UOL Notícias Internacional
 

25/09/2007

Emissões de gases raramente figuram em decisões de investidor

The New York Times
Claudia H. Deutsch
As corporações melhoraram na revelação de suas emissões de gases do efeito estufa e estão um pouco melhores na coibição deles. Mas poucos investidores usam tal informação para decidir onde aplicar seu dinheiro.

Este foi o ponto principal do quinto relatório anual do Carbon Disclosure Project (Projeto de informações sobre carbono), um grupo sem fins lucrativos que monitora os informes corporativos relacionados à mudança climática. O grupo, que levanta seus dados por meio de pesquisas, representa 315 investidores institucionais que administram um total de US$ 41 trilhões em ativos.

"As grandes empresas estão finalmente tirando seus paletós, arregaçando as mangas e examinando como usam a energia e lidam com a mudança climática", disse Paul Dickinson, executivo-chefe do projeto.

O relatório disse que 79% das empresas entrevistadas viram risco na mudança climática e muitas tentam abrandá-la. Várias empresas de alimentos e bebidas informaram passos para assegurar seu suprimento de água, enquanto seguradoras disseram estar quantificando os riscos de tempestades severas.

E 82% das empresas entrevistadas apontaram oportunidades na coibição da mudança climática, por meio de investimento em créditos de carbono e projetos de energia renovável, criando produtos e aperfeiçoando processos.

As empresas automotivas, por exemplo, informaram mais pesquisa de veículos elétricos híbridos, enquanto companhias químicas disseram estar desenvolvendo materiais de construção resistentes a tempestades e produtos para proteção das plantações.

Mas há pouco acordo entre as empresas dentro dos setores sobre os efeitos da mudança climática. A Boeing, por exemplo, disse que não identificou quaisquer "riscos físicos específicos" provocados pela mudança climática, enquanto a Northrup Grumman detalhou os danos que "condições meteorológicas severas" poderiam causar em suas operações.

Mais problemático para os executivos do projeto, entretanto, é o fato de poucas empresas incluírem dados relacionados ao clima em seus informes para a Comissão de Valores Mobiliários. O resultado, diz o relatório, é que as ramificações da mudança climática ainda não foram traduzidas em "decisões concretas de investimento em qualquer escala".

O projeto divulgou o relatório, que inclui respostas de 1.300 empresas, em um evento na segunda-feira na sede da Merrill Lynch, na Baixa Manhattan. Os dados estão disponíveis no endereço www.cdproject.net.

"Nós fornecemos um palco imenso no qual os atores corporativos podem dizer suas falas aos investidores", disse Dickinson.

Havia muitos astros no palco. Harold E. Ford Jr., o ex-congressista que se tornou vice-presidente da Merrill Lynch neste ano, foi o moderador.

O ex-presidente Bill Clinton fez o discurso de abertura, no qual disse que os Estados Unidos estão muito atrás de países como a Dinamarca e Reino Unido, que criaram muitos empregos no processo de coibição dos gases do efeito estufa. Ele citou abundância de evidências casuais de que a coibição da mudança climática pode ser uma dádiva econômica tanto para países ricos quanto emergentes.

"Mas não posso provar isto", ele disse, "porque não dispomos de dados e sistemas implementados para demonstrar a probabilidade dos melhores resultados". O projeto é importante, ele disse, "porque os frutos são mensuráveis apenas se você monitorá-los".

Rupert Murdoch, o presidente da News Corp, apareceu em um vídeo, reiterando o compromisso de sua empresa em coibir o aquecimento global. E John Fleming, o vice-presidente de merchandising do Wal-Mart, anunciou um programa piloto que sua empresa está iniciando com fornecedores de sete itens comuns -DVDs, pasta de dente, sabão, leite, cerveja, aspiradores e refrigerantes- para medir a redução da quantidade de energia que usam.

"Nós estamos buscando a futura geração de consumidores, que poderão escolher as lojas com base nas práticas de mudança climática", disse Fleming.

O projeto está trabalhando com o Wal-Mart em tal iniciativa, com Dickinson dizendo que espera estabelecer colaborações semelhantes com as empresas automotivas e de aviação, fabricantes de produtos de consumo e outros varejistas.

"Nós aguardamos ansiosamente que outras corporações globais sigam o exemplo do Wal-Mart", ele disse.

Apesar do tom geral do relatório escrito e das apresentações orais ter sido otimista, há notas de alerta. O projeto opera com base no sistema de honra, onde não há verificação independente das alegações corporativas. De fato, o relatório alerta especificamente os investidores contra agirem com base em informações não verificadas.

Nem os ambientalistas apóiam de forma uniforme o relatório. A Rainforest Action Network (Rede de Ação pelas Florestas Tropicais) exibia faixas do lado de fora do evento, protestando contra o Citigroup e o Bank of America -empresas que relataram baixos níveis de emissões- por continuarem investindo em projetos de carvão. O projeto de carbono "não pergunta sobre isto, mas é uma questão freqüentemente ignorada", disse Brianna Cayo Cotter, uma porta-voz da Rainforest Action Network. George El Khouri Andolfato

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