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14/09/2007

Oficiais de alta patente divergem quanto à redução de tropas americanas no Iraque

The New York Times
David S. Cloud
Em Washington
A idéia de dar continuidade às operações no Iraque, articulada pelo presidente Bush na noite de quinta-feira (13/09), é a mesma que o general David H. Petraeus, o principal comandante norte-americano no Iraque, anunciou em Washington durante toda a semana.

Segundo essa perspectiva, as medidas militares estão apresentando sinais de sucesso, uma retirada muito rápida seria uma temeridade, e, embora o futuro vá ser difícil e repleto de contratempos, é possível visualizar a estratégia norte-americana dando resultados mais à frente.

Mas essa visão, que não inclui uma decisão firme quanto a reduções mais substanciais do contingente norte-americano no Iraque, continua sendo profundamente impopular entre certos oficiais militares da ativa e da reserva, que afirmam que a Casa Branca e o seu comandante de campo continuam a sobrecarregar as tropas, com pouca perspectivas de sucesso no longo prazo.

Esta é a segunda vez em dez meses que Bush opta por um contingente no Iraque maior do que aquele defendido por alguns dos seus principais assessores militares. Entre aqueles que apoiaram um aumento de contingente inferior àquele ordenado por Bush em janeiro passado estão membros do Estado Maior das Forças Armadas. Agora, alguns dos assessores do presidente preferem estabelecer um cronograma mais rápido para a redução do número de soldados em território iraquiano.

Alguns sugerem até que a descrição feita por Bush da estratégia, fortemente embasada nas recomendações de Petraeus, foi mais do que meio insincera, já que seria improvável que o comandante de campo repudiasse os planos do presidente.

"Essa abordagem pode funcionar por períodos breves em alguns locais, mas não é uma boa solução de longo prazo", afirma Douglas A. Macgregor, coronel da reserva do exército e um crítico da forma como o governo Bush lida com a questão do Iraque. Ele chamou o depoimento de Petraeus de "mais uma tentativa de enganação por parte dos generais e dos seus chefes políticos a fim de prolongar a nossa permanência no Iraque até pelo menos o fim do mandato de Bush".

Petraeus disse aos parlamentares durante dois dias de depoimentos no Congresso que o seu plano de redução da presença norte-americana no Iraque, com a retirada de cinco brigadas de combate até meados de julho do ano que vem, é "totalmente apoiado" pelo almirante William J. Fallon, o chefe do Comando Central e o mais antigo comandante norte-americano no Oriente Médio, bem como pelos integrantes do Estado-Maior.

"Não ouvi nenhuma recomendação por parte desses indivíduos no sentido de que fosse implementada uma retirada mais rápida", afirmou o general.

Petraeus reconheceu que ele e outros oficiais de alta patente deram início a "discussões sobre o ritmo da transição da missão", um debate que continua não resolvido e que provavelmente ficará bastante acalorado no início do ano que vem, durante uma prometida análise adicional da possibilidade de redução de tropas.

Entre os oficiais da ativa, as vozes que manifestam ceticismo quanto à abordagem de Bush tem sido menos intensas, mas, não obstante, significativas. Os oficiais que defenderam maiores reduções de contingente questionaram se o cronograma do presidente - uma redução das 20 brigadas de combate atuais para 15 em julho do ano que vem - permitiria ao exército alcançar a sua meta mínima de conceder aos soldados pelo menos um ano em casa para cada ano de missão no Iraque.

Antes mesmo de Petraeus depor perante o Congresso nesta semana, o general George W. Casey Jr., o comandante do exército, esteve na semana passada muito perto de negar a significância das realizações do seu colega.

Casey, que foi o antecessor de Petraeus como principal comandante no Iraque, afirmou que embora a decisão de enviar forças adicionais tenha produzido um "efeito tático" e gerado "um impacto temporário e localizado na situação de segurança", a "questão fundamental" é saber se as oportunidades criadas pelas forças armadas serão aproveitadas pela liderança política iraquiana.

"Creio que um contingente norte-americano menor faria com que os iraquianos agissem com mais rapidez", acrescentou Casey, falando durante um café-da-manhã patrocinado pela revista "Government Executive".

Assessores próximos a Petraeus afirmam que os comentários de Casey estão longe de ser aqueles de um observador desinteressado, tendo em vista que ele foi efetivamente defenestrado do seu cargo no Iraque quando a situação piorou durante o seu comando.

Mas as suas críticas não se devem apenas a ressentimentos. Ele e outros membros do Estado-Maior argumentam que o tamanho atual do contingente no Iraque não pode ser sustentado, devido ao tamanho do exército.

Em meio a outros assessores militares graduados de Bush, as diferenças quanto ao tamanho dos cortes de contingente parecem ter sido deixadas de lado depois da decisão de adiar outras medidas até a próxima primavera.

Fallon afirmou que alguns oficiais acreditam que somente enviando ao governo iraquiano uma mensagem clara de que o compromisso de manter tropas norte-americanas no país tem os seus limites, os iraquianos tomarão medidas no sentido de chegar a uma reconciliação nacional.

Ele se preocupa também com a necessidade de os Estados Unidos contarem com tropas de reserva suficientes para lidar com contingências fora do Iraque e do Afeganistão.

O almirante Michael G. Mullen, o atual chefe de operações navais, que assumirá o comando do Estado-Maior no mês que vem, foi mais um a manifestar dúvidas quanto ao tamanho do contingente, embora tenha também advertido que seria temerário promover uma retirada antes que fosse concedido algum tempo para que a atual estratégia surtisse efeito.

As dúvidas mais profundas manifestadas por Casey quanto às perspectivas de reconciliações no Iraque são compartilhadas pelo general da reserva John P. Abizaid, que liderou o Comando Central até janeiro deste ano.

"Era evidente que o envio de tropas adicionais resultaria em segurança temporária", disse Abizaid em uma rara entrevista na última terça-feira, concedida à agência de notícias "The Associate Press". "O que não ficou claro para mim foi o que faríamos no campo diplomático, econômico, político e de informação para garantir que obtivéssemos progressos que não fossem apenas temporários". UOL

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