UOL Notícias Internacional
 

03/10/2007

Com desvalorização do dólar, agências ponderam como combater a fome

The New York Times
Celia W. Dugger

Em Washington
Enquanto a escalada dos custos de alimentos e transporte reduz a quantidade de alimentos que os Estados Unidos podem comprar para alimentar os famintos do mundo, as agências de ajuda e grupos de caridade estão profundamente divididos sobre como melhor usar o que está disponível.

Autoridades representando mais de uma dúzia de grupos de ajuda, incluindo o Catholic Relief Services (serviços católicos de ajuda) e Food for the Hungry (alimento para os famintos), testemunharam na terça-feira em uma audiência no Congresso que este deve aumentar o orçamento de ajuda alimentar e usar uma parcela maior dele para programas antipobreza de longo prazo.

Eles disseram ao subcomitê orçamentário da Câmara que o Congresso deveria obrigar que 1 milhão de toneladas métricas de alimentos, em vez das atuais 750 mil toneladas métricas, sejam destinados a programas de longo prazo, que podem ajudar as pessoas a enfrentarem a fome crônica alimentando a si mesmas e escaparem da dependência da ajuda alimentar.

O governo deveria ser proibido de usar o dinheiro deste "cofre" para lidar com emergências alimentares, eles disseram. "Isto significa roubar do Pedro para pagar o Paulo", disse Sean Callahan, vice-presidente executivo das operações estrangeiras da Catholic Relief Services.

Mas as autoridades da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e do Programa Mundial de Alimentos da ONU alertaram que tal gasto obrigatório reduziria severamente a flexibilidade que o governo americano precisa para entregar rapidamente alimento suficiente em emergências.

O cofre que os grupos sem fins lucrativos estão defendendo, disse James Kunder, vice-administrador em exercício da Usaid, provavelmente se transformaria em "um caixão para alguns pobres ao redor do mundo".

E Josette Sheeran, diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos, que distribui mais ajuda alimentar americana do que qualquer outra organização, disse que a obrigatoriedade poderia provocar uma grande redução na contribuição dos Estados Unidos para a ajuda de emergência.

Ela também poderia diminuir a capacidade do Programa Mundial de Alimentos de responder a emergências, como guerras, terremotos e enchentes. Por trás da intensidade deste desentendimento está a escassez cada vez maior de ajuda alimentar. Apesar do orçamento americano para ajuda alimentar ter permanecido inalterado nos últimos anos, ele comprou apenas 2,4 milhões de toneladas métricas de alimentos em 2007, em comparação a 5,3 milhões de toneladas métricas em 2000, devido ao aumento dos custos logísticos e dos alimentos.

Novos dados do Departamento de Agricultura mostram que os preços pagos pelos alimentos no principal programa de ajuda alimentar americano aumentaram 35% em 2006 e 2007. Sheeran disse aos deputados que o Programa Mundial de Alimentos está projetando que suas despesas com alimentos subirão 35% nos próximos dois anos.

A capacidade cada vez menor dos Estados Unidos usarem ajuda alimentar para socorrer dezenas de milhões das 850 milhões de pessoas que passam fome em todo mundo também acentuou o debate entre os grupos de caridade sobre reformas no sistema que financia muitos de seus projetos.

Estes grupos não apenas fornecem ajuda alimentar em emergências, mas também vendem em países pobres cerca de US$ 180 milhões em produtos agrícolas, que costumam ser altamente subsidiados, para gerar renda para seus programas antipobreza de longo prazo. Estas vendas são conhecidas como "monetização" da ajuda alimentar.

A CARE, que nos últimos anos vendeu mais ajuda alimentar do que qualquer outro grupo, rompeu com as demais organizações sem fins lucrativos. Ela é contrária ao cofre que elas defendem, não apenas por limitar a capacidade do Usaid de responder à emergências, mas também porque provavelmente aumentaria a quantidade de ajuda alimentar monetizada.

A organização, que não testemunhou na audiência, decidiu em grande parte interromper a venda de ajuda alimentar nos países pobres até 2009 argumentando que tais vendas são uma forma altamente ineficiente de levantar dinheiro e que podem prejudicar os camponeses dos países que estão tentando cultivar e comercializar os mesmos produtos ou substitutos.

Neste ano, ao mesmo tempo em que o Congresso começava a dar mais atenção ao debate sobre reforma da ajuda alimentar, o boom do etanol feito de milho ajudou a elevar o preço dos alimentos e minar ainda mais tal ajuda.

Notando o aumento dos custos dos alimentos, a deputada Rosa DeLauro, a democrata de Connecticut que presidiu a audiência, perguntou repetidas vezes às autoridades do governo que testemunharam por que não requisitaram um orçamento maior para ajuda alimentar em 2008, lembrando que o Congresso financiou plenamente o que pediram.

As autoridades responderam que há muitos prioridades concorrentes. "Parece que tais pedidos simplesmente não são adequados pra o trabalho que precisa ser feito", ela lhes disse. George El Khouri Andolfato

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