UOL Notícias Internacional
 

13/10/2007

Estados Unidos alegam que resistência iraquiana usa civis como escudos humanos

The New York Times
Paul von Zielbauer
em Bagdá
Na sexta-feira, 12, as forças armadas norte-americanas anunciaram que
estão investigando intensamente um ataque aéreo lançado na quinta contra um reduto de líderes da resistência no noroeste de Bagdá, que matou também nove crianças e seis mulheres. O número de civis mortos é um dos mais altos em um única ação militar norte-americana desde o início da guerra do Iraque.

João Silva/The New York Times 
Crianças iraquianas brincam em parquinho improvisado no fim do Ramadã

O contra-almirante Greg Smith, um porta-voz das forças armadas norte-americanas aqui, afirmou que as mortes são "totalmente lamentáveis", mas culpou os insurgentes por atacarem tropas dos Estados Unidos usando civis como escudos humanos.

"Nós não atacamos civis", assegurou o contra-almirante em uma entrevista na sexta-feira. "Mas quando as nossas forças estão sob fogo, como ocorre
rotineiramente, elas não têm opção a não ser responder com fogo".

Segundo os militares norte-americanos, o ataque aéreo, realizado próximo ao Lago Tharthar, uma área sunita cerca de 120 quilômetros a noroeste de Bagdá, matou 19 membros da resistência que tinham vínculos com a Al Qaeda na Mesopotâmia, depois que os insurgentes abriram fogo contra uma unidade de soldados dos Estados Unidos que se aproximava de um conjunto residencial.

A Al Qaeda na Mesopotâmia é um grupo extremista sunita nativo que, segundo os serviços de inteligência dos Estados Unidos, é liderado por estrangeiros.

"Uma unidade terrestre foi alvo de fogo vindo daquele prédio que tivemos que neutralizar", afirmou Smith. Na sexta-feira não estava claro se os
comandantes norte-americanos sabiam que havia tantos civis no prédio ou
perto dele quanto autorizaram o ataque aéreo.

"Aqui o inimigo pode decidir, e quando ele escolhe cercar-se de civis e a
seguir atirar contra as forças dos Estados Unidos, as nossas tropas não têm escolha, a não ser responder com uma quantidade proporcional de fogo. E foi isso o que eles fizeram na noite passada".

O ataque aéreo, às vésperas do feriado Id al-Fitr para a comemoração do fim do Ramadã, ocorreu em um momento delicado para autoridades iraquianas e norte-americanas daqui, após o assassinato por equívoco ou negligência de civis não combatentes por parte de militares e forças de segurança particulares dos EUA.

Na sexta-feira, um homem-bomba que empurrava um carrinho de doces em um playground na cidade de Tuz Khurmato, no norte do país, matou um garoto de oito anos e feriu 23 outras crianças, segundo informações de uma autoridade policial graduada. Um guarda de segurança, pai de uma criança que brincava no parque, também morreu após tentar imobilizar o homem-bomba perto da entrada do playground, disse o tenente-coronel Abbas Muhammad, o chefe de polícia da cidade.

Muhammad identificou o guarda como sendo Abbas Sameen, 35, pai de três filhos. Segundo ele, o garoto morto foi Qasem Hasan Ismael.

A sexta-feira foi um feriado nacional, quando os muçulmanos árabes sunitas romperam o jejum para celebrar o fim do mês sagrado do Ramadã. Como é de costume, as crianças de Tuz Khurmato, uma cidade religiosamente mista, com moradores sunitas, xiitas, turcomenos e curdos, brincavam em um playground temporário, que contava com brinquedos de parques de diversões e barracas de doces em um lote geralmente reservado para o estacionamento de caminhões.

Em um outro episódio violento na sexta-feira, um carro-bomba explodiu no
centro de Bagdá, matando quatro pessoas que faziam compras em preparação para o feriado, e ferindo outras 15, segundo informou um funcionário do Ministério do Interior. Quatro corpos também foram encontrados na cidade,
disse a autoridade, falando sob condição de anonimato, já que não tem autorização para se pronunciar publicamente.

Na busca por dois soldados norte-americanos, as forças armadas forneceram novos detalhes na sexta-feira sobre a última descoberta.

Os militares disseram que uma patrulha norte-americana encontrou um arsenal de armas na terça-feira, que incluía dois fuzis norte-americano M-4 e uma metralhadora M-249 pertencente a um dos soldados capturados, Alex R. Jimenez.

Após um ataque à sua patrulha em 12 de maio em uma área do sul de Bagdá, o soldado Jimenez e o cabo Byron W. Fouty foram capturados, juntamente com um terceiro soldado, Joseph J. Anzack Jr, cujo corpo foi posteriormente localizado.

Desde que os dois soldados foram capturados, está em andamento uma operação de busca. Os cartões de identificação e as carteiras dos soldados desaparecidos foram descobertos em junho durante uma blitz em uma casa em Samarra, no norte de Bagdá. "Quando as nossas forças estão sob fogo, como ocorre rotineiramente, elas não têm opção a não ser responder com fogo" UOL

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