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19/09/2007

Remédios para Aids podem combater o câncer

The New York Times
Nicholas Bakalar
Uma droga amplamente usada no tratamento de infecção por HIV talvez também seja eficaz no combate ao câncer, sugere um novo estudo. Um ensaio humano com o remédio já está em andamento.

Em testes de seis inibidores de proteases em animais, três diminuíram o crescimento de uma variedade de tipos de células cancerosas, em doses toleradas por pacientes com HIV. Dos seis, o nelfinavir, vendido sob o nome de Viracept, teve o efeito mais forte. Agora, está sendo usado em um ensaio de fase um, primeiro passo no teste da droga em humanos para o uso contra o câncer.

Em um artigo publicado no dia 1º de setembro, os pesquisadores divulgaram que seis drogas foram testadas em 60 linhagens celulares derivadas de nove tipos de tumores. Em todas as linhagens, quanto maior a dose do remédio, mais o crescimento celular foi inibido.

O nelfinavir também foi eficaz contra células de câncer de mama resistentes a drogas atualmente usadas contra o câncer, como Nolvadex (tamoxifen) e Herceptin (trastuzumab). Os inibidores de proteases usados no estudo foram doados pela Pfizer.

Os pesquisadores também testaram o nelfinavir em camundongos que tinham sido injetados com células de câncer. Em doses menores, funcionou bem para reduzir o tamanho dos tumores, mas doses maiores produziram efeitos colaterais inaceitáveis.

Não está claro exatamente como o nelfinavir age contra células de câncer. Sabe-se que os inibidores de protease interferem em um caminho protéico que ajuda as células de câncer sobreviverem, mas, no estudo, somente o nelfinavir, o ritonavir e o saquinavir funcionaram. Há diferentes proteases -enzimas que degradam as proteínas- no HIV e no câncer. É possível que inibidores de proteases atinjam proteases no câncer que não existem no HIV.

O artigo, que aparece na revista Clinical Cancer Research, diz que o custo de desenvolver uma droga contra o câncer é de cerca de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2 bilhões), e o processo leva cerca de 15 anos, entre a concepção e a aprovação pelo Departamento de Drogas e Alimentos, quando é concedida.

Uma forma de encurtar esse tempo e reduzir o custo é considerar drogas para as quais já existem dados sobre segurança e uma clara compreensão de como são absorvidas, por quanto tempo funcionam, quais órgãos afetam e como são excretadas.

Inibidores de proteases têm sido usados desde 1993; sua segurança, toxicidade e vários efeitos em humanos são bem conhecidos.

Agora, apenas um ano e meio depois de fazer experimentos com células de câncer em cultura, os pesquisadores estão usando nelfinavir em um ensaio de fase um. Seu principal objetivo é descobrir qual dosagem pode ser administrada com segurança. Quando o nelfinavir foi testado em pacientes com HIV, os pesquisadores aumentaram a dose somente até a carga viral do paciente cair, portanto a dose máxima nunca foi determinada. Para este ensaio, os pesquisadores estão recrutando 45 pessoas que têm tumores de qualquer tipo, exceto leucemias, e que não reagiram aos tratamentos existentes.

Os voluntários estão recebendo 1.250 miligramas oralmente duas vezes por dia, dose padrão nas pessoas com infecção por HIV. A quantidade será gradualmente aumentada. A dose máxima tolerada será aquela em que um em cada três pacientes experimentar efeitos tóxicos, como problemas gastrintestinais ou níveis sangüíneos altos de lipídios ou glicose.

O ensaio não foi feito para determinar a eficácia da droga, mas os pacientes cujos tumores responderem a ela continuarão a recebê-la.

"O alvo do ensaio é segurança e tolerância", disse Phillip A. Dennis, principal autor do estudo. "Mas, sendo uma droga eficaz, procuramos sinais de atividade. A eficácia preliminar será investigada em ensaios com tipos específicos de câncer".

Dennis, oncologista do Instituto Nacional de Câncer, disse que seu laboratório também estava formulando ensaios para testar drogas junto com o nelfinavir para tratar o câncer. "Vamos usar as informações da fase um", disse ele, "para determinar onde começamos a dose do nelfinavir nos ensaios de combinação..." Deborah Weinberg

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