UOL Notícias Internacional
 

22/09/2007

No Oriente Médio, frases cuidadosas não se encaixam com palavras afiadas

The New York Times
Helene Cooper
Em Ramallah, Cisjordânia
No mundo diplomático, as palavras podem significar tudo -ou nada.

Com duas frases, em uma conferência de imprensa rotineira, o presidente palestino Mahmoud Abbas foi ao cerne da divisão entre Israel e a Autoridade Palestina diante dos esforços do governo Bush para criar um plano para negociações de paz no Oriente Médio.

A grande conferência de paz que o presidente Bush e a secretária de Estado Condoleezza Rice estão planejando para meados de novembro, disse Abbas, deve atacar as questões politicamente delicadas do "status final", que atrapalham os negociadores de paz desde 1979.

Oleg Popov/Reuters 
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah

Dispensando todas as delicadezas diplomáticas que as autoridades americanas vêm usando para tentar acalmar os temores de israelenses ariscos, que estão pouco confortáveis em lidar com as grandes questões, Abbas expôs as metas palestinas para a reunião, que, de muitas formas, são as mesmas que as americanas.

Abbas pediu discussões sobre "fronteiras, Jerusalém, refugiados, assentamentos, água e segurança". Rice estava em pé ao seu lado, com uma branda fisionomia, em uma sala cavernosa nas antigas instalações de Muqata de Iasser Arafat. Abbas disse: "Acreditamos que chegou a hora de estabelecer um Estado Palestino independente, com Jerusalém Oriental como sua capital, para viver lado a lado em segurança e tranqüilidade com o Estado de Israel".

Ele criticou as autoridades americanas por serem ambíguas demais, e explicou que parte da razão pela qual os países árabes não tinham se apressado em endossar a conferência -que os EUA devem sediar em um local a ser determinado- foi porque ninguém tinha prometido em inglês claro que o encontro atacaria questões de status final. "Acredito que há uma necessidade de esclarecimento", disse ele. "Esse é o dever de quem convida à conferência".

Suas palavras francas foram muito distantes do discurso propositalmente ambíguo que Rice vem usando enquanto tenta arrastar Israel para a mesa de negociações. Ela discutiu a necessidade de encontrar "um conjunto de princípios comuns", em direção a um "horizonte político", para "apoiar um avanço nas negociações" ao longo do "caminho bilateral".

"Porque afinal", disse ela aos repórteres, em uma frase que deixou a maior parte coçando a cabeça, "o caminho bilateral tem que estar no centro de uma resolução do conflito israelense-palestino".

Autoridades israelenses estão temerosas de se comprometerem a negociar questões de status final antes de suas preocupações com segurança serem atendidas. O primeiro-ministro Ehud Olmert tem estado mais confortável em suas conversas com Abbas, mas o público israelense continua a duvidar que os palestinos estejam sérios sobre a coexistência, depois de elegerem o Partido Hamas, que rejeita o Estado de Israel.

Apesar da retirada de Israel de todas as tropas e dos assentamentos de Gaza em 2005, foguetes Qassam são lançados rotineiramente de Gaza contra Israel. Como resultado, líderes israelenses estão avessos a discutir a remoção de assentamentos da Cisjordânia. E esqueça sobre Jerusalém, que ambos os lados querem como capital; autoridades israelenses não estão desejosas de colocar o status de Jerusalém na mesa em uma grande conferência com a participação de todos, desde a Arábia Saudita até o Reino Unido e a Rússia.

O mais perto que a ministra de relações exteriores israelense, Tzipi Livni, chegou nesta semana foi expressar a necessidade de encontrar "pontos comuns entre israelenses e palestinos. "É claro que gostaríamos de pôr fim ao conflito imediatamente", disse Livni. Mas, acrescentou, "é importante descobrir qual é o denominador comum".

Depois de uma reunião na quinta-feira com Rice em Tel Aviv, Olmert ofereceu garantias similares. Ele disse à secretária de Estado americana que Israel "queria fazer uma contribuição positiva para uma reunião de sucesso, mas queria que a reunião tivesse a participação de muitos Estados moderados árabes", disse um porta-voz de Olmert, David Baker.

Autoridades americanas dizem que não é que os israelenses não queiram lidar com as questões difíceis e sim que as autoridades israelenses, particularmente o ex-primeiro-ministro Ehud Barak, que é ministro da defesa, lembram-se do esforço do presidente Clinton para um acordo de paz amplo em 2000 entre Barak e Arafat. Esse esforço fracassou e levou à segunda intifada palestina, acreditam muitos israelenses, que portanto relutam em fazer outro grande esforço sem a garantia que dará resultados.

Os dois lados estão trabalhando em algum documento para superar a distância, e Rice disse que voltaria à região em algumas semanas para dar mais estímulos e, provavelmente, faria outra visita antes da conferência de novembro.

Em seu vôo de volta para Washington, ela refletiu sobre as seis visitas que fez neste ano a Israel para fazer andar o plano de paz, incluindo a evolução do linguajar que usou para descrever o que está fazendo.

Em fevereiro, observou, ela começou a usar "a expressão muito cuidadosamente guiada 'horizonte político'".

"Sei que havia certo ceticismo sobre o termo 'horizonte político' e o que significava", disse ela. "Mas deu um ambiente onde puderam discutir questões que não tinham discutido em seis anos".

"Agora", disse ela, os dois lados estão "abertamente dizendo que vão discutir as 'questões centrais'".

Em Nablus, na Cisjordânia, na quinta-feira (20/9), forças israelenses concluíram uma operação de três dias em um grande campo de refugiados, Ein Beit Ilma, capturando três homens que o exército israelense chamou de "terroristas do Hamas planejando atentados suicidas".

Os homens seriam parte de uma célula que também incluía membros do Hamas e da Frente Popular de Libertação da Palestina. Um porta-voz do exército, capitão Benjamin Rutland, disse que os três homens "admitiram planejar um ataque terrorista" e incluíam um possível homem-bomba.

Desde terça-feira, mais de 35 palestinos foram presos, e o campo está sob toque de recolher.

Em Gaza central, tropas israelenses operando contra equipes que lançam foguetes mataram um palestino de 17 anos, Mahmoud Kasasi, que foi atingido por estilhaços de um tiro de tanque e depois atropelado por um trator do exército, de acordo com o ministério de Saúde de Gaza. Três outros palestinos foram mortos na operação, segundo a agência de notícias Reuters.

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