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28/09/2007

Genes associados a reações ruins a medicamento antidepressivo

The New York Times
Benedict Carey
Variações em dois genes podem aumentar a probabilidade de uma pessoa apresentar pensamentos suicidas após tomar um antidepressivo, informaram pesquisadores na quinta-feira, em um resultado que poderá ajudar os médicos a desenvolverem testes para prever que pacientes terão bons resultados com tais medicamentos e quais reagirão mal.

Os autores do estudo, que foi divulgado para os repórteres na quinta-feira e aparecerá no "The American Journal of Psychiatry" na segunda-feira, disseram que os resultados são preliminares e precisarão ser verificados por testes adicionais. O estudo se concentrou nas reações a apenas um medicamento, o Colexa do Forest Laboratories, e não encontrou ligação entre as variações genéticas e comportamento perigoso, como tentativas de suicídio.

Esta distinção é crítica porque os médicos não sabem se as pessoas que informaram pensamentos de colocar fim a suas vidas correm maior risco de agir baseado neles. O único pacientes que tentou suicídio constantemente durante o estudo negou ter quaisquer pensamentos suicidas.

Os resultados surgem em um momento em que psiquiatras, reguladores e alguns ex-pacientes estão travando um debate furioso sobre os riscos de medicamentos antidepressivos, que incluem produtos como o Prozac, da Eli Lilly, e o Zoloft, da Pfizer. Nos últimos anos, reguladores de saúde passaram a exigir que os laboratórios colocassem fortes alertas nos rótulos dos antidepressivos, dizendo que alguns jovens pacientes poderiam correr maior risco de comportamento e pensamentos suicidas. Alguns psiquiatras disseram que os alertas afugentaram pacientes que se beneficiariam com os medicamentos -com base principalmente em relatórios de pensamentos suicidas, que podem não aumentar o risco da consumação do suicídio.

"O que eu diria é que este estudo é um alerta, que podemos ter a oportunidade de usar testes genômicos para guiar o tratamento personalizado para a depressão", disse o dr. Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, que ajudou a financiar o estudo. Mas ele disse que o teste genético "ainda não está pronto para uso".

Os pesquisadores usaram dados de um grande estudo de depressão financiado pelo governo, que incluiu mais de 4 mil pacientes adultos. Eles descobriram que cerca de 6% destes pacientes informaram ter pensamentos suicidas após tomarem o medicamento, geralmente nas primeiras poucas semanas do início do tratamento. Eles então analisaram amostras de 120 destes pacientes que informaram pensamentos suicidas, tentando descobrir se variações em certos genes eram particularmente comuns entre eles.

Eles descobriram que 36% dos pacientes que possuíam marcadores para variações em dois genes relataram pensamentos suicidas -um risco mais de 10 vezes maior em comparação aqueles sem nenhum dos marcadores genéticos. Estes pacientes também apresentavam menor probabilidade de se recuperarem tomando o medicamento. Ambos os marcadores estavam em genes que afetam como o cérebro processa um mensageiro químico chamado glutamato, que funciona para ativar os neurônios.

Se testes genéticos forem desenvolvidos, "eles poderiam se somar a todo um quadro clínico", disse o dr. Francis McMahon, chefe da unidade de genética e desordens de humor do Instituto Nacional de Saúde Mental e um autor do estudo. "Se um paciente me diz que acha que sua vida não vale a pena ser vivida, ou se sei que ele corre o risco de ter tal reação, eu vou monitorá-lo mais atentamente e tratá-lo de forma diferente."

Os pesquisadores procuraram por ligações em 68 genes nas amostras de sangue dos pacientes que poderiam influenciar os estados de humor, mas estes claramente podem não ser os únicos genes envolvidos no surgimento de pensamentos suicidas. Muitos dos pacientes que informaram um anseio repentino em colocar fim a suas vidas não tinham nenhuma das variações genéticas que podem colocar as pessoas em maior risco. George El Khouri Andolfato

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