UOL Notícias Internacional
 

05/10/2007

Junta militar de Mianmar rompe silêncio sobre repressão

The New York Times
Thomas Fuller

Em Bangcoc, Tailândia
A junta militar de Mianmar rompeu na última quinta-feira seu silêncio sobre a brutal repressão contra os manifestantes, fazendo uma oferta muito condicional de se reunir com a líder democrática Daw Aung San Suu Kyi e reconhecendo que mais de 1.400 pessoas ainda estão detidas.

A junta se ofereceu para estabelecer conversações com Suu Kyi mas somente se ela abandonar sua atitude de "confronto" e repelir seus pedidos de sanções estrangeiras ao país. O anúncio foi feito nos noticiários noturnos de rádio e televisão, que são monitorados por agências de notícias.

A mídia estatal disse que durante uma reunião em Mianmar no início desta semana o general Than Shwe, líder da junta, disse ao enviado da ONU, Ibrahim Gambari, que Suu Kyi "pediu confronto, devastação total, sanções econômicas e todas as outras sanções". Se ela "anunciar publicamente que desistiu dessas quatro coisas, ele terá conversas diretas" com ela, Than Shwe disse a Gambari, segundo a mídia local.

AFP - 2.out.2007 
Monge budista passa diante de cartazes com a líder pró-democracia Aung San Suu Kyi

Grupos dissidentes de Mianmar, a antiga Birmânia, avaliaram a proposta com ceticismo. "Isso é insignificante -é só para as aparências", disse Aung Din, diretor de políticas da Campanha dos EUA para a Birmãnia, grupo sediado em Washington que trabalha para levar a democracia ao país. "Se existem sanções econômicas contra a Birmânia não é por causa de Suu Kyi, mas por causa dos governantes militares. Ele tem de se reunir com Suu Kyi sem impor condições."

A mídia estatal também anunciou na quinta-feira que 2.093 pessoas foram detidas na repressão e que 692 já foram libertadas. Esta é a primeira vez que a junta divulga números sobre suas detenções diárias durante a repressão.

Um dos libertados na quinta-feira foi uma funcionária da ONU em Mianmar, Myint Ngwe Mon, que foi levada de sua casa com seu marido e outras duas pessoas na quarta-feira. Sua libertação foi confirmada por Charles Petrie, a autoridade mais graduada da ONU no país, mas não havia mais detalhes sobre os motivos de sua detenção e libertação.

David Mathieson, um especialista em Mianmar no grupo de direitos internacionais Human Rights Watch, disse que os números da junta sobre suas prisões "parecem muito plausíveis". Ele acrescentou: "É certamente muito semelhante ao que temos escutado".

Mathieson disse acreditar que a junta rompeu o silêncio por causa da pressão de países vizinhos como a China e membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático. "Acho que é um reflexo da pressão de fora", ele disse.

A ONU também exerceu pressão. Seu enviado, Gambari, pediu que o governo desse mais informações sobre as detenções durante sua reunião com o líder da junta, disse Petrie, que estava presente na reunião.

A junta anunciou que dez pessoas foram mortas na repressão, número que diplomatas em Yangun e outros analistas acreditam que sejam subestimados.

Também houve pressão pública dos EUA, que na semana passada ampliou sua proibição de vistos para os líderes militares de Mianmar e suas famílias, e da União Européia, que na quarta-feira concordou em princípio em endurecer as sanções contra Mianmar.

A reação pública da China, que é considerado o país com maior influência sobre os generais de Mianmar, foi mais contida. Uma declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês na quarta-feira elogiou a "mediação" da ONU.

Aung San Suu Kyi e Than Shwe se reuniram apenas algumas vezes desde as eleições de 1990, quando o partido de Suu Kyi teve uma vitória arrasadora que foi ignorada pelos generais. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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