UOL Notícias Internacional
 

04/10/2007

Uma idéia capital para as mulheres

The New York Times
Lisa Belkin
Existem por aí centenas de milhares de mulheres que deveriam ser milionárias. Você pode encontrá-las em escritórios alugados e escritórios domésticos -mulheres que iniciaram o trajeto para a riqueza mas que se perderam pelo caminho.

É um fato bastante conhecido e citado que mulheres abrem empresas nos Estados Unidos duas vezes mais que os homens. O resultado, segundo o Centro para Pesquisa de Negócios de Mulheres, são 10,4 milhões de empresas de propriedade de mulheres em todo o país.

Daniel Horowitz/The New York Times
 
O fato de tais negócios não estarem se saindo tão bem é menos citado. Cerca de 43% de todas as empresas de propriedade de mulheres têm renda de US$ 10 mil ou menos. Mais de 70% têm renda de menos de US$ 50 mil. E apenas 3% têm renda que ultrapassa US$ 1 milhão, segundo a Women Presidents' Organization (organização das mulheres presidentes), um grupo sem fins lucrativos de mulheres cujos negócios têm renda de US$ 1 milhão ou mais. (Em comparação, cerca de 7% das empresas de homens atingem US$ 1 milhão, mais que o dobro.)

Nell Merlino transformou em negócio reduzir tal diferença. Ela fundou a Count Me In for Women's Economic Independence (conte comigo para a independência econômica das mulheres), uma empresa de microempréstimo online criada para ajudar a financiar empresas de propriedade de mulheres. A teoria por trás de seu negócio era de que estas empresas prosperariam se tivessem o capital. Em vez disso, ela descobriu que quando disponibilizava o capital, apenas as proprietárias de microempresas se inscreviam. As requerentes não tinham planos de se tornar imensas, apenas menos minúsculas.

"Elas chegam até certo ponto e então empacam", disse Merlino.

A falta de acesso ao capital, que ela achava ser o problema, era apenas parte dele. Na verdade, as mulheres têm direito a empréstimos para empresas concedidos em seu próprio nome apenas desde 1974, e os homens ainda têm maior facilidade para levantar capital de investimento junto a amigos e parentes. Mas mesmo as mulheres com recursos adequados têm dificuldade para desenvolver suas empresas.

"Para chegar a algum lugar elas precisam trabalhar mais arduamente do que jamais trabalharam antes", disse Merlino. "Elas acham que se estiverem na faixa de US$ 250 mil, então para chegar aos US$ 500 mil elas terão que trabalhar o dobro. E elas sabem que o dobro da dificuldade as matará."

Entender a ambivalência delas, ela disse, é mais fácil se você lembrar o motivo para a maioria das mulheres iniciar um negócio: recuperar o controle sobre suas vidas. Neste contexto, parece lógico o sacrifício de lucro potencial em prol de tempo.

Mas Merlino disse que tal lógica é "retrógrada". O que é necessário para não ficar presa é geralmente contratar ajuda ou terceirizar trabalho, que pode parecer como um risco, mas na verdade pode significar a compra de mais tempo para si.

A interpretação de Merlino não é universalmente compartilhada. "Eu não concordo com a teoria de que empacam", disse Marsha Firestone, a presidente e fundadora da Women Presidents' Organization, que conta com 1.100 membros com média de US$ 12 milhões em renda anual. "As mulheres que são mais motivadas terão sucesso tanto quanto os homens motivados terão sucesso."

Mas ela concorda que pelo fato das mulheres "entrarem no jogo mais tarde", elas ficam atrás dos homens. Agora que há paridade nos números, ela disse, é hora de lutar por uma paridade de renda. E apesar de considerar a idéia de que mulheres empacam "um pouco insultante para as mulheres", ela disse que não discute a meta de Merlino.

Tal meta é chegar a 1 milhão de empresas de propriedade de mulheres com renda anual de mais de US$ 1 milhão dentro da próxima década. Para isto, Merlino fundou o Make Mine a Million há dois anos. Conhecida pela abreviação de M3, o evento é uma mistura dos programas de televisão "American Idol", "O Aprendiz" e "Queen for a Day".

As mulheres cujas empresas têm renda de US$ 250 mil ou mais podem preencher uma inscrição dissecando suas empresas e explicando como poderiam ser levadas ao patamar de US$ 1 milhão em 18 meses. Vinte finalistas são escolhidas em cada evento, que percorre todo o país. (O próximo é em Nova York, em 23 de outubro.) Cada mulher tem três minutos para expor seu caso diante de centenas de proprietários de pequenas empresas. O público vota e as vencedoras são declaradas com rufar de tambores e fanfarra dignos de um concurso de beleza.

As candidatas dizem que o simples preenchimento da inscrição é esclarecedor. "As perguntas que são feitas fazem com que você pense mais estrategicamente, mais ambiciosamente", disse Monica Tomasso, que espera ser uma finalista em Nova York. Sua empresa, a Health e-Lunch Kids, entrega almoço em escolas e acampamentos na área de Washington. Os pais encomendam 400 almoços online por dia, e uma equipe de quatro prepara e transporta todos.

Nos últimos 12 meses ela conseguiu ganhar US$ 300 mil, mas só ao preencher o formulário do M3 é que ela calculou quantos almoços seriam necessários para chegar a US$ 1 milhão.

"Mil almoços em cada dia de aula por 10 meses", ela disse.

Se concentrar no que é necessário para crescer é o que interessa, disse Merlino, porque o crescimento freqüentemente não é a prioridade das mulheres nos negócios. A Open, a divisão de pequenas empresas da American Express, é uma patrocinadora do M3 e em uma pesquisa envolvendo 627 clientes, divulgada nesta semana, ela descobriu que enquanto os homens dizem que sua principal meta é "fazer o negócio crescer", as mulheres dizem que sua prioridade é "manter o negócio".

As vencedoras recebem mais do que apenas estímulo para pensar grande. Há acesso a uma linha de crédito da Open, assim como consultoria do American International Group sobre seguro e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, como creche e atendimento emergencial para crianças. E há orientação contínua de administração.

Uma orientadora da M3 ajudou Garnett Newcombe a ver que "eu era excessivamente controladora", ela disse. Newcombe é proprietária da Human Potential Consultants, uma empresa de colocação e treinamento profissional na Califórnia para pessoas em programas públicos de invalidez, bem-estar social e de liberdade condicional. Quando Newcombe venceu uma competição M3 em junho passado, ela tinha nove funcionários, renda bruta de US$ 350 mil por ano e um horário do amanhecer à meia-noite.

Conversas semanais por telefone com sua orientadora lhe ajudaram a criar descrições de emprego mais específicas para seus funcionários existentes e a confiar nas pessoas que contratou para realizarem seu trabalho. "Eu achava que era a única que podia fazer qualquer coisa", ela disse, "e que tinha que estar presente o tempo todo".

A consultora também notou que apesar de Newcombe ter requisitado e recebido várias designações -empresa de propriedade de minoria, pequena empresa- que a qualificavam para prestar serviço ao governo, ela nunca usou tais designações para atrair trabalho. Recentemente, ela participou de uma licitação e recebeu um contrato para fornecimento de treinamento e colocação profissional para o Corpo dos Marines, em uma base em Twentynine Palms, Califórnia, onde ela atualmente conta com uma filial com 70 funcionários.

Neste ano ela projeta uma renda de US$ 3 milhões. Ela tem contratos para os próximos cinco anos que chegam a quase US$ 14 milhões. Ela ainda acorda cedo, mas usa o tempo para ler, não para se preocupar. Seu horário de trabalho é das 8h às 17h.

O M3 escolheu 80 mulheres nos últimos dois anos, e Newcombe está entre as 10 que atingiram a marca de US$ 1 milhão; outras 34 estão a caminho de consegui-lo até o final deste ano. O fato de 55% estarem conseguindo é evidência de que treinamento intenso em administração e negócios pode funcionar. O fato de 45% não terem conseguido mostra que US$ 1 milhão é muito dinheiro.

"O que aprendemos é que para algumas pessoas demora mais do que nossa idéia original de 12 a 18 meses", disse Merlino, listando cerca de uma dúzia de empresas que estão próximas de US$ 1 milhão, mas precisam de mais um ano.

Enquanto isso, Newcombe, 55 anos, deu início a um tipo diferente de conta. Sua meta é manter seu atual nível de negócios e acrescentar um ou dois contratos por ano. Então, em cerca de quatro anos, ela disse, "eu vou me aposentar". George El Khouri Andolfato

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