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26/09/2007

Herdeiros de marchand fazem grande reivindicação de obras de arte holandesas

The New York Times
Marlise Simons
Enquanto o governo holandês busca desencorajar novos pedidos de restituição de arte saqueada durante a Segunda Guerra Mundial, os herdeiros de um marchand judeu holandês impetraram um dos maiores pedidos até o momento de pinturas atualmente de propriedade de museus holandeses.

Quatro herdeiros do marchand, Nathan Katz, que morreu em 1949, dizem que ele era o proprietário de direito de mais de 200 obras de arte recuperadas na Alemanha no final da guerra e entregues ao governo holandês. Os requerentes são os quatro filhos de Katz: Sybilla Goldstein-Katz, que vive na Flórida, seu irmão, David, e suas irmãs, Margaret e Eva, que moram na Europa.

Dordrechts Museum, The Netherlands/The New York Times 
"Os Bisbilhoteiros", de Nicolaas Maes, uma das pinturas reivindicadas pelos herdeiros de Katz

Os detalhes do pedido de restituição não foram divulgados, mas diretores de museus holandeses disseram que as obras em questão incluem pinturas de mestres holandeses do século 17, entre eles Jan Steen, Gerard Dou e Nicolaas Maes. Algumas obras são de artistas flamengos e italianos. Muitas são peças centrais de grandes museus na Holanda, incluindo o Rijksmuseum, em Amsterdã; o Mauritshuis, em Haia; e o Museu Frans Hals, em Haarlem.

O Ministério da Cultura disse que o pedido foi impetrado em março para 227 itens -225 pinturas e 2 tapeçarias- mas Bob van het Klooster, um porta-voz, se recusou a fornecer maiores detalhes. O assunto se tornou publicamente conhecido apenas na sexta-feira, quando diretores de museus foram notificados da reivindicação.

O porta-voz disse que a reivindicação agora será estudada pela Comissão de Restituição, um grupo de especialistas criado em 2001 para orientar o governo sobre a devolução de propriedade cultural que foi perdida, vendida ou roubada depois que os nazistas invadiram a Holanda.

O pedido impetrado pelos herdeiros de Katz é maior do que a reivindicação de 202 pinturas feita pelos herdeiros de Jacques Goudstikker e finalmente resolvida em favor dos herdeiros em 2006. Mas também parece ser menos clara.

Nathan e Benjamin Katz, irmãos, tinham uma galeria em Dieren, sua cidade natal no leste da Holanda, e outra em Haia. Há relatos de que continuaram realizando negócios após a ocupação alemã da Holanda em maio de 1940. Os pesquisadores da Comissão de Restituição disseram que os irmãos venderam muitas obras para Alois Miedl, que comprava arte para Hermann Goering e outros líderes nazistas.

Tina M. Talarchyk, a advogada da Flórida que está representando os herdeiros de Katz em sua reivindicação, disse que quando Nathan e Benjamin Katz quiseram fugir da Holanda no início de 1941, eles trocaram vários conjuntos de pinturas por vistos, e assim também conseguiram que 65 parentes deixassem o país em busca de um lugar seguro. Um detalhe comovente, ela disse, foi que a mãe dos marchands, Lena Pelz Katz, foi libertada de Westerbork, um campo de concentração holandês, em troca de uma pintura de Rembrandt, por meio da intervenção de Miedl.

Nathan Katz partiu em fevereiro de 1941, após ter obtido uma permissão alemã para levar sua família para a Suíça, via Frankfurt. Eles tiveram que deixar para trás sua casa e muitos de seus pertences.

Apesar do governo holandês no exílio ter decretado que cidadãos não podiam negociar com o inimigo, muitos marchands holandeses, tanto judeus quanto não-judeus, vendiam obras para ávidos colecionadores alemães, que circulavam listas de pedidos nos primeiros anos da guerra. A pintura holandesa tradicional era procurada porque os nazistas não a consideravam arte "degenerada".

Após a guerra, o governo holandês devolveu 28 pinturas que os irmãos Katz reivindicaram. Entre elas estava "Retrato de um Homem" de Rembrandt, que teria sido usada para a compra da liberdade da mãe deles.

Evelien Campfens, um membro da Comissão de Restituição em Haia, disse que a reivindicação dos herdeiros de Katz será "um caso complexo, com muitos aspectos diferentes. Levará tempo". Ela disse que os irmãos Katz eram importantes marchands envolvidos em muitas transações e que muitas pinturas importantes passaram pelas mãos deles.

A comissão foi notificada da reivindicação em junho, mas ainda conta com um grande volume de outros pedidos, segundo ela.

Talarchyk, a advogada, disse que a família descobriu o programa de restituição holandês apenas há poucos anos, enquanto visitavam a Holanda. Eles impetraram o pedido de devolução de uma pintura em 2003 como um caso teste e receberam uma resposta apenas em 2006. A reivindicação plena foi feita em março, para atender o prazo do governo de 4 de abril.

Eles foram auxiliados em sua busca de antigas propriedades dos Katz por Rudi Ekkart, um conhecido historiador de arte holandês que é diretor da Agência de Origens Desconhecidas. Seu grupo ajudou o governo a estabelecer padrões para sua política de restituição e compila inventários de milhares de objetos culturais perdidos por seus proprietários.

Em uma entrevista, Ekkart considerou a reivindicação dos Katz feita "a esmo", dizendo que foi impetrada de "forma desleixada e apressada" e inclui arte de propriedade dos marchands nos anos 30, que foram vendidas antes da guerra e portanto não estão sujeitas a qualquer reivindicação.

Mas Ekkart acrescentou que o maior número de pinturas reivindicadas foi vendido após a invasão nazista. Durante a guerra, ele disse, nenhuma pintura de propriedade dos Katz foi confiscada pelos alemães. A questão central, ele destacou, é determinar que obras foram vendidas involuntariamente. "Isto será julgado pela Comissão de Restituição", ele disse.

Talarchyk disse considerar a questão "bem clara".

"Quando você está lidando com intermediários alemães e vendedores judeus na guerra, não há nenhuma outra conclusão fora a venda forçada da arte", ela disse. "Há um erro que precisa ser corrigido". George El Khouri Andolfato

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