UOL Notícias Internacional
 

20/09/2007

Fósseis revelam pistas de ancestral humano

The New York Times
John Noble Wilford
O encontro de quatro esqueletos fossilizados de antigos ancestrais humanos na Geórgia, a ex-república soviética, deu aos cientistas um vislumbre revelador de uma espécie em transição, primitiva em seu crânio e tronco superior, mas contando com espinha e membros inferiores mais avançados para maior mobilidade.

A descoberta, que é relatada na quinta-feira pela revista "Nature", é considerada um passo significativo para o entendimento de quem foram alguns dos primeiros ancestrais a migrarem para fora da África há cerca de 1,8 milhão de anos. Ela também pode resultar em uma idéia da natureza dos primeiros membros do gênero humano, o Homo.

Georgian National Museum/The New York Times 
Osso de um dos quatro esqueletos fósseis encontrados em Dmanisi, Georgia

Até o momento, os cientistas tinham encontrado apenas crânios de indivíduos de cérebro pequeno no sítio de Dmanisi, na Geórgia. Eles disseram que as novas evidências aparentemente mostram a capacidade anatômica desta população extinta para migrações de longa distância.

"Nós ainda não sabemos exatamente o que temos aqui", disse David O. Lordkipanidze, o líder da escavação, na segunda-feira em uma entrevista durante uma visita a Nova York. "Nós estamos apenas começando a descrever a natureza da antiga população de Dmanisi".

Outros paleoantropólogos disseram que a descoberta poderá levar a avanços no período evolutivo crítico no qual alguns membros dos Australopithecus, o gênero que ficou famoso com o esqueleto Lucy, fizeram a transição para o Homo. O passo pode ter ocorrido há mais de 2 milhões de anos. "A transição Australopithecus-Homo sempre foi nebulosa", disse Daniel E. Lieberman, um paleoantropólogo da Universidade de Harvard. "As novas descobertas acentuam ainda mais a natureza transitória e variável dos primeiros Homo".

A equipe internacional liderada por Lordkipanidze, diretor do Museu Nacional Georgiano em Tbilisi, encontrou vários crânios e ferramentas de pedra em Dmanisi nos anos 90. Eles foram datados como tendo 1,77 milhão de anos e lembravam o Homo erectus, o antecessor imediato do Homo sapiens. Os fósseis foram inicialmente atribuídos à espécie erectus.

Mas a erectus era considerada uma espécie com maior afinidade com os humanos modernos, com corpos grandes e rostos longos, dentes menores e cérebros maiores que seus antecessores. Um jovem homem erectus na África, datado de 1,5 milhão de anos atrás, tinha um corpo moderno e mais de 1,80 m de altura.

Os espécimes de Dmanisi eram muito diferentes. O tamanho de seus crânios indicava que seus cérebros não eram muito maiores que o cérebro de um chimpanzé. Seus cérebros eram mais próximos em tamanho aos dos Homo habilis, uma espécie ancestral anterior pouco entendida.

Mas nos últimos anos os pesquisadores coletaram mais esqueletos fossilizados bem preservados de um adolescente e três adultos. Alguns dos fósseis lembram os da espécie erectus posterior na África. Os membros inferiores e pés arqueados indicam características "para melhor desempenho locomotor terrestre", relatou a equipe.

No geral, os fósseis são "um mosaico surpreendente" de características primitivas e evoluídas. O corpo e crânio pequenos, os membros superiores, cotovelos e ombros parecem mais com os da espécie habilis mais antiga.

"Logo, os hominídeos mais antigos que viveram fora da África nas zonas temperadas da Eurásia não exibiam um conjunto pleno" de características esqueletais evoluídas, concluíram os cientistas.

Em outro artigo na "Nature", Lieberman disse que as novas descobertas, somadas a outras pesquisas recentes de fósseis de erectus e habilis na África, mostram que os "primeiros Homo eram menos modernos e mais variáveis do que se supunha".

Uma possível explicação, ele disse, é a de que os espécimes de Dmanisi "eram apenas menores que seus parentes africanos". Ou podem ser uma espécie diferente.

"Meu palpite é de que os Dmanisi e os antigos fósseis de Homo erectus africanos representam populações diferentes de uma única espécie altamente variável", escreveu Lieberman.

Ian Tattersall, um paleoantropólogo do Museu Americano de História Natural, disse que quando os crânios de Dmanisi vieram à tona, alguns cientistas pensaram se tratar de uma espécie distinta, que chamaram de Homo georgicus. Mas outros estabeleceram a designação erectus.

"Por tradição, erectus é o hominídeo no meio, entre o anterior habilis e o posterior Homo sapiens", disse Tattersall. "Esta mentalidade prevaleceu".

Porém mais significativo, segundo ele, é o fato dos esqueletos de Dmanisi poderem revelar como os primeiros ancestrais humanos puderam se locomover para fora da África. Antes cérebros maiores, melhores ferramentas e membros com proporções evoluídas eram as explicações prováveis. Descobertas anteriores descartaram as duas primeiras, mas não forneciam evidência direta da terceira.

"Parece que as proporções dos membros para cruzar ambientes para sair da África estavam presentes há pelo menos 1,8 milhão de anos", ele disse. George El Khouri Andolfato

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