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08/10/2007

Amigos com benefícios, e estresse também

The New York Times
Benedict Carey
Para alguns pode parecer uma relação ideal, menos estressante que uma paquera, mais longa do que um caso ou um elusivo romance de uma noite. A pessoa pode até relaxar ao lado da outra, de jogging, e assistir as reapresentações de "Friends" juntas, sentindo-se vagamente seguras.

Ainda assim, os relacionamentos de amigos próximos que começam a ter relações sexuais têm sua própria estranheza, de acordo com o primeiro estudo a explorar a dinâmica desses pares, freqüentemente chamados de "amigos com benefícios".

Esses relacionamentos tendem a ter pouca paixão romântica, mas gerar os mesmos temores observados entre os amantes: ou seja, que uma pessoa vai se apaixonar mais do que a outra.

Paradoxalmente, e talvez previsivelmente, o estudo sugere que essas amizades físicas freqüentemente entopem uma das artérias emocionais da verdadeira amizade, a franqueza. Amigos que antes podiam falar de tudo passam a ter um tópico que é um tabu não declarado -o próprio relacionamento. Em toda conversa, há a sugestão; um elefante na sala.

A pesquisa, conduzida entre estudantes da Universidade Estadual de Michigan, confirmou descobertas anteriores de que a maior parte dos estudantes universitários tem ao menos um relacionamento desse tipo. Apesar de sem dúvida isso ter acontecido com muitos casais da história, "amigos com benefícios" se tornou uma marca cultural da experiência universitária e pós-universitária de hoje.

"O estudo realmente acrescentou ao pouco que sabemos sobre esses relacionamentos", disse Paul Mongeau, professor de comunicações da Universidade Estadual do Arizona, que não estava na pesquisa. "Uma das coisas mais interessantes que tirei daí", diz ele, "é a noção que as pessoas nesses relacionamentos têm medo de desenvolver sentimentos pela outra, porque seus sentimentos podem não ser retribuídos."

No estudo, que aparece na atual edição da revista "Archives of Sexual Behavior", Melissa Bisson, ex-aluna de pós-graduação da Universidade Estadual de Michigan,e Timothy Levine, professor do departamento de comunicações, entrevistaram 125 jovens e concluíram que 60% tinham ao menos um amigo com benefícios.

Um décimo desses relacionamentos se tornaram romances plenos, segundo o estudo. Cerca de um terço suspenderam o sexo e continuaram amigos e um em cada quatro eventualmente romperam -o sexo e a amizade. O resto continuou como estava -amigos com benefícios.

Em um estudo de acompanhamento, os pesquisadores deram uma bateria de questionários sobre paixão, compromisso e comunicação a 90 alunos que disseram ter ao menos uma amizade com benefícios.

"Vimos que as pessoas entram nesses relacionamentos porque não querem compromisso. Esse tipo de relação é percebido como seguro, ao menos no princípio. Mas também há esse temor crescente que uma das partes pode se tornar mais atraída do que a outra", disse Levine.

Ainda assim, acrescentou, as qualidades gerais do relacionamento parecem ser condizentes com o nome. Em medidas psicológicas padrão, eles se parecem mais com amizades do que com romances.

Em uma escala de intimidade, amigos com benefícios têm resultados médios e, em paixão e compromisso, baixos, segundo o estudo. "Quando os pontos foram comparados a dados anteriores com casais românticos, os resultados em todas as três dimensões eram menores, e as maiores diferenças foram em compromisso seguido da paixão", escreveram os autores.

Os relacionamentos podem ser menos comuns do que se diz. Atualmente, a expressão "amigos com benefícios" parece envolver uma variedade de arranjos sexuais, algumas que são bastante familiares, disse Mongeau.

Além de romances nascentes, disse ele, "amigos" também podem ser ex-amantes que se vêem ocasionalmente ou pessoas que vão aos mesmos lugares de vez em quando e acabam se entrelaçando, mesmo quando de fato não são amigos.

Mongeau disse que o estudo parecia ter capturado o pensamento dissonante, circular, que caracteriza o sentimento que os amigos têm quando entram nesse território traiçoeiro.

"Há claramente um forte desejo de estar com essa outra pessoa, que preenche necessidades importantes", disse ele. "Mas, ao mesmo tempo, é como se estivesse dizendo: 'Está bem, não vou ficar apaixonado -porque então haverá um risco de ser um romance de verdade.'" Deborah Weinberg

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