UOL Notícias Internacional
 

15/09/2007

Um novo primeiro-ministro e mais intriga na Rússia

The New York Times
C.J. Chivers*

Em Moscou
O Parlamento da Rússia confirmou Viktor A. Zubkov como primeiro-ministro na sexta-feira, consolidando a ascensão instantânea à estatura do Kremlin do discreto confidente do presidente Vladimir V. Putin, enquanto este adicionava mais incerteza à pergunta sobre quem poderia sucedê-lo.

Falando em um encontro anual de especialistas em Rússia, Putin disse que agora há pelo menos cinco candidatos presidenciais viáveis para a eleição do próximo ano.

 REUTERS/Ria Novosti/ - 12.set.2007 
Putin afirma que existem cinco possíveis candidatos a presidente da Rússia

Três são conhecidos: Zubkov e dois primeiros vice-primeiros-ministros -Sergei B. Ivanov e Dmitri A. Medvedev. Putin se recusou a compartilhar os outros dois nomes. "Atualmente, um mínimo de cinco pessoas podem ser citadas como tendo chance real de concorrer à presidência e serem eleitas", disse Putin. "Há uma escolha real".

A ascensão surpresa de Zubkov, que antes liderava uma pequena agência federal responsável pela investigação de crimes financeiros, já tinha levantado muitas questões. A indicação de Putin da existência de mais dois candidatos pareceu confundir ainda mais a sucessão, deixando os observadores do Kremlin especulando ainda mais sobre seus planos.

O grupo de especialistas em Rússia aos quais Putin se dirigiu, conhecido como Grupo Valdai de Discussão, se reuniu neste ano no complexo presidencial com vista ao Mar Negro.

Os comentários de Putin, e a reação imediata da imprensa russa à idéia de cinco candidatos sérios à presidência, ressaltaram tanto a supremacia de Putin nos assuntos domésticos russos quanto a natureza da disputa nas eleições russas.

Apesar de que pela lei qualquer candidato qualificado poder buscar apoio público para disputa do cargo, analistas políticos e os porta-vozes do Kremlin disseram que qualquer eleição no próximo ano quase certamente dependerá de um eleitor: Putin.

Um alto diplomata ocidental, que falou sob a condição de anonimato segundo o protocolo diplomático, disse que dado o funcionamento da política russa, a afirmação de Putin de que há cinco candidatos presidenciais sólidos talvez seja melhor vista como uma forma de despistar. "Isto visa fazer parecer que haverá uma eleição", disse o diplomata. "Mas no final, será ele quem escolherá".

Em um sinal de que mais mudanças poderão ocorrer, Putin também expressou insatisfação com o desempenho do governo que até agora era liderado pelo primeiro-ministro Mikhail Y. Fradkov.

Ele disse que os membros do governo não estavam trabalhando tão diligentemente quanto ele esperava, e que alguns ministros começaram a planejar suas vidas após a esperada partida de Putin no próximo ano. Mas ele acrescentou que Fradkov tomou por conta própria a decisão de apresentar sua renúncia na quarta-feira.

"Eu não pressionei o primeiro-ministro a fazer isto", disse Putin. "O primeiro-ministro claramente viu o estado de espírito dos membros de sua coletividade e me procurou com a proposta. Eu sentia o mesmo".

Enquanto Putin falava no encontro, Zubkov iniciava o trabalho no governo, informaram as agências de notícia oficiais russas. Pelo menos uma reforma ministerial modesta é esperada. Os comentários de Putin sobre sua insatisfação pareceram tornar iminente a rodada de demissões.

Zubkov, que agora dirigirá o governo nos meses que antecedem as eleições parlamentares em dezembro, é um ex-administrador de fazenda coletiva que é confidente de Putin desde pelo menos o início dos anos 90, quando serviu como vice deste em um departamento da prefeitura de São Petersburgo.

Nos últimos anos ele liderou uma agência federal responsável pela investigação de lavagem de dinheiro e outros crimes. Putin o elogiou, o chamando de "altamente profissional, decente, equilibrado e sábio".

"Não há corrupção ao redor dele", ele disse.

O diplomata ocidental disse que Zubkov tem boa reputação pela luta contra a lavagem internacional de dinheiro e pela cooperação com investigadores ocidentais em campanhas para minar o financiamento ao terrorismo.

Também ainda não surgiu nenhuma evidência sugerindo que tenha servido na KGB ou outro serviço de inteligência da era soviética, como a maioria das principais figuras políticas que controlam a Rússia, seus assuntos e recursos de energia. O alto diplomata ocidental disse que a base de apoio de Zubkov parece vir de sua ligação pessoal com Putin, assim como de sua reputação de competência.

Vários analistas sugeriram que Zubkov poderia ser um presidente leal a Putin, permitindo a este o retorno ao cargo após deixá-lo no próximo ano.

Putin está impedido pela Constituição de servir um terceiro mandato consecutivo, mas poderia concorrer novamente em 2012, ou antes, caso o próximo presidente sirva um mandato abreviado. Ele não ofereceu, como de costume, nenhuma pista sobre suas intenções em seus comentários na sexta-feira.

"Eu não decidi de forma concreta o que farei", ele disse, "mas terei influência nos eventos".

* Um funcionário do "The New York Times" em Sochi, Rússia, contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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