UOL Notícias Internacional
 

03/10/2007

Cinco oficiais entre os culpados pelo acidente aéreo da Gol do ano passado

The New York Times
Andrew Downie

No Rio
Uma investigação militar brasileira das causas de um acidente aéreo fatal sobre a Floresta Amazônica, no ano passado, apontou que cinco oficiais que trabalhavam como controladores de tráfego aéreo estavam entre os responsáveis pelo acidente, segundo um relatório que se tornou público na terça-feira.

O sistema de controle de tráfego aéreo do Brasil é dirigido pelas Forças Armadas, e a investigação militar interna indicou "que crimes foram cometidos" pelos cinco homens. Eles poderão sofrer suspensão, prisão ou baixa.

Mas uma juíza militar rejeitou tal denúncia na terça-feira, a chamando de "inepta" e dizendo que a investigação não especificou que normas militares eles violaram.

A investigação foi concluída em 19 de julho, mas os resultados só se tornaram públicos na terça-feira, quando o relatório foi vazado para a "Folha de S.Paulo", o maior jornal do Brasil.

Um porta-voz da Aeronáutica se recusou a comentar a investigação ou a decisão da juíza, mas confirmou que a investigação prossegue.

O acidente fatal ocorreu em 29 de setembro do ano passado, quando um jato executivo Legacy bateu contra a asa de um Boeing 737-800 da Gol, fazendo este cair no meio da Amazônia. Todas as 154 pessoas a bordo do Boeing morreram.

O Legacy sobreviveu ao acidente, mas foi forçado a pousar em uma pista próxima. Nenhuma das sete pessoas a bordo ficou ferida. O Legacy era pilotado por Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, dois pilotos americanos que estavam entregando o avião construído pela Embraer para a ExcelAire, uma empresa de táxi aéreo com sede em Ronkonkoma, Nova York.

Um juiz federal ordenou em junho que os dois americanos e os quatro controladores de tráfego aéreo fossem julgados por "exposição de aeronave a perigo", mas os procedimentos do julgamento não começaram.

Enquanto isso, um advogado dos dois pilotos americanos disse na terça-feira que o vazamento do relatório militar confirma a versão de seus clientes.

"Eu não li o relatório, apenas o artigo da Folha", disse o advogado, Joel Weiss. "Mas acho que ele é preciso ao expor os erros por parte do controladores de tráfego aéreo."

Ambos os aviões estavam voando à mesma altitude na mesma aerovia e os controladores alegaram que não receberam um sinal do transponder do Legacy, o dispositivo que indica a velocidade e altitude do avião.

O Legacy estava voando em uma altitude diferente da registrada em seu plano de vôo, mas os pilotos disseram que receberam permissão para voar naquela altitude pelos controladores de tráfego aéreo.

A investigação militar também sugeriu que os controladores foram incapazes de se comunicar com os pilotos porque estes não foram orientados a mudarem de freqüência de rádio quando entraram em uma nova zona de espaço aéreo.

O relatório criticou Lepore e Paladino, os acusando de "condução negligente" e de "contribuírem para o acidente por ação ou omissão".

Mas seus principais alvos foram seus próprios oficiais. O relatório de 77 páginas usou palavras como "displicência", "relaxamento", "falta de diligência" e "demora excessiva" na descrição das ações dos cinco, segundo o jornal.

Quatro dos cinco homens identificados eram controladores de tráfego aéreo que trabalhavam em Brasília e já tinham sido convocados pela Justiça Federal. Os citados foram os oficiais Felipe Santos dos Reis, Jomarcelo Fernandes dos Santos, Lucivando Tiburcio de Alencar e Leandro José dos Santos Barros;

Um quinto homem, João Batista da Silva, trabalhava em São José dos Campos, a cidade de onde o Legacy decolou para sua primeira viagem antes seguir na direção norte, para Brasília. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host