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12/10/2007

'Women's Murder Club': homicídio e salto alto

The New York Times
Alessandra Stanley
Os anos 70 foram conhecidos pela "Jiggle TV", séries de mulheres bonitas, divertidas e pouco vestidas, mas a atual programação está mais para "juggle"(equilibrismo).

As heroínas do horário nobre atualmente exibem sua luta para equilibrar
trabalho e romance, um apuro simbolizado pela roupa de trabalho curta
vestidas por tantas personagens. A ausência de sutiã supostamente sinalizava emancipação; o decote diurno é aparentemente a forma da mulher trabalhadora moderna de conciliar sexo e carreira.

As séries dos anos 70 estão sendo trazidas de volta à vida e ajustadas para se enquadrarem à sensibilidade atual. A nova "Mulher Biônica" da NBC adiciona uma amiga robô, um protótipo biônico anterior com algumas
excentricidades desafortunadas em seu corpo de US$ 6 milhões, que é alter ego de Jamie e também sua nêmese. As heroínas de "Heroes" da NBC atualizam a "Mulher-Maravilha" -que nutrem um conflito maior com seus poderes sobrenaturais, mas ainda mantêm uma ótima aparência enquanto lutam contra o mal.

"Women's Murder Club", um novo drama da ABC sobre quatro mulheres que resolvem juntas casos de homicídio, é mais um retorno a "As Panteras". Como Lindsay Boxer, uma investigadora da divisão de homicídios de San Francisco, Angie Harmon ("Lei & Ordem") tem um visual anos 70: seu cabelo é longo e armado, e quando persegue um suspeito, com arma em punho, e se agacha com botas de salto agulha, música sincopada ao estilo anos 70 rola ao fundo.

Mas Lindsay e suas três maiores amigas, uma promotora, uma legista e uma repórter de jornal, também mantêm uma irmandade ao estilo "Grey's Anatomy" forjada por trabalho duro e relacionamentos ruins. (As Panteras estavam ocupadas demais posando disfarçadas como rainhas de concurso de beleza ou agentes carcerárias para discutir o que faziam sob os lençóis.)

As séries atuais

Toda a conversa sobre homens, ou falta deles, é o que distingue as
personagens femininas na televisão atualmente. Em 1982, "Carga Dupla"
(Cagney & Lacey) foi uma série divisora de águas, que substituiu as jovens sensuais dos anos 70 por duas detetives que eram parceiras e melhores amigas. "Sex and the City" da HBO foi a primeira a explorar a tríade de sexo, trabalho e compras de Manhattan, mas muitos dramas desde então buscam copiá-la, especialmente na ABC, que se definiu como a emissora feminina light.

"Desperate Housewives" colocou suas quatro protagonistas nos subúrbios e pintou a amizade das vizinhas em cores fortes e satíricas. "Grey's
Anatomy" tem como cenário o mundo da medicina e explora os laços femininos à risca, assim como sua série spinoff, "Private Pratice". Encontros e desgostos são o tema central de "Men in Trees", cuja segunda temporada começa na noite de sexta, logo após a estréia de "Women's Murder Club".

Em novembro, a ABC planeja estrear "Cashmere Mafia", sobre mulheres de
carreira de Nova York, ricas e sensuais, que, como colocam os anúncios,
"apóiam umas às outras em meio a casamentos turbulentos, rivalidades, recitais dos filhos e a procura pelo loft perfeito". (Este drama, assim como muitos outros, também exibe decotes. Miniblusas são rigor em qualquer cenário de escritório -até mesmo para Tina Fey, que interpreta uma tímida roteirista em "30 Rock".)

Mais relacionamentos e menos ciência criminalística

"Women's Murder Club" é baseada na popular série de detetive de James Patterson, mas sem causar surpresa, a adaptação para a televisão está mais preocupada com sentimentos do que com ciência criminalística.

Harmon, que sempre pareceu um tanto inexpressiva como uma promotora implacável em "Lei & Ordem", é bastante simpática como Lindsay, uma viciada em trabalho cuja obsessão com seus casos arruinou seu casamento com Tom (Rob Estes), um ex-policial. "Tom não deixou você porque você se importava com seu trabalho", diz duramente Claire Washburn (Paula Newsome), a legista, para Lindsay. "Ele deixou você porque você só se importava com aquilo."

Mas este não parece ser bem o caso. Mesmo em um cenário de crime medonho, estas investigadoras falam mais sobre suas vidas amorosas do que sobre as evidências. Quando Lindsay confidencia que recebeu um recado por telefone de Tom naquela manhã, Claire ignora a tarefa à mão, apesar do cadáver ensangüentado de uma mulher atirada de um terraço estar ao lado.

"Você ligou de volta para ele?" ela pergunta de forma exigente. A promotora, Jill Bernhardt (Laura Harris), também deixa o caso de lado, perguntando: "O que ele disse?"

Elas formam um trio fechado, mas uma jovem e ávida repórter, Cindy Thomas (Aubrey Dollar), está desesperada para se juntar a elas, e troca pistas e outras vantagens de seu ofício pelo acesso ao clube.

Cindy, como Lindsay, só se importa com o trabalho. Jill tem um namorado carinhoso que deseja que eles passem a morar juntos, mas ela tem problemas com compromisso. "Mudar leva ao casamento", ela diz melancolicamente. "E casamento leva ao asco." Claire tem um casamento feliz, apesar de na versão para televisão ela lutar com o fato de seu marido estar em uma cadeira de rodas, um desafio formador de caráter que não está nos romances.

"Se for o cara certo, o asco vale a pena", ela responde.

"Women's Murder Club" tem seu próprio fator asco, como encontrado em outras séries de crime como "CSI" na CBS e "Bones" na Fox: um tom que às vezes é vivaz e divertido como o de "Assassinato por Escrito" é oposto ao grotesco, closes de cadáveres mutilados e corpos desmembrados. É uma desconexão dissonante, para dizer o mínimo, quase como a adição de claque de risos a "O Silêncio dos Inocentes".

Se for a série certa, o asco vale a pena. A nova série televisiva é um retorno a "As Panteras", porém mais preocupada com sentimentos do que com ciência criminalística George El Khouri Andolfato

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