UOL Notícias Internacional
 

24/09/2007

Quando a infância é um papel difícil

The New York Times
Mireya Navarro
Em Los Angeles
Emily Osment disse que se esforça o máximo que pode para ser "normal". Neste ano, entretanto, ela deixou a escola que freqüentou até o último ano do ensino médio para ter aulas particulares no set de gravação do sucesso do Canal da Disney "Hannah Montana", onde faz o papel de Lilly, a melhor amiga palhaça da atriz principal.

"A publicidade é enorme e, com ela, vem muito mais trabalho, como sessões de fotos", disse Emily, 15, comendo ravióli em um restaurante em Burbank, Califórnia, recém saída de uma sessão de fotos para a revista adolescente M. "É difícil de administrar".

Stephanie Diani/The New York Times 
Miranda Cosgrove (centro), do "iCarly", com Jennette McCurdy (esq.) e Leon Thomas

Emily está entre os atores mirins que tentam se ajustar a uma nova Hollywood, aquela que serve ao mercado adolescente e está recebendo atenção extraordinária graças a programas como "Hannah Montana" e filmes como "High School Musical 2".

Nessa Hollywood, jovens casais como Zac Efron e Vanessa Hudgens, de "High School Musical", recebem apelidos dos tablóides ("Zanessa") e são cortejados pelos principais agentes de talentos. Antes, os agentes os ignoravam, mas agora vêem carreiras viáveis até a idade adulta.

Junto com o status maior, os artistas mirins estão sofrendo o tipo de pressão que enfrentam os adultos, desde maior demanda sobre seu tempo até maior atenção da mídia, preocupações com segurança e, como mostrado por uma foto nua da atriz de 18 anos Hudgens na Internet, maior vulnerabilidade à crítica e à invasão de privacidade.

Até bastante recentemente, a cobertura da imprensa em geral era restrita a revistas para pré-adolescentes que faziam reportagens uniformemente positivas, na maior parte saudáveis. "Nunca usamos a palavra 'sexo'", disse Molly MacDermot, editora das revistas Twist e M.

Não é incomum, entretanto, os astros que ainda nem fizeram 16 anos serem avaliados pela polícia da moda no tapete vermelho.

Fãs de pré-adolescentes podem ser tão impiedosos quanto seus blogs.

"Uma pessoa pode fazer um blog sobre como sua roupa é horrível ou divulgar um rumor que, sendo verdade ou não, vai crescendo", disse Leesa Coble, editora das revistas Tiger Beat e Bop, que atendem à faixa de 10 a 14 anos.

"Quando você tem 13 ou 14 anos, isso machuca", disse ela. "Nessa idade, você está tentando descobrir quem é. Talvez tenha dinheiro e fama, mas ainda tem apenas 13 anos".

Cindy Osbrink, agente de talentos que representa Dakota Fanning e outro jovem talento, agora diz a seus clientes para aceitarem os paparazzi como parte de suas vidas. "Você sorri e continua andando", diz a eles.

No entanto, as emboscadas de fotógrafos -profissionais ou de telefones celulares- são apenas parte da exposição que as crianças sofrem com contratos que freqüentemente não incluem apenas sua participação em programas de televisão, cinema e discos, mas também em dar seu nome a linhas de roupas e outras mercadorias.

Anne Henry, fundadora da Biz Parentz, grupo de apoio para pais e filhos da indústria de entretenimento, disse que muitos pais se preocupam sobre como a Internet facilita a transmissão de informações pessoais. Ela disse que escutou reclamações de pais sobre fãs que aparecem em suas casas ou na escola dos filhos e de fotos aparecendo em sites pedófilos.

Quando ela coloca no Google o nome de sua própria filha, que tem 11 anos e fez papéis em séries de televisão e no cinema, ela encontra sites pornográficos.

"A Internet e o anonimato, de fato, permitem que as loucuras prosperem", disse ela.

Emily, cujo irmão é o ator nomeado para o Oscar Haley Joel Osment, astro infantil de "Sexto Sentido", teve que lidar com todo tipo de coisa.

Ela disse que ficou chocada ao descobrir "centenas" de blogs que dizem ser escritos em seu nome e não gosta quando seus fãs tiram sua foto na rua quando está usando roupas de ginástica.

Para o Emmy Awards deste ano, estilistas ofereceram vestidos a ela. (Como não teve tempo para passar o dia inteiro experimentando roupa, a atriz foi a um shopping com a mãe e comprou um vestido preto prêt-à-porter). Ela e seu agente -seu pai, Michael Eugene Osment- estão pensando se farão um anúncio para um jeans. "Não quero que ela pareça sexy demais" nos anúncios, disse Osment.

Emily fez aparições em programas como "Friends" e fez o papel de Gerti Giggles em dois dos filmes de "Spy Kids", mas nenhum trouxe tanta fama quanto o papel de Lilly em "Hanah Montana". Sua associação com a Disney está se provando frutífera (ela deve começar a trabalhar no outono em um filme da Disney para a televisão no qual fará a personagem principal) e está plenamente consciente dos benefícios da fama. "A Disney definitivamente estabelece uma base de fãs para você", disse ela. "Essa é a maior coisa".

Seu pai, por outro lado, diz que trabalha duro para manter sua filha com os pés no chão, enquanto persegue suas ambições.

"Fazemos nosso melhor para ser uma família americana comum", disse ele sobre seus filhos e sua mulher, Theresa, professora. "Quando chegamos do trabalho, fazemos tudo, desde lavar a louça após o jantar até limpar as fezes de cachorro no quintal".

Muitos jovens atores estão abraçando os holofotes de bom grado e já calculam como vão transformar seu desempenho infantil em carreiras no cinema, como terão seus próprios selos de discos e muito mais do que a capa da People, dizem alguns produtores de televisão.

"As crianças antes se concentravam no momento", disse Dan Schneider, produtor executivo e criado de alguns dos programas mais populares do Nickelodeon, como "Drake & Josh".

"Agora, as crianças e seus pais estão olhando para o trabalho na Nickelodeon mais como um primeiro passo", disse ele. "A maior parte quer fazer carreira no cinema, e o caminho foi pavimentado".

E foi facilitado graças ao estrelato impressionante que a televisão a cabo infantil forneceu. No mês passado, "High School Musical 2" teve um dos melhores índices de audiência para um programa de televisão a cabo, e seus discos, junto com os de "Hannah Montana", são campeões de vendas.

A Nickelodeon, forte máquina de programação infantil, vem tentando manter as capacidades de polinização cruzada da Disney. O canal fechou uma parceria com o Sony Music Label Group e está começando a produzir filmes originais como base de sua programação.

No passado recente, "meus meninos só queriam estar no horário nobre", disse Bonnie Liedtke, agente de talentos que recentemente foi contratada pela William Morris Agency para encontrar talentos para o mercado pré-adolescente em crescimento. "Atualmente, não é mais assim."

Agora, espera-se dessas crianças que sejam máquinas de fazer dinheiro desde os 8 ou 9 anos até os 20; como prevenir que desabem, ao estilo de Lindsay Lohan?

Muitos pais, executivos da televisão e outros que trabalham com jovens artistas vêem casos como o dela (Lohan, 21, esteve em clinicas de reabilitação três vezes neste ano) como exceção, mais atribuível à dinâmica da família do que à indústria de entretenimento. No entanto, é uma preocupação constante para os pais até nas primeiras fases.

"Estamos prestando atenção na mídia", disse Jayon Anthony, cujo filho de 14 anos, Leon G. Thomas III, recentemente assinou contrato exclusivo com a Nickelodeon para programas de televisão, música e cinema. "Tivemos conversas com ele".

Leon, a voz que canta para Tyrone, o alce cor de laranja na série animada "the Backyardigans", quer ser um dos astros de música do Nickelodeon.

"Eu me vejo com meu próprio programa", disse Leon, que começou a carreira de ator na Broadway aos 10 anos como o jovem Simba em "O Rei Leão".

Mas Anthony está se assegurando que seu filho não cresça rápido demais. Ele ainda freqüenta a escola pública em Brooklyn, Nova York, e ela faz questão que ele tire férias de sua agenda louca entre as duas costas para os amigos de infância.

"Isso não é tudo", disse ela.

Osment sabe como uma imagem positiva pode ser maculada. No ano passado, Haley Joel Osment enfrentou acusações de contravenção por dirigir sob a influência de bebida, depois de bater com o carro e quebrar uma costela. Osment disse que seu filho, hoje com 19 anos e freqüentando a Universidade de Nova York, "fez uma tolice", exagerando nas festas antes de entrar na faculdade. Mas ele disse que não chamaria o incidente de uma armadilha apenas para os jovens de sucesso na indústria do entretenimento.

"O incidente de meu filho foi uma armadilha para quem tem 18 anos", disse ele.

Com o pai próximo, Emily Osment disse que não está preocupada em descambar para algum tipo de comportamento escandaloso. Ela está no ramo por seu amor à carreira de atriz, nada mais, disse ela. E apesar de ter que aparecer para as estréias e outras obrigações de "Lilly", ela ainda tem tempo para sua vida social "normal" com velhos amigos.

Neste ano, ela vai perder a festa de volta às aulas, mas "tudo está realmente muito legal atualmente", disse ela. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,38
    3,156
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,41
    65.277,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host