UOL Notícias Internacional
 

09/10/2007

Analgésicos estão em falta nos países pobres

The New York Times
Donald G. McNeil Jr.
Um levantamento feito por especialistas na África, Ásia e América Latina produziu um retrato perturbador das dificuldades para oferecer alívio à dor para pessoas que estão morrendo nos países pobres. Muitos sofrem com a falta rotineira de analgésicos, e a maioria dos especialistas não conta com treinamento no alívio da dor ou no uso de opióides durante o curso de medicina.

Na África, disse o relatório, 20% de todos os especialistas em atendimento paliativo não tinha acesso a morfina ou outros opióides fortes, e 25% nunca tiveram opióides fracos como a codeína.

Ruth Fremson/The New York Times - jan.2000 
Hospital em Freetown, Serra Leoa, onde analgésicos não estão disponíveis aos pacientes

Cerca de 40% na África, 35% na América Latina e 25% na Ásia tinham acesso irregular a doses de morfina ou seus equivalentes.

O relatório foi preparado pela Help the Hospices, uma entidade de caridade britânica que treina funcionários de asilos e clínicas e apóia estas em países pobres, para o Dia Mundial do Atendimento Paliativo, no último sábado.

Trezentos questionários foram enviados para todas as clínicas e asilos e para os especialistas em cuidados de fim de vida nos países pobres que os pesquisadores puderam encontrar. Apenas 69 foram devolvidos, de forma que os resultados não podem ser considerados científicos, mas mostram os obstáculos que existem.

Os principais motivos dados pelos que responderam aos questionários para a falta dos medicamentos foram as restritivas leis nacionais contra drogas, o medo de vício, sistemas de saúde falidos e falta de conhecimento por médicos, pacientes e autores de políticas.

Os pesquisados descreveram problemas individuais em seus países. Em Honduras e Maláui, os pacientes só podem receber uma cota para no máximo três dias. Nas Filipinas, um médico precisa de duas licenças para prescrever morfina.

Em comentários individuais, os pesquisados detalharam suas queixas.

"Os laboratórios farmacêuticos não estão dispostos a importar morfina em solução oral, já que não lucrarão o suficiente devido aos meses gastos na burocracia legal", escreveu um médico do Equador.

"É simplesmente irracional o fato de morfina oral não estar disponível em um país onde os caros adesivos de fentanil estão disponíveis para pacientes ricos", escreveu um médico de Bangladesh.

O dr. Willem Scholten, a autoridade da Organização Mundial de Saúde encarregada da defesa de um maior acesso a analgésicos ao redor do mundo, disse que sua impressão é de que "a situação está ainda pior do que a apontada pelo levantamento".

"Apenas 10 ou 15 países têm um consumo razoável per capita", ele disse. A desigualdade entre eles e o restante do mundo -cerca de 175 países- é "muito grande".

O medo do vício, ele argumentou, provoca escassez que prejudica mais pessoas do que as leis rígidas protegem.

"Globalmente", ele disse, "várias centenas de milhões de pessoas precisarão de analgésicos pelo menos uma vez durante sua vida, enquanto apenas uma pequena fração deste número usa opióides indevidamente". George El Khouri Andolfato

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