UOL Notícias Internacional
 

13/09/2007

Terra poderá sobreviver ao fim do Sol em 5 bilhões de anos

The New York Times
Dennis Overbye
Há uma nova esperança de que a Terra, mesmo que não haja vida nela, possa sobreviver a um apocalipse daqui 5 bilhões de anos.

É quando, segundo os cientistas, o Sol esgotará o hidrogênio combustível e seu diâmetro inchará temporariamente mais de 100 vezes, se transformando em uma chamada gigante vermelha, engolindo Mercúrio e Vênus.

Os astrônomos estão anunciando a descoberta de um planeta que parece ter sobrevivido à expansão de sua estrela local, sugerindo que há alguma esperança de que a Terra possa sobreviver ao envelhecimento e inchação do Sol.

Aly Song/Reuters - 5.fev.2007
Sol é visto sobre as chaminés de usinas de energia em Xangai, China
PLANETA TERRA SEM HUMANOS
O planeta é um gigante gasoso pelo menos três vezes maior que Júpiter. Ele orbita a cerca de 240 milhões de quilômetros de uma fraca estrela em Pegasus conhecida como V 391 Pegasi. Mas antes da explosão do planeta como gigante vermelha e da perda de metade de sua massa, o planeta devia estar tão longe de sua estrela quanto a Terra do Sol -cerca de 140 milhões de quilômetros - segundo cálculos de uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo dr. Roberto Silvotti, do Observatorio Astronomico di Capodimonte, em Nápoles, Itália.

Silvotti disse que os resultados mostraram que um planeta à distância da Terra "pode sobreviver" a uma gigante vermelha e disse que espera que a descoberta leve a mais pesquisas.

"Com algumas estatísticas e novos modelos detalhados, nós poderemos dizer algo mais até mesmo sobre o destino de nossa Terra (que, como sabemos, enfrenta problemas bem mais urgentes no momento)", ele disse por e-mail.

Silvotti e seus colegas divulgaram seus resultados na quinta-feira na "Nature".

Em um comentário que acompanha, Jonathan Fortney, do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, na Califórnia, escreveu: "Este sistema nos permite começar a examinar o que acontecerá aos planetas ao redor de estrelas como nosso Sol à medida que evoluem e envelhecem".

A estrela V 391 Pegasi está a cerca de 4.500 anos-luz da Terra e tem quase a metade da massa do Sol, queimando hélio em carbono. Ele no final emitirá outra descarga de gás e se estabelecerá em senescência eterna como uma anã branca.

Enquanto isso, as pulsações da estrela fazem com se torne mais brilhante e pouco clara a cada seis minutos. Após estudar a estrela por sete anos, Silvotti e seus colegas conseguiram discernir modulações sutis no ciclo de seis minutos, sugerindo que a estrela estava sendo puxada de cá para lá em um período de três anos por um grande planeta.

"Basicamente, os observadores estão usando a estrela como relógio, como se fosse um satélite GPS se movendo ao redor do planeta", disse Fred Rasio, da Universidade do Noroeste, que não esteve envolvido na pesquisa.

Esta não é a primeira vez que uma estrela pulsante é usada como um relógio. Em 1992, astrônomos usando a mesma técnica detectaram um par de planetas (ou seus cadáveres) orbitando o pulsar PSR1257+12. E na quarta-feira, astrônomos de raios X do Centro Goddard de Vôo Espacial, em Greenbelt, Maryland, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, anunciaram que detectaram o que restou de uma estrela que a radiação reduziu gradualmente a uma massa planetária orbitando um pulsar na constelação de Sagitário. Estes sistemas provavelmente suportaram explosões de supernova.

O planeta em Pegasus sobreviveu a condições menos letais, apesar de que deve ter sido uma viagem turbulenta ao longo de seus estimados 10 bilhões de anos de existência. Alan Boss, da Instituição Carnegie de Washington, disse: "A evolução estelar pode ser uma passeio agitado para um planeta que está tentando sobreviver, especialmente planetas internos como a Terra".

Quando nosso Sol começar a se transformar de uma estrela queimadora de hidrogênio para uma gigante vermelha, dois efeitos competirão, dizem os astrônomos. Enquanto o Sol expelir massa para conservar o momento angular, a Terra recuará para uma órbita mais distante, mais segura. Ao mesmo tempo, as forças entre a Terra e a estrela em expansão tentarão arrastar o planeta para dentro, onde poderia ser engolfado. Este efeito, em particular, é difícil de computar.

Como resultado, Mario Livio, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, disse sobre os planetas internos: "O destino da Terra é na verdade o mais incerto, porque está na fronteira entre ser engolfado e sobreviver".

Um momento particularmente perigoso para a Terra, disse Silvotti, seria no final da fase de gigante vermelha, com a ignição do hélio do Sol em um clarão explosivo. No caso da V 391 Pegasi, tal explosão expeliu uma grande parte da massa da estrela.

"Este é mais um motivo para a sobrevivência de um planeta em uma órbita relativamente próxima não ser algo trivial", ele disse. George El Khouri Andolfato

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