UOL Notícias Internacional
 

04/10/2007

Coréia do Norte concorda em desativar todas instalações nucleares

The New York Times
Helene Cooper*
Em Washington
A Coréia do Norte concordou em desativar todas as instalações nucleares até o final do ano, em uma medida que o governo Bush festejou como vitória diplomática que poderia servir de modelo para o Irã, que desafiou os esforços americanos para deter suas ambições nucleares.

O acordo da Coréia do Norte, anunciado em Pequim na quarta-feira (03/10), estabelece o primeiro cronograma específico para Pyongyang revelar todos seus programas nucleares e desativar todas as suas instalações, em troca de 950.000 toneladas de óleo combustível ou seu equivalente em ajuda econômica.

O acordo é o segundo estágio de um pacto de seis nações alcançado em fevereiro que os críticos dizem recompensar a Coréia do Norte por fazer um teste nuclear em outubro último. O acordo não resolveu as questões contenciosas de quando a Coréia do Norte vai desistir de suas armas nucleares.

Reuters 
Kim Jong-il (esq.), líder da Coréia do Norte, e Roh Moo-hyun, presidente da Coréia do Sul

O acordo diz que os EUA devem "começar o processo de remoção" de Pyongyang da lista americana de terroristas "em paralelo" às ações da Coréia do Norte. Críticos conservadores disseram que os EUA não devem tirar a Coréia do Norte da lista de terroristas até que desista de todas suas armas nucleares, e argumentaram que o pacto era conciliador com um poder nuclear acusado de ter laços com o terrorismo internacional.

O governo Bush, no entanto, tem estado ansioso por demonstrar progresso diplomático, e o presidente Bush sugeriu que o acordo serve de exemplo para o Irã, que se recusou a suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Durante uma reunião na quarta-feira (03/10) na prefeitura de Lancaster, Pensilvânia, Bush respondeu a uma pergunta dizendo que talvez fizesse negociações diretas com o Irã, se este congelasse seu enriquecimento de urânio.

"Se a sua pergunta é: 'Você jamais vai se sentar com eles?', provamos que sim com a Coréia do Norte, e a resposta é: 'Sim, desde que possamos alcançar algo, desde que possamos chegar ao nosso objetivo'", disse Bush.

John R. Bolton, ex-embaixador do governo na ONU, disse que a Casa Branca violou o propósito original das negociações diplomáticas ao concordar com negociações laterais com a Coréia do Norte para tirar Pyongyang tanto da lista de terroristas quanto de outra lista, de nações "inimigas" proibidas de negociar com os EUA.

"Se saírem de uma ou das duas listas, sem qualquer verificação de seu desempenho na questão nuclear, acho que o presidente terá envergonhado seu governo na história", disse Bolton.

Críticos da Casa Branca, inclusive alguns democratas, observam que o acordo de fevereiro mantém forte semelhança com o acordo de 1994 entre a Coréia do Norte e o governo Clinton, que membros do governo Bush tinham criticado como entreguista e que caiu em 2002.

Os conservadores também ficaram irritados pelos EUA prosseguirem com o acordo, apesar de recente ataque aéreo israelense na Síria, que segundo as autoridades israelenses dirigia-se a material nuclear fornecido pela Coréia do Norte. Durante reuniões no último final de semana, o principal negociador americano, Christopher R. Hill, disse à Coréia do Norte que uma das coisas que deve revelar são os detalhes do material nuclear que vem fornecendo à Síria, revelaram dois altos membros do governo Bush.

Os dois, que pediram que seus nomes não fossem usados porque não são autorizados a falar do assunto, disseram que as autoridades norte-coreanas negaram dar a Síria qualquer assistência.

"Não atingimos clareza na questão, mas isso não significa que não pretendemos continuar tentando", disse uma das autoridades. "Estamos operando com base na fé."

Na segunda-feira, o presidente da Síria Bashar Assad admitiu pela primeira vez que a incursão israelense havia sido um ataque, mas disse que o alvo tinha sido um armazém vazio. "Eles bombardearam um prédio, uma construção que é relacionada aos militares, mas não é usada", disse Assad à BBC.

Sob o acordo fechado em fevereiro, a Coréia do Norte fechou sua planta nuclear de Yongbyon que, de acordo com estimativas da inteligência americana, produzira suficiente plutônio para até meia dúzia de bombas.

O acordo desta semana exige que a Coréia do Norte desative Yongbyon até o final do ano. Membros do governo esperam que, ao desativar a instalação, estarão evitando uma repetição de 2002, quando a Coréia do Norte fechou Yongbyon e depois reabriu, após a interrupção das negociações.

"Eles conseguiram colocar o reator para funcionar em dois meses", disse um membro do Departamento de Estado. "Ao se concentrar na desativação, a esperança é que a próxima medida seja fazer com que não possam ser religados."

O acordo de quarta-feira faz parte de um pacto maior entre a Coréia do Norte, Rússia, China, Coréia do Sul, Japão e EUA -as ditas "seis partes" que vêm lutando para tirar a energia atômica da península coreana.

Hill disse que o pacto também exigia que os EUA dessem à Coréia do Norte assistência em seu setor de energia. Membros do Departamento de Estado disseram que os primeiros US$ 25 milhões (em torno de R$ 50 milhões), equivalentes a 50.000 toneladas de combustível, iriam para a Coréia do Norte em breve.

Segundo Hill, a Coréia do Norte não tem espaço suficiente em seus portos ou depósitos de petróleo para armazenar todo o óleo combustível que deve receber, razão pela qual os países também darão ajuda econômica equivalente para ajudar a reconstruir e melhorar as usinas de energia e armazéns.

A declaração conjunta oficial é cuidadosamente palavreada no que diz respeito a como e quando a Coréia do Norte será retirada da lista de terroristas, refletindo a fragilidade política do assunto, particularmente nos EUA.

Em Washington, o deputado Edward J. Markey, democrata de Massachusetts, disse que a Coréia do Norte deveria permanecer na lista.

"Em 2005, escrevemos uma lei especificamente para fechar a porta da possibilidade de cooperação civil nuclear entre os EUA e a Coréia do Norte", disse Markey em declaração. "Dado o histórico perigoso da Coréia do Norte, de desenvolvimento de armas nucleares, exportação tecnologia avançada de mísseis, envolvimento em atividade internacional criminosa e em terrorismo internacional, essa proibição é tão necessária hoje quanto era há dois anos, quando o presidente sancionou a lei."

* Steven Lee Myers e Mark Mazzetti contribuíram para este artigo. Deborah Weinberg

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