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25/09/2007

Sputnik: uma simples e brilhante esfera orbitando o globo, libertadora e assustadora

The New York Times
John Noble Wilford
John Ritter/The New York Times 

A União Soviética lançou seu primeiro satélite artificial, uma nova lua, em 4 de outubro de 1957. Escapando da gravidade terrestre, ultrapassando a atmosfera e entrando em órbita, o Sputnik cruzou o limiar para uma nova dimensão da experiência humana. As pessoas agora podiam ver sua espécie como viajantes espaciais. Sua mobilidade ampliada poderia algum dia provar ser tão libertadora como os primeiros passos eretos de seus ancestrais hominídeos, há muito tempo.

Mas a reação imediata refletiu as preocupações sombrias de um mundo tomado pela Guerra Fria, um tempo de medo e divisão no qual as duas superpotências, a União Soviética e os Estados Unidos, desconcertavam uma à outra com a ameaça da destruição em massa. O Sputnik alterou a natureza e a amplitude da Guerra Fria.

Ele era um agente de alarme pouco atraente. Uma simples esfera pesando apenas 83 quilos e que não chegava a 1 metro de largura, ele contava com uma superfície altamente polida de alumínio, para melhor refletir a luz solar e ser visível da Terra. Dois transmissores de rádio com antenas bigode de gato enviavam sinais constantes em freqüências que os cientistas e radioamadores podiam captar, confirmando assim o feito.

Os russos claramente pretendiam que o Sputnik fosse uma declaração sonora de sua perícia tecnológica e suas implicações militares. Mas ao que parece, nem mesmo eles previram a resposta frenética provocado por seu sucesso.

Quando o ditador soviético Nikita Kruschev recebeu a notícia do lançamento, ficou satisfeito, é claro, e ele e seu filho, Sergei, ligaram o rádio para escutar o "bip" do Sputnik. Eles foram dormir, lembrou o filho, sem ter consciência "da enormidade do que estava acontecendo naquelas horas".

A imprensa soviética publicou uma reportagem padrão de duas colunas sobre o evento, com regozijo mínimo. Mas os jornais no Ocidente, particularmente nos Estados Unidos, encheram páginas com notícias e análises.

O sinal do Sputnik reverberava pelas salas dos poderosos e pelas ruas dos cidadãos comuns. As pessoas escutavam e, de telhados e quintais, observavam durante a noite um ponto de luz em movimento, como uma estrela errante. O interrogatório de invenções costumava ser: "O que Deus forjou?" Agora era: "Do que os russos serão capazes a seguir?"

"Nenhum evento desde Pearl Harbor provocou tamanha repercussão na vida pública", escreveu Walter A. McDougall, um historiador da Universidade da Pensilvânia. Uma geração mais jovem poderia traçar uma comparação aos ataques terroristas do 11 de Setembro.

The New York Times
Detalhe do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial lançado ao espaço
O Sputnik mergulhou os americanos em uma crise de autoconfiança. Teria a prosperidade tornado o país frouxo? Seria o sistema de educação inadequado, especialmente no treinamento de cientistas e engenheiros? Estariam as instituições da democracia liberal à altura de concorrer com uma sociedade comunista autoritária?

Em "The Heavens and The Earth: A Political History of the Space Age" (1985), McDougall escreveu que antes do Sputnik, a Guerra Fria era "uma luta política e militar na qual os Estados Unidos precisavam fornecer ajuda e apoio a seus aliados nas linhas de frente". Agora, ele continuou, a Guerra Fria "se tornou total, uma competição pela lealdade e confiança de todos os povos, travada em todas as áreas de realizações sociais, na qual manuais de ciência e a harmonia racial eram ferramentas de política externa tanto quanto mísseis e espiões".

Na época do Sputnik, John F. Kennedy era um senador júnior de Massachusetts sem nenhum interesse em particular no espaço. Yuri A. Gagarin era um piloto militar russo desconhecido. John H. Glenn Jr. era um piloto do Corpo de Marines que tinha acabado de estabelecer o recorde para vôo a jato transcontinental mais rápido de Nova York a Los Angeles. Neil A. Armstrong estava testando aeronaves de alta performance no deserto da Califórnia. A vida deles logo mudaria, assim como as de centenas de milhares de engenheiros, técnicos e outros trabalhadores e pessoas comuns por toda a parte.

Thomas J. O'Malley, um engenheiro de aviação em Nova Jersey, se mudaria em poucos meses para um pedaço de terra abandonada em Cabo Canaveral, Flórida, para atuar como condutor de testes no desenvolvimento acelerado do míssil Atlas, que no futuro lançaria os astronautas americanos em órbita. "Nós tínhamos uma meta", ele lembrou recentemente. "Colocar algo lá em cima o mais rápido possível".

Christopher C. Kraft Jr. logo se viu trabalhando em uma força-tarefa para planejamento de uma resposta americana ao desafio. Ele se tornaria o primeiro diretor de vôo das missões de astronautas, mas no início, ele escreveu, a moral dos engenheiros americanos estava baixa. "Eu não era o único engenheiro a ficar surpreso com quanto eu não sabia e quanto precisava aprender", ele disse.

Quando a notícia do Sputnik chegou a Huntsville, Alabama, Wernher von Braun ficou fora de si em frustração. Von Braun, um cientista de foguetes alemão que trabalhava para o Exército americano, disse que este país poderia ter vencido os russos na colocação de algo em órbita se não fossem as ordens do Pentágono para resistir a qualquer idéia de adicionar um pequeno satélite ao míssil Jupiter-C que ele vinha testando.

Para piorar ainda mais, as primeiras tentativas de lançar um minúsculo satélite Vanguard foram fracassos embaraçosos. Somente no fim de janeiro de 1958 os americanos tiveram sucesso com o Explorer 1, colocado em órbita por uma versão de vários estágios do Jupiter-C de Von Braun. Mas o muito maior Sputnik 2 já tinha enviado ao espaço a cadela Laika, um prenúncio do vôo espacial tripulado. O Sputnik original -"satélite" ou "companheiro de viagem" em russo- não foi um acidente único.

A dinâmica pós-Sputnik até mesmo me atingiu e me recrutou. Na época eu era um soldado na Guerra Fria. Juntamente com quase todo jovem americano fisicamente apto (até mesmo Elvis serviu dois anos), eu estava cumprindo minha obrigação de interromper a vida e a carreira para o serviço militar. Eu tinha concluído a faculdade e era um repórter do "Wall Street Journal" sob licença para serviço militar servindo na base do exército de Forte Dix, Nova Jersey.

Na manhã seguinte ao triunfo soviético, eu estava de folga em Trenton. Eu comprei os jornais e os espalhei pela mesa do café-restaurante. Manchetes imensas apregoavam a notícia. A linguagem obscura de foguetes e órbitas confundia minha cabeça, mas prossegui lendo. Eu dediquei um breve pensamento à coincidência do lançamento do Sputnik com o meu aniversário; ao menos eu nunca esqueceria a data do início da era espacial.

Àquela altura minha história deveria contar com um estrondo de trovão do destino ou com um abrir de porta por uma rajada de vento repentina, espalhando os jornais e me deixando estranhamente tocado. Mas não tive nenhuma premonição de que o Sputnik tinha provocado ações que moldariam minha carreira. Foi apenas em 1959, logo após eu retornar ao "Wall Street Journal" após o serviço militar na Alemanha Ocidental, que eu senti o efeito do Sputnik.

Os jornais e outras mídias, influenciados pelo Sputnik, estavam se esforçando para expandir a cobertura de ciência, medicina e tecnologia. Eu concordei com a sugestão do editor de tentar escrever sobre medicina. Uma coisa levou à outra, da medicina para a ciência e para a exploração espacial, para a revista "Time" e posteriormente ao "The New York Times", para cobrir a resposta americana mais ambiciosa ao Sputnik: o programa Apollo.

O Sputnik não deveria ter sido uma surpresa. Tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos embarcaram no desenvolvimento de mísseis balísticos para o envio de ogivas nucleares a grandes distâncias. Eles também anunciaram planos de lançamento de satélites artificiais no Ano Geofísico Internacional, uma empreendimento cientifico cooperativo de 18 meses para estudo da Terra e sua atmosfera, que teve início em 1957. Kruschev tinha reiterado as intenções soviéticas dois meses antes.

Mas foi um choque, um despertar. Um dos intrigantes "e se" da história: e se os americanos tivessem lançado o primeiro satélite?

Alex Roland, um historiador de tecnologia da Universidade Duke e um ex-historiador da Nasa, disse que um primeiro lançamento pelos americanos teria apenas confirmado sua reputação de superioridade tecnológica. A cara rivalidade pelo domínio no espaço, ele disse, provavelmente teria sido conduzida com menor urgência.

John M. Logsdon, diretor do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington, concordou. "Se não fosse pelo Sputnik, provavelmente nunca haveria o Apollo".

Após o Sputnik, a corrida espacial ganharia impulso. Os críticos atacaram o governo do presidente Dwight D. Eisenhower, que inicialmente desdenhou o Sputnik como um evento apenas de "interesse científico". Logo o Departamento de Defesa acelerou o desenvolvimento de mísseis. O Congresso democrata criou a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa).

A percepção de uma vantagem soviética ameaçadora em mísseis persistia. A necessidade fez com que os russos se concentrassem em mísseis. Desde a Segunda Guerra Mundial, os bombardeiros americanos eram mais capazes do que os russos, que também não contavam com bases aéreas em distância de ataque ao coração do território de seu adversário, diferente das bases americanas que cercavam a União Soviética.

Uma estimativa exagerada da "desigualdade de mísseis" se tornou tema da campanha presidencial de 1960 e pode ter sido crucial para a vitória de Kennedy por margem estreita. Pouco depois dele assumir a presidência, os russos conseguiram outro triunfo atordoante. Em abril de 1961, Gagarin se tornou o primeiro ser humano a voar em órbita da Terra.

Após semanas de reuniões a portas fechadas, Kennedy apareceu perante o Congresso, em 25 de maio, e declarou: "Agora é o momento para que este país dê passos certos e definitivos no sentido de levá-lo ao papel de liderança na conquista espacial o que, de muitas formas, implica em nosso futuro na Terra".

Ele comprometeu o país ao "objetivo de, antes do final desta década, levar um homem até a superfície da Lua e trazê-lo de volta são e salvo à Terra".

Apesar da corrida espacial ter sido breve, os 12 anos do despertar até a primeira caminhada na Lua foram tempos empolgantes, atordoantes, até mesmo magníficos.

Apesar dos russos terem largado à frente, os americanos começaram a alcançá-los com os vôos orbitais Mercury e Gemini. Assim que a meta entrou ao alcance da vista, houve uma contagem regressiva de antecipação. Na escuridão antes do amanhecer, nós dirigimos na direção da luz brilhante envolvendo uma espaçonave que parecia um obelisco saído da antiguidade, aguardando para ser lançado. A ignição do Saturno 5, a uma distância de 5 quilômetros de areia e cerrado, bateu no peito e estremeceu o chão no qual estava. Em propulsão máxima e solto, o imenso foguete parecia inicialmente estar perdendo sua luta contra a gravidade, então lentamente portou-se à altura e disparou por sobre o oceano, deixando um rastro de fogo e vapor. Os viajantes espaciais estavam a caminho da Lua.

Três viagens lunares estão gravadas mais fortemente na memória. Os astronautas da Apollo 8, em dezembro de 1968, foram os primeiros a chegar à Lua, dando 10 voltas nela. Por suas janelas eles viram uma dolorosamente bela Terra, azul e verde sob espirais de nuvens brancas. Na véspera de Natal, os homens se revezaram na leitura de versos do Gênesis. Era uma dádiva dos céus em um momento de turbulência e desespero, em um ano de assassinatos, tumultos urbanos e uma guerra divisora.

Então veio a Apollo 11. Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong descia a escada do módulo lunar e dava "um passo gigante para a humanidade". Buzz Aldrin se juntou a ele para a primeira caminhada pela Lua. Diferente de chegadas anteriores, o mundo todo estava assistindo pela televisão.

No atual documentário "In The Shadow of the Moon", Michael Collins, o piloto da Apollo 11 que permaneceu em órbita lunar durante o pouso, lembra que durante a turnê mundial posterior da tripulação, as pessoas com quem se encontravam sentiam que também tinham participado do pouso. "As pessoas, em vez de dizerem, 'Bem, vocês americanos conseguiram', diziam em toda parte, 'Nós conseguimos!' Nós, humanidade, nós, raça humana, nós, pessoas, conseguimos!"

O entusiasmo da experiência compartilhada foi notável, dada a origem da corrida espacial em um clima de medo e beligerância.

A Apollo 11 basicamente colocou um fim à corrida espacial e o interesse público em vôos espaciais era pequeno na época da Apollo 13, em abril de 1970. A autoconfiança residual que comprometeu o país ao programa Apollo em 1961 deu lugar à dúvida. A Guerra no Vietnã, outro capítulo da Guerra Fria, empurrou o programa Apollo para a periferia da mente nacional.

A Apollo 13 é a missão que fracassou, mas um drama de dimensões épicas digno de Homero. Três astronautas se lançaram em uma missão ousada, se depararam com o desastre, encararam a morte e voltaram com dificuldade para a segurança do lar. Este resvalar com a morte ao menos deu um rosto mais humano aos vôos espaciais e fizeram com que parecesse mais empolgante e perigoso.

Ao final de 1972, o último dos 12 homens que caminharam na Lua fez as malas, voltou para casa e ninguém mais esteve lá desde então. Na conclusão daquele vôo, o Apollo 17, eu pedi a historiadores que avaliassem a importância destes primeiros anos no espaço. Arthur M. Schlesinger Jr. previu que em 500 anos, o século 20 seria provavelmente lembrado pelas primeiras aventuras da humanidade além de seu planeta de origem. Ao final do século, ele não tinha mudado de idéia.

Nos anos que se seguiram, russos e americanos continuaram realizando vôos espaciais. Grande parte do dinheiro americano foi destinado aos ônibus espaciais, os veículos reutilizáveis confinados à órbita que nunca viveram à altura de sua promessa de tornar o vôo humano mais rotineiro. As imagens do programa que ficaram para o público são da explosão mortal da Challenger, logo após o lançamento em 1986, e da desintegração da Columbia durante a reentrada, 17 anos depois.

Coube à espaçonave robô de relativo baixo orçamento manter a impressão de exploração e descoberta desta nova fronteira. Neste sentido, elas sozinhas excederam sua promessa. Naves russas e americanas exploraram Vênus. Sondas americanas pousaram várias vezes em Marte e uma cápsula européia chegou à superfície de Titã, uma lua de Saturno. Duas naves Voyager fizeram a grande excursão pelos quatro planetas gigantes externos e estão no momento se aproximando do limiar do sistema solar. O Telescópio Espacial Hubble ainda envia imagens das profundezas em tempo cósmico.

Carl Sagan, o astrônomo e autor, falava freqüentemente desta era dourada de exploração planetária. "Em toda a história da humanidade", ele escreveu, "haverá apenas uma geração que será a primeira a explorar o sistema solar, uma geração para a qual, na infância, os planetas são discos distantes e indistintos se movendo pelo céu noturno, e para a qual, na velhice, os planetas são lugares, novos mundos diversos no caminho da exploração".

Certa noite em 1990, eu dirigi por Baltimore em uma viagem sentimental. De vez em quando desde a queda do Muro de Berlim, da reunificação da Alemanha, do colapso dos regimes comunistas no Leste Europeu e dos últimos suspiros da esgotada União Soviética, eu me permito refletir sobre meus dois anos como soldado em uma guerra não convencional e o quase meio século de ansiedade de viver em um mundo que parecia destinado a se autodestruir.

Eu mal podia me imaginar fora do contexto da Guerra Fria. Sem a intensa competição entre soviéticos e americanos representada pela corrida espacial, eu não teria me tornado um jornalista de ciência que escreveu sobre astronautas indo à Lua para "derrotar" os russos. Portanto, eu não estaria em Baltimore de novo, desta vez com astrônomos que se preparavam para olhar para os céus por um gigantesco telescópio orbital.

Eu encontrei o caminho até o Travelers Lounge, o bar que ficava em frente ao portão da Escola de Inteligência do Exército no Forte Holabird. Nós costumávamos ficar longas horas em um canto no fundo, discutindo política e o romance americano regado a cerveja. Eu me sentei em um banco e disse ao barman que fazia três décadas desde a última vez que bebi cerveja ali, durante minha estada em Holabird.

"Em intervalos de poucos meses aparece alguém e dá uma olhada ao redor", disse o barman. "Nós somos a única coisa que restou daquela época".

Foi o que vi. O forte se foi. Em seu lugar se encontra um complexo corporativo atrás do outro, prédios de aço e vidro e amplos estacionamentos. Os nomes que vi eram tão desconhecidos como seus bens e serviços de nova tecnologia. Eu imaginei estar olhando para um monumento à Guerra Fria e quão apto parecia.

O conflito que vivenciamos não rendeu iconografia heróica e triunfal, nada como a estátua do fincar da bandeira em Iwo Jima, nada que glorificasse a guerra ou proclamasse a vitória. Estes empreendimentos comerciais que se ergueram da tecnologia da Guerra Fria, ocupando o lugar do antigo forte, eram monumentos ao fim dela, monumentos que não olham para trás.

Pelo menos o Travelers e eu conseguimos resistir a esta passagem na história. Por sobre meu ombro, eu vi famílias e casais jantando, nenhuma cerveja ou soldado em parte alguma. Eu me perguntei que lembranças pós-Guerra-Fria estes restaurantes trariam nos anos vindouros.

Eu pedi licença ao Travelers e a uma era. Eu tinha que estar descansado pela manhã para outro encontro com as pessoas do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial. Eles estavam cuidando de seu próprio monumento à Guerra Fria, que promoveu a tecnologia do Telescópio Espacial Hubble. Eu queria saber mais sobre nosso -e o meu próprio- universo em expansão.

Em um longo jantar, após a Guerra Fria e quase 30 anos desde o primeiro pouso lunar, um ex-astronauta que caminhou na Lua e um dos diretores de vôo da Apollo começaram a falar sobre os bons velhos tempos, algo que as pessoas fazem quando pensam sobre seu passado que está desaparecendo e o mundo mudando à sua volta. Eles quase choraram de rir contando histórias, um tentando superar o outro.

Então uma nuvem pareceu passar diante de seus rostos. Pete Conrad, o astronauta, que logo morreria em um acidente de moto, e Gerald D. Griffin, o diretor de vôo, se perguntaram perplexos sobre o que aconteceu com os bons velhos tempos. O que aconteceu com as grandes perspectivas de poucas décadas atrás? Nenhum ser humano foi para Marte, como tinha sido previsto, nem uma base permanente na Lua foi estabelecida. Uma há muito esperada estação espacial orbital estava finalmente sendo montada em órbita, mas ninguém parece certo de que ela serve, exceto como demonstração de cooperação entre muitos países, incluindo a Rússia, em um grande empreendimento espacial.

A economia e a mudança das prioridades nacionais minaram os planos pós-Apolo mais ambiciosos.

Logsdon, da Universidade George Washington, chamou o programa Apollo de um "produto de um momento específico na história" e um programa relâmpago singular em resposta a uma ameaça percebida ao país. Ele não representava um compromisso firme da sociedade com uma exploração espacial plena.

Como apontou Roland, da Duke, o Apollo "fez apenas o que foi projetado a fazer, que era convencer o mundo e nós mesmos de que éramos mestres da tecnologia; ele não foi concebido para fazer nada além disto". Até hoje, ele disse, "nós não identificamos uma missão para astronautas que pudesse ser comparada à Apollo".

Roland notou que as telecomunicações são o único empreendimento espacial que se paga e, ele acrescentou, "transformou o mundo". Todas as outras atividades espaciais, civis e militares, dependem até o momento do que "os Estados acreditam ser de seu melhor interesse investir" -e tais interesses mudaram desde a Guerra Fria.

Vamos deixar Neil Armstrong, conhecido por ser um homem de poucas palavras, ficar com a última palavra.

"Eu acho que sempre estaremos no espaço", ele disse em uma entrevista para o programa de história oral da Nasa. "Mas levará mais tempo para fazermos as novas coisas do que os defensores gostariam, e em alguns casos serão necessárias forças ou fatores externos que não podemos controlar ou prever, que farão com que as coisas aconteçam ou não."

Armstrong então diz algo que certamente repercutirá entre muitos de seus contemporâneos. "Nós realmente fomos muito privilegiados", ele disse, "por vivermos naquela fina fatia da história onde mudamos a forma como o homem olha para si mesmo, o que poderá se tornar e para onde poderá ir". George El Khouri Andolfato

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