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12/10/2007

Um bom design de interiores proporciona felicidade aos gatos?

The New York Times
Chris Colin
Você adora o seu gato. Olhe para ele, tirando uma soneca, com o nariz brilhante, um verdadeiro inocente. Você sabe o que tem que fazer, e, movido pelo amor, vai até a loja de artigos para animais domésticos. Mas o amor tem limites e aqui estão eles: o Kitty Condo; a Jungle Club House, a Tree Mansion. Você acaricia devagar o carpete sintético, os inevitáveis pedestais beges. Ele ficará maravilhado. Mas os deuses do design de interiores não gostarão.

The New York Times
 
"A cor, a textura, o formato, a escala -essas coisas estão todas erradas", critica Elizabeth Paige Smith, uma designer de mobílias de Venice, na Califórnia, referindo-se às opções tradicionais para os felinos.

Os gatos adoram árvores para gatos. As árvores para gatos são apavorantes. Assim, temos um dilema simples, mas profundo -talvez até mesmo existencial-, que tem perseguido os amantes dos gatos há eras: um animal de estimação feliz ou uma plataforma de estilo?

Nove anos atrás, Smith fez um esforço para mudar as coisas com o seu Kittypood de papelão enrugado (cerca de US$ 350). Mas, em geral, em uma era na qual tudo, dos raladores de queijo às saboneteiras, passa por um processo de design, a mobília para gatos tem sido o objeto de entretenimento esquecido no porão.

Como resultado, milhares de amados familiares deixaram de contar com esse material, e milhares de amadas residências ficaram prejudicadas por aquilo que Patrice Farameh, editora do livro prestes a ser publicado, "Luxury for Cats" ("Luxo para Gatos") chama de "objetos desagradáveis, empurrados para o canto da sala".

Agora, porém, vários produtos de estilo entraram em cena, conjugando funcionalidade felina e estética contemporânea -pinho moldado e papelão prensado no lugar de restos de carpete e compensado- que os humanos sensíveis são capazes de apreciar.

Há séries belas e sofisticadas, como uma casa para animais de estimação inspirada em Frank Lloyd Wright ou formas suficientemente complexas para serem interessantes, conforme é o caso da casinha em forma de carapaça de caracol, ou um tubo elíptico em um pedestal de aço digno de um Le Corbusier.

Inspiração pessoal

As peças variam bastante, mas todas são inspiradas em uma mesma premissa: quando o gato está fora, o dono ainda precisa olhar para esse material. Para muitos designers, a inspiração foi pessoal.

"Não havia nada no mercado que eu fosse capaz de suportar", afirma Sean Hamilton, que criou a Square Cat Habitat, uma companhia de mobílias para gatos em Portland, no Estado de Oregon, no início deste ano. Com a Buddha, ele reduziu a árvore de gatos à sua essência -aconchego e altura- em uma prateleira elegante dotada de feltro e, sim, inserções de carpete. Quando pendurada em um conjunto, as prateleiras se constituem em plataformas agradáveis que funcionam também como locais para exibição dos animais.

Josh Feinkind fundou a Refined Feline, uma companhia de mobílias para gatos criada há dois anos na cidade de Nova York, depois que o seu colega de quarto foi incapaz de encontrar qualquer material de bom gosto para o seu pequeno apartamento em Englewood, em Nova Jersey.

"Ninguém tem um sofá ou uma estante de livros cobertos com carpete bege, portanto, por que a a sua mobília para gatos deveria ter tal aparência?", diz ele. "Mas, ao mesmo tempo, você deseja tornar o seu gato feliz".

A Lotus Cat Tower de Feinkind é nitidamente voltada para a felicidade do gato; onde algumas dessas novas criações poderiam passar por esculturas minimalistas, as plataformas e superfícies variadas da Lotus encorajam uma série de atividades felinas: dormir, arranhar e encarapitar-se.

Gatos-cobaias

No entanto, alguns dos designers não são pessoas ligadas a animais domésticos. Susan Kravolec, dona do Everyday Studio, uma companhia de produtos para animais de São Francisco, fundada em 2004, não possui nenhum felino na sua vida. Ela apenas respeita as linhas elegantes.

A sua mobília de papelão para arranhar ultra-minimalista é modelada por um algoritmo criado por ela, no qual cada letra de uma palavra corresponde a um movimento em uma grade. Kravolec extrapola uma forma tridimensional a partir do desenho.

É claro que um produto para gatos só pode ser considerado bom se agradar aos animais. Este repórter supriu a sua casa com alguns dos mais belos desses produtos e deixou a avaliação por conta de Bobby e Sam, dois gatos malhados de um ano de idade.

Além disso, a título de comparação, um Armarkat A8001 usado -a apoteose das tradicionais árvores para gatos, com quase 2,5 metros de altura- foi obtida de uma mulher de São Francisco cujo marido baniu a geringonça. A árvore foi acrescentada à mistura durante alguns dias, até que as peças de mais estilo chegassem.

Há algo de frustrante ao se ver animais previamente simplórios em meio a designs de ponta. Bobby pareceu sentir o mesmo e fugiu na primeira vez em que foi descoberto dentro do Cat Cacoon. Mas a sua fuga carregada de culpa abriu espaço para Sam, que pareceu considerar a cara peça de papelão um direito de nascença.

As prateleiras Buddha -havia duas- provocaram a princípio uma reação esquisita nos dois gatos. Eles observaram as prateleiras por detrás de uma sacola de papéis, correram para a cozinha a fim de processar a informação, e deram início a uma série de testes no topo de cada uma.

O mundo da arte encontraria uma platéia ideal em tipos como Bobby, cuja reação impulsiva ao ver algo novo com certeza evidencia uma resposta visceral mais pura do que muitos humanos são capazes de exibir. Em se tratando da Pounce, uma das peças de papelão, ele observou de olhos bem abertos as linhas de uma simplicidade contundente. No caso da curva Lotus, ele literalmente dançou sobre a arquitetura. Sam, enquanto isso, passeava em torno das peças demonstrando um ceticismo discreto.

Devido ao fato de esses produtos promoverem uma calma fundamental, ou porque os cérebros dos gatos são do tamanho de amendoins, os dois animais em breve adoraram as novas mobílias.

Uma intensa rotatividade entrou em efeito, e durante o dia todo eles se deslocaram da Buddha para ao Cocoon, e deste para a Lotus e a Punce.
Enquanto uma peça provocava uma silenciosa reflexão, a outra gerava uma soneca, e a próxima uma rodada agressiva de pedicure.

O modernismo havia sido mais ou menos adotado à época que o Armakat chegou.

Se a Pounce lembra o Frank Gehry da década de setenta, como diz Kralovec, o Arkamat introduz uma subdivisão -especificamente uma subdivisão coberta de pele falsa e equipada com bolas felpudas penduradas em barbantes.

Mesmo assim, não dá para negar: a velha árvore de gatos pode ser o equivalente visual do mingau de aveia, mas Bobby e Sam a adoraram.

Durante horas a fio eles passaram de um nível ao outro, parando às vezes para refletir ou tomar um rápido banho, e a seguir retornando com renovado interesse ao circuito. Seria errôneo dizer que eles preferiram a árvore ao novo material, mas eles certamente não demonstraram nenhuma objeção de ordem estética. UOL

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