UOL Notícias Internacional
 

12/09/2007

Sexto aniversário dos ataques de 11 de setembro é lembrado nos EUA

The New York Times
Cara Buckley*
Em Nova York
Gary Hershorn/Reuters

Pela primeira vez em seis anos, o 11 de setembro caiu em uma terça-feira, o mesmo dia em que os aviões foram lançados contra os edifícios e tudo mudou.

Mas muita coisa foi diferente durante esta cerimônia cada vez mais familiar na região de Lower Manhattan, na qual as famílias dos mortos, funcionários públicos e visitantes se reuniram para expressar tristeza e recordar.

Ao contrário do dia terrivelmente claro e brilhante dos ataques, neste ano o céu estava escuro e instável, alternando ameaças de chuva com garoas e chuvas fortes. A cerimônia não foi realizada no marco zero, onde atualmente guindastes se erguem como esboços de dedos de esperança. O lugar escolhido foi o canto sudeste, em Zuccotti Park.

As famílias começaram a chegar às 7h, algumas trazendo buquês de flores, outras segurando balões em formato de coração. Finalmente centenas de familiares encheram o parque, refugiando-se esporadicamente da garoa sob um mar de guarda-chuvas escuros.

A seguir, conforme aconteceu nos cinco anos anteriores, a cerimônia de lembrança assumiu a sua forma bem conhecida. Às 20h40, o Coro de Jovens do Brooklyn subiu ao palco e cantou "The Star-Spangled Banner" (o hino nacional dos Estados Unidos); as suas vozes soando como se fossem de anjos, os presentes de enlutados seguravam fotos de pessoas que, para eles, tornaram-se anjos de fato. Depois disso, o percussionista da banda do Departamento de Polícia de Nova York fez ressoar uma batida de pesar, e a seguir teve início a música das gaitas-de-foles.

11 DE SETEMBRO: SEIS ANOS
Reuters
Multidão reúne-se no Marco Zero para lembrar as vítimas
POPULAÇÃO LEMBRA A DATA
LE MONDE FAZ BALANÇO
Às 8h46, o momento em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte, um sino soou, conforme ocorreu nos últimos cinco anos, e os membros da multidão abaixaram a cabeça.

"Naquele dia, sentimo-nos isolados, mas não por muito tempo, e não uns dos outros", disse o prefeito Michael R. Bloomberg. "Nova-iorquinos correram para o local, sem saber qual lugar era seguro e tampouco se havia mais riscos pela frente. Eles não sabiam de nada, exceto que tinham que estar aqui. Seis anos se passaram, e o nosso lugar ainda é ao lado deles".

Em Washington, ao contrário do que fez nos aniversários anteriores do ataque, o presidente Bush passou o dia na cidade, participando de uma cerimônia na Igreja Episcopal Saint John, e fazendo um minuto de silêncio no Gramado Sul da Casa Branca.

Não muito longe dali, houve uma cerimônia no Pentágono, onde 184 pessoas morreram quando o jato da American Airlines chocou-se contra o vasto prédio militar.

O secretário de Defesa Robert M. Gates e o general Peter Pace, chefe do Estado Maior, colocaram uma coroa de flores no local em que o avião bateu contra o Pentágono.

Pace, vestido com o seu uniforme do Corpo de Fuzileiros Navais, disse às famílias das vítimas que os seus entes queridos serão sempre lembrados.

"Não sei quais são as palavras apropriadas para dizer a vocês o que se passa em meu coração, nos nossos corações; aquilo que os outros cidadãos estão pensando hoje", disse ele. "Certamente esperamos que estas cerimônias ajudem a reduzir a dor de vocês".

Perto de Shanksville, na Pensilvânia, cerca de 400 pessoas se reuniram sob o céu cinzento da terça-feira e debaixo da chuva periódica para prestar tributo aos 33 passageiros e sete tripulantes que morreram quando o avião em que se encontravam caiu em um campo durante uma batalha pelo controle da aeronave.

À medida que cada nome era lido, dois sinos de bronze eram tocados, para lançar simbolicamente ao vento as memórias das vítimas.

O secretário Michael Chertoff, do Departamento de Segurança Interna, foi a autoridade de mais alto escalão presente aqui na terça-feira. Ele falou da "necessidade de fazer tudo o que pudermos" para garantir que nada como isso jamais volte a acontecer.

Participaram do serviço memorial menos pessoas do que no passado, e os oradores, incluindo o governador Edward G. Rendell, falaram da necessidade de concluir a construção de um memorial permanente neste local que fica cerca de 145 quilômetros a leste de Pittsburgh, antes que as atuais memórias se apaguem.

As famílias das vítimas da queda do avião calculam que tal memorial custaria aproximadamente US$ 36 milhões, e disseram que até agora só cerca de 40% dessa quantia foi arrecadada.

A chuva começou a cair quando a modesta cerimônia teve início às 9h45, pelo horário local. Vários participantes ficaram sob guarda-chuvas nesta área rural, enquanto os oradores discursavam e os nomes das vítimas eram lidos.

Depois que Bloomberg discursou em Lower Manhattan, 236 funcionários de serviços de emergência de uma série de agências municipais e de instituições religiosas leram, em ordem alfabética, os nomes das 2.750 vítimas daquele dia.

Às 10h, após um minuto de silêncio para marcar o momento da queda da Torre Sul, Rudolph W. Giuliani fez um discurso breve. A presença do ex-prefeito, que está concorrendo à presidência, gerou controvérsias, embora ele tenha participado da solenidade todos os anos.

"Neste dia, seis anos atrás, e nos dias que se seguiram em meio ao nosso pesar e à confusão, nós também presenciamos, como um povo unido, força e resistência incondicionais", disse Giuliani. "Foi um dia sem respostas, mas com uma fila infindável daqueles que se prontificaram a prestar ajuda mútua. Elie Wiesel escreveu esta passagem a respeito da pior noite que um ser humano pode conhecer: 'Aprendi duas lições na minha vida. Primeiro, não existem respostas literárias, psicológicas ou históricas significativas para a tragédia humana; apenas respostas morais. A segunda é que, assim como o desespero só pode ser passado por outras pessoas, a esperança também só nos pode ser concedida por outros seres humanos".

A construção no marco zero foi paralisada por um dia, mas o ruído de uma Manhattan que despertava enchia o ar. Os carros circulavam pela West Street, sirenes soavam e trabalhadores em edifícios de escritórios vizinhos olhavam a cerimônia das suas janelas, e a seguir voltavam ao trabalho.

E ocultos pelos guarda-chuvas, remexendo-se desajeitadamente porque não havia cadeiras, os parentes das vítimas seguravam fotos dos seus entes queridos, lembretes viscerais do dia que eles talvez detestem recordar, mas que não podem esquecer.

"Digo a todas essas pessoas incríveis que se tornaram vítimas daquele dia. Por favor, saibam que os seus entes queridos, juntamente com as famílias e os amigos destes, são lembrados em nossas preces", disse uma mulher, após ler os nomes de 12 vítimas.

Enquanto a manhã caminhava rumo à tarde, e a intensidade do vento e da chuva aumentava, a multidão diminuiu, à medida que as pessoas de luto iam embora depois da leitura dos nomes dos seus parentes. Outras famílias permaneceram silenciosamente no local durante horas, as faces marcadas por uma expressão de profundo pesar, os braços passados em torno da cintura dos outros. A leitura dos nomes era acompanhada pelo toque de um instrumento individual: um violoncelo, um violão, uma flauta ou um violino.

Em Washington, os familiares das vítimas se reuniram para uma cerimônia no local em que um avião atingiu uma das faces do Pentágono, e visitaram o lugar em que se pretende construir um memorial.

"Não sei quais são as palavras apropriadas para dizer a vocês o que se passa em meu coração, nos nossos corações; aquilo que os outros cidadãos estão pensando hoje", disse Pace aos presentes. "Certamente esperamos que estas cerimônias ajudem a reduzir a dor de vocês. Saibam, por favor, que nunca nos esqueceremos".

Por toda a região houve diversas cerimônias, grandes e pequenas.

Embora Manhattan estivesse encoberta por neblina, com a silhueta dos seus prédios obscurecida para quem observava a ilha a partir da costa de Nova Jersey, cerca de cem pessoas reuniram-se nas colinas de West Orange, na qual centenas de pessoas presenciaram o horror se desenrolando seis anos atrás.

Nos dias e meses que se seguiram aos ataques, o local, na Reserva Eagle Rock, tornou-se quase sagrado, conforme às pessoas se dirigiam para lá a fim de orar e refletir, bem como para manifestar pesar por tudo aquilo que se perdeu no vazio aberto no conjunto de prédios de Manhattan. Por volta do aniversário de primeiro ano dos ataques, funcionários do condado de Essex construíram um monumento formal, com os nomes das vítimas entalhados em mesas de pedra por trás de um conjunto de estátuas - uma garotinha segurando um urso de pelúcia, o capacete de um bombeiro, o quepe de um policial, uma águia.

Em um discurso breve à multidão que lá se reuniu na terça-feira, Don Robertson Sr. lembrou a rotina diária do seu filho, Donald Robertson Jr. O filho, de 35 anos de idade e pai de quatro crianças, trabalhava na Cantor Fitzgerald, e morreu na Torre Norte.

"No dia 11 de setembro de 2001, ele foi trabalhar e nunca mais voltou para casa", lamentou Robertson. Na lapela do seu blazer escuro ele trazia um button com uma fotografia antiga do filho usando um uniforme de futebol americano da Escola de Segundo Grau Columbia.

Robertson, que disse que esperava representar as famílias dos 49 moradores do condado de Essex que morreram nos ataques - ao todo mais de 700 moradores de Nova Jersey foram mortos - acrescentou que o lugar tem um significado particular porque a sua família não recebeu nenhum resto mortal ou objeto pessoal do filho.

"Eagle Rock é de fato o nosso cemitério", afirmou ele.

Ao meio-dia, quase ao final da cerimônia em Lower Manhattan, começou a chover forte, mas dezenas de familiares permaneceram no local. Alguns não tinham guarda-chuvas nem capas, mas ficaram tremendo de pé enquanto a chuva escorria pelas suas faces. Rosiland Corley, 55, e a sua filha, Jimease Corley, 30, disse que todos os anos elas permanecem até o final. Elas são, respectivamente, tia e prima de Tonyelle McDay, que tinha 25 anos de idade quando morreu no 97° andar da Torre Sul.

"Se a pessoa tinha um ente querido que morreu, ela sempre terá esta sensação", afirmou Rosiland Corley, que mora em Jersey City. "Não creio que tal sensação algum dia desapareça".

E finalmente os últimos nomes foram lidos. O Coro de Jovens do Brooklyn subiu de novo no palco e cantou "Bridge Over Troubled Water". De alguma forma, as vozes cálidas e jovens fizeram com que o parque varrido pela chuva e a ventania parecesse um pouco menos desolado. A cerimônia foi encerrada com corneteiros tocando Taps, e com um aplauso discreto. Os membros do coro deixaram o palco, e a praça esvaziou-se.

*Sewell Chan, Colin Moynihan, Bruce Lambert e John Holusha, em Nova York; Richard G. Jones, em Nova Jersey; e Sean D. Hamill, em Shanksville, na Pensilvânia, contribuíram para esta matéria. UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,38
    3,156
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,41
    65.277,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host