentram em determinada faixa etária, podem ser particularmente eficazes.

Ele teme que os sites que se concentram em usuários mais jovens possam ser vulneráveis aos caprichos da moda.

"Isso estava em nossas mentes, quando Murdoch chegou com uma oferta", disse ele da decisão de vender MySpace ao magnata Rupert Murdoch por cerca de US$ 550 milhões (aproximadamente R$ 1,1 bilhão).

Investidores e empresários, entretanto, demoraram a responder aos interesses dos usuários de Internet mais velhos, disse Susan Ayers Walker, jornalista de tecnologia da Aarp e fundadora da SmartSilvers Alliance, que oferece serviço de consultoria a empresas que queiram se conectar com consumidores mais velhos.

Ela disse que os investidores do Vale do Silício gostaram de se ver como eternamente jovens e identificados com seus aparelhos eletrônicos sempre novos. Mas eles estão começando a aceitar sua idade - e a investir nela.

"Eles todos têm pressão alta", disse ela. "Estão começando a entender sua faixa etária - estão vivendo nela."

Peter Ziebelman, sócio da Palo Alto Venture Partners, brincou que o interesse em sites para os americanos mais velhos representava o fim de um estado de negação para os investidores.

"Talvez não haja muitos investidores querendo assumir que estão patrocinando a população de 50 ou mais", disse ele. "Eles preferem dizer que participarão da próxima festa de cerveja."

(Ziebelman é investidor do www.agis.com, que não é um site de relacionamento, mas concentra-se em dar informações e serviços para pessoas que precisam de ajuda em encontrar e lidar com cuidado de idosos.)

Ayers disse que os investidores estão descobrindo que os sites de relacionamento para usuários mais velhos são uma grande atração para capitais, produtos de consumo e empresas de serviços.

"Não apenas temos muito mais dinheiro, mas prestamos muito mais atenção aos anunciantes", disse ela.

Os anunciantes da Eons incluem o seguro de saúde Humana, a Fidelity Investments e a cadeia de farmácias CVS. Lee Goss, presidente e diretor da Eons Inc., que recebeu apoio de firmas capital Sequoia Capital e General Catalyst, disse que os sites para um público mais velho talvez não cresçam tão rápido quando o MySpace, mas podem ter maior longevidade.

"Não é segredo que é mais fácil atrair uma pessoa mais jovem, de 20 e poucos anos, acostumada com a tecnologia, do que uma pessoa de 50 ou 60 anos", disse ele. Mas, observou, "Nosso público, apesar de ser mais difícil de atrair, é mais durável e fiel". Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host