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10/10/2007

A telona adota uma musa quente: os astros do rock

The New York Times
David Carr
Na segunda metade de "Runnin' Down a Dream", documentário sobre Tom Petty and the Heartbreakers, do diretor Peter Bogdanovich, Eddie Vedder, do Pearl Jam, faz um dueto em "The Waiting". Diante de uma multidão barulhenta rugindo sua aprovação, Petty volta-se para Veder e sugere que curta o momento. "Veja isso, Eddie -o paraíso do rock and roll."

O público talvez diga a mesma coisa nos próximos meses. São inúmeros os trabalhos nos cinemas e em desenvolvimento construídos na interseção entre o cinema e o que antes se chamava vinil para encher um fonógrafo.

"Runnin' Down a Dream" é um dos três filmes com temas musicais que serão apresentados no final de semana de encerramento do Festival de Cinema de Nova York, junto com "The Other Side of the Mirror", um documentário sobre Bob Dylan, e "Fados", um olhar sobre a tradição musical portuguesa.

Fred Prouser/Reuters - 2.out.2007 
Bogdanovich (esq.) e Tom Petty antes da exibição do filme "Runnin'Down A Dream"

A música dos Beatles está sendo revista em "Across the Universe", de Julie Taymor. Na quarta-feira, "Control", um filme dramático sobre a banda de Manchester Joy Division, terá seu lançamento, seguido no mês seguinte por "I'm Not There", de Todd Haynes, com seis músicos se revezando no papel de Bob Dylan.

Enquanto isso, Martin Scorsese, cujo documentário dos Rolling Stones será lançado no ano que vem, acaba de assinar contrato para um documentário sobre George Harrison.

E depois de um verão que viu musicais e biografias como "Hairspray," "El Cantante" e "La Vie en Rose", um filme modesto chamado "Once", com o vocalista do Frames, Glen Hansard, continua a passar nos cinemas, movido por uma ardente propaganda de boca a boca.

Bogdanovich foi convidado a fazer um filme sobre a carreira de 30 anos de um mestre da canção popular de três minutos e respondeu com um documentário de quase quatro horas. Segundo ele, a música em geral e a de Petty em particular são freqüentemente um portal para temas maiores.

"Tom Petty é uma história particularmente americana", disse ele. "E acho que a música pop sempre foi um bom indicador de onde estamos na narrativa da história contemporânea."

O documentário de Petty provavelmente não terá longa carreira nos cinemas -a Best Buy vai vender o DVD com exclusividade- mas a patrocinadora do filme, Warner Brothers Records, acredita que os fãs de Petty comprarão o documentário do homem com US$ 50 milhões (em torno de R$ 100 milhões) em vendas. (A Warner também está lançando um DVD do show do 30º aniversário em Gainesville, Flórida, cidade natal de Petty.)

O filme acompanha a história cultural desde antes dos "astros do rock serem inventados em programas de televisão", como Petty observa ironicamente. O filme também nos lembra claramente que Petty continua a ser um dos caras mais legais a surgir do Sul desde William Faulkner, um roqueiro que tocou com Dylan, Johnny Cash, Roy Orbison e Harrison.

No meio da quantidade de filmes, figuras musicais famosas oferecem uma forma de atrair a atenção do público. As biografias voltam-se para décadas atrás, para filmes como "Night and Day" (sobre Cole Porter) e "The Gene Krupa Story". O elo entre formas musicais e visuais foi cimentado pela MTV, na época em que a rede de fato costumava mostrar vídeos de música. Seguindo um caminho tomado por cantores como Frank Sinatra, uma série de músicos hoje encontra força atuando no cinema, inclusive Jennifer Hudson, Ice-T, Ludacris e Queen Latifah.

As indústrias de cinema e música talvez estejam formando uma aliança mais sólida para combater as tecnologias que permitem que as pessoas usufruam sem pagar. Por outro lado, essas mesmas tecnologias ajudam a promover os projetos orientados para a música e reforçam sua possibilidade de lucro. Além de tirar vantagem da maior qualidade do som nos cinemas e nos lares, esses filmes se tornaram fonte rica de DVDs, downloads e trilhas sonoras, como a versão de Jay-Z para "American Gangster" de Ridley Scott. (Algumas vezes, o acompanhamento musical pode ter sobrevida maior do que o próprio filme, como aconteceu com "Garden State", um disco que ainda é tocado como música de ambiente para um universo alternativo.)

"Em uma era digital, há uma relação entre os sistemas de distribuição -iTunes e a Web, DVDs- que permite ao mesmo tempo a experiência musical e a cinematográfica", disse Richard Pena, diretor de programa do Festival de Cinema de Nova York. "As mudanças tecnológicas também tiveram efeito sobre os próprios filmes. Você tem trilhas sonoras cada vez mais complexas, a ponto das trilhas se tornarem tão importantes quanto as imagens. Você tem uma espécie de espetáculo audiovisual, em seu verdadeiro sentido."

Além de fornecer narrativas e servir de plataforma para enormes sucessos como "Dreamgirls", a música pop está assentada em uma série de tribos radicais, que ainda buscam qualquer produto de determinados artistas ou bandas. Isso talvez explique porque o Joy Division, um grupo que produziu apenas dois discos e nunca foi uma banda de enormes platéias, mereça não só um longa-metragem, mas também um documentário, chamado simplesmente de "Joy Division".

Talvez a faixa etária esteja exercendo um papel nessa questão. Muitos da geração do "baby boom", cujas experiências na juventude foram acompanhadas por certa banda ou canção, agora estão no auge de suas carreiras no cinema. A cultura de celebridade híbrida também está aí.

"Os atores hoje são absolutamente obcecados por música", disse o diretor James Toback, que está em um estúdio com o RZA de Wu-Tang Clan, gravando as faixas para seu documentário sobre Mike Tyson. "Quando a cultura popular se tornou a cultura, artistas das duas áreas interagiram e inspiraram todo tipo de projetos cruzados."

É claro que a música não redime todos os projetos. Com a exceção de "Ray" e "Johnny e June", tentativas audaciosas de capitalizar essa consciência podem entrar no buraco mais rápido do que você pode dizer "From Justin to Kelly".

E depois tem "Walk Hard: The Dewy Cox Story", falsa cinebiografia com John C. Reilly que será lançada em dezembro pela oficina de comédia de Judd Apatow. Um dos sinais mais claros de que há uma tendência é quando ela se torna digna de paródia e "Walk Hard" toca em muitas das tendências do gênero. Depois de tocar algumas músicas do filme e mostrar um clipe na semana passada em Los Angeles, Apatow disse mais tarde por telefone que ele e Jake Kasdan, diretor do filme, viram muitos clássicos e concluíram que as histórias eram quase todas iguais.

"Um sujeito de uma cidade pequena cresce no meio de tragédias familiares, torna-se artista, trai sua primeira mulher, se reabilita, apaixona-se, trai a segunda mulher, depois fica sóbrio de novo, vive um triunfo final e morre em paz ou horrivelmente", disse ele.

"Todos nós conhecemos essas histórias de 'Behind the Music', do VH1, e, apesar de sabermos o que esperar, ainda adoramos assistir..." Deborah Weinberg

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