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21/09/2007

'Kid Nation': um 'Real World' supervisionado para crianças

The New York Times
Alessandra Stanley
Nada de McLanche Feliz. Sem aparelho de DVD no carro, Super Mario Bros, sucrilhos, festas de adolescentes, ajuda na lição de casa, iPhone, tênis com rodinhas ou bonecas Polly e acessórios.

"Kid Nation", o novo reality show da rede de TV CBS, não se resume a assistir crianças construindo uma nova sociedade em uma cidade fantasma no deserto do Novo México. Ele explora uma fantasia adulta mais profunda, mais sombria: o prazer de assistir crianças mimadas, indolentes e excessivamente indulgentes se virarem sem os seus brinquedos.

Jared, 11 anos, torceu o nariz ao passar pela única latrina da cidade. "Eu nunca vou usar essa coisa".

VÍTIMAS OU ATORES?
CBS
Cena do reality show "Kid Nation", em que 40 crianças ficarão confinadas por 40 dias para construir um novo mundo
POLÊMICA ANTES DA ESTRÉIA
Os críticos, entre eles pelo menos um pai descontente, dizem que enviar 40 crianças para reconstruírem uma cidade fantasma do Novo México, sem supervisão adequada, era pouco mais que um "Senhor das Moscas" para voyeurs.

A CBS, que promoveu o programa como sendo quase exatamente isto, recuou, explicando que "Kid Nation" é na verdade um exercício de formação de caráter de 40 dias que funciona nos moldes da organização educacional Outward Bound. A diferença é que há equipes de gravação e supervisores por trás das câmeras.

É isso. E também não é.

"Kid Nation" é basicamente um programa ao estilo MTV, mas com participantes em idade Disney.

As crianças na verdade não se viram sozinhas. Após uma noite ligeiramente caótica, elas foram lideradas pelo apresentador Jonathan Karsh e sua equipe de produção em uma série de eventos sob medida para fotos, incluindo uma guerra ao estilo acampamento de verão, na qual as crianças foram divididas em equipes (vermelha, verde, amarela e azul) para realização de tarefas. (Os perdedores tiveram que realizar um trabalho braçal que pagava 10 centavos de dólar por hora.)

Curiosamente, adultos por trás das câmeras escolheram algumas das crianças mais articuladas e fotogênicas e as fizeram expressar seus temores e sentimentos diretamente para a câmera. Como em "Real World" e "Survivor" (a versão original de "No Limite"), há um prêmio para a manifestação de hostilidade.

"Greg não é muito legal" disse Jimmy, 8 anos e o mais jovem do grupo, sobre o garoto mais velho, Greg, que tem 15. "Ele se acha o bacana, mas não é".

Logo fica evidente que o trabalho árduo não compensa em um reality show, nem mesmo em um programa que supostamente visa promover o espírito pioneiro.

Em cada episódio, o conselho da cidade --um grupo pré-selecionado de quatro crianças-- recompensa o participante que mais trabalhou com uma estrela de ouro, que Karsh explicou valer US$ 20 mil, e uma chance de telefonar para casa. No episódio da noite de quarta-feira, o conselho escolheu Sophia, 14 anos, uma adolescente confiante e determinada que organizou o primeiro grupo de cozinha.

"Eu quero agradecer o conselho pelo reconhecimento de que realmente me esforcei", ela disse após aceitar sua estrela, como se fosse um Oscar. "Eu peço desculpas por ter sido mandona, mas vou tentar melhorar".

Sophia ficou com os olhos ligeiramente lacrimosos quando ouviu a voz de sua mãe ao telefone. Uma equipe de TV diferente estava na cozinha da mãe dela para gravar a conversa. "O quê, você está brincando?" gritou a mãe ao saber dos US$ 20 mil.

Em cada episódio, Karsh pergunta às crianças se alguém quer voltar para casa. Um aceitou: Jimmy, o menino de 8 anos. "Eu estou com muita saudade", ele disse. "Sou novo demais para isto".

Mas todos os demais optaram por ficar, e o episódio termina com uma montagem de declarações juvenis de orgulho e espírito de "posso fazer".

"Kid Nation" gera perguntas, mas se crianças com apenas 8 anos devem ser separadas de seus pais e obrigadas a trabalhar longas horas não é uma delas.

A verdadeira pergunta é se pequenos rostos cuidadosamente escolhidos podem realmente ser considerados crianças --basicamente eles são atores mirins com um primeiro trabalho bastante exigente.

E mesmo isto gera a dúvida --fazer panquecas e puxar carroças é pior ou diferente do que posar por horas a fio para um anúncio da United Colors of Benetton? Se mais estrelas de US$ 20 mil forem entregues, poderá no final ser mais lucrativo. George El Khouri Andolfato

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