UOL Notícias Internacional
 

14/09/2007

Pelo menos em Wall Street, os lucros do pecado superam os da virtude

The New York Times
Janet Morrissey
Parafraseando Gordon Gekko, pecar é bom.

Ou neste caso, pelo menos um pouco melhor do que investir em sua consciência.

Em um momento em que a volatilidade em Wall Street faz com que muitos investidores reexaminem seus investimentos e tentem entender estratégias que envolvam análise quantitativa, veículos de investimento estratégico ou títulos apoiados em hipotecas, vários pequenos fundos mútuos se apoiaram no equivalente de Wall Street da abordagem bem e mal.

O Vice Fund (fundo de vícios), com sede em Dallas, investiu significativamente em "ações pecaminosas": empresas que podem promover o consumo de álcool e jogo assim como fornecedores militares e empresas de tabaco.

"Nós não promovemos estes comportamentos. Nós apenas olhamos para isto com os olhos de um investidor", disse o gerente de portfólio do fundo, Charles L. Norton, que não fuma, bebe apenas "em certas ocasiões" e joga apenas duas vezes por ano. A meta do fundo é simples, ele disse: "Apenas ganhar dinheiro".

Do outro lado estão alguns fundos mútuos que se esforçam para ser social e moralmente responsáveis.

Fundos como o Domini Social Equity e Citizens Core Growth escolhem a dedo empresas que atendam seus objetivos sociais e ambientais.

"É a mentalidade de nossos investidores", disse Jeff MacDonagh, gerente de portfólio do fundo Domini Social Equity. Ele disse que o fundo favorece empresas que promovam a "dignidade humana" e "sustentabilidade ambiental".

Os dois fundos também tentam usar os investimentos de seus acionistas como forma de forçar mudanças em questões de trabalho sob condições impróprias e meio ambiente.

MacDonagh disse que seu fundo evita empresas que poderiam ser vistas como exploradoras do vício em coisas como álcool, jogo e tabaco, assim como se esquiva de empresas com retrospecto ruim em questões de direitos humanos e aquecimento global.

George Schwartz, um administrador de portfólio do fundo Ave Maria Catholic Values de US$ 282 milhões, disse que alguns investidores gostam de saber que não estão apoiando pornografia, aborto ou controle da natalidade.

"Nós não investiremos em empresas que violam estes princípios centrais da Igreja Católica", ele disse.

Mas no final, pelo menos em Wall Street, o dinheiro fala alto. E até o momento neste ano, o vício superou a consciência.

O Vice Fund de US$ 124 milhões, que atua há cinco anos, apresentou valorização de 14,1% neste ano, em comparação aos 5,1% do índice Standard & Poor's 500, segundo a Morningstar, que monitora fundos mútuos. O fundo superou o desempenho do S&P em todos os seus cinco anos.

Thomas M. Galvin, gerente de portfólio do fundo Excelsior, disse que as ações "pecaminosas" tendem a ser protegidas das oscilações da economia.

O fundo Ave Maria Values também superou o S&P desde sua criação em 2001, disse Schwartz. Mas não em 2007; até o momento, o fundo apresenta um valorização de 1,9%.

"Quando iniciamos este fundo, nós esperávamos pelo menos igualar o mercado e não sabíamos qual seria a penalidade por descartar certas empresas", ele disse.

Os outros dois fundos socialmente conscientes apresentaram desempenho abaixo do S&P nos últimos cinco anos, segundo a Morningstar. Até o momento em 2007, o fundo Domini ainda está aquém do S&P, apresentando uma valorização de 1,4%, mas o Citizens está melhor, com valorização de 8,2%.

MacDonagh disse que evitar ações das grandes empresas de petróleo e carvão por razões ambientais foi o que mais prejudicou o desempenho de seu fundo. Em alguns trimestres, não investir em itens básicos de consumo como tabaco e álcool prejudica o fundo, ele disse, "mas a longo prazo, é neutro".

O Vice Fund é o único portfólio que atualmente define seu campo de ação como "pecado". Dan S. Ahrens, um ex-gerente de portfólio do Vice Fund que saiu em 2005, oferece a aposta mais próxima como o Ladenburg Thalmann Gaming and Casino Fund (fundo de cassino e jogo).

O Vice Fund segue os passos do primeiro portfólio a explorar as ações "pecaminosas". O Morgan FunShares, criado por Burton Morgan em 1994, se concentrava em tais investimentos até seu fechamento em 2003, logo após a morte do fundador.

O retrospecto do Vice Fund não é isento de máculas. Seu fundador, Richard A. Sapio, e dois outros executivos da firma de consultoria do fundo, a Mutuals.com, foram acusados em 2003 de fraude ligada a valores mobiliários e em 2004 de conspiração para cometer fraude de valores mobiliários, fraude em transações eletrônicas e fraude por correio.

O caso contra Sapio ainda está tramitando e telefonemas para seu advogado, Stephen G. Topetzes, não foram retornados.

Os três executivos renunciaram da firma de consultoria em 2004 e a empresa proprietária, a Mutual Capital Alliance, reformou a Mutuals.com, trazendo uma nova administração e mudando seu nome para Mutuals Advisors. Sapio, como executivo-chefe da Mutual Capital, continua recebendo as taxas de administração do Vice Fund. George El Khouri Andolfato

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