UOL Notícias Internacional
 

16/10/2007

Aumentam as tensões enquanto a Turquia se aproxima de incursões no Iraque

The New York Times
Alissa J. Rubin*

Em Bagdá
Cresceram as tensões ao longo da fronteira entre Iraque e Turquia na segunda-feira, com o governo turco buscando aprovação parlamentar para incursões militares no norte do Iraque. O voto no Parlamento permitiria às forças armadas turcas cruzarem a fronteira na caça a rebeldes curdos que lançam ataques do Curdistão iraquiano contra a Turquia.

Os rebeldes, membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, conhecido como PKK, se refugiam em redutos nas montanhas no lado iraquiano da fronteira. Eles são separatistas que desejam uma região curda autônoma no extremo leste da Turquia.

O governo iraquiano pediu na segunda-feira à Turquia que busque uma solução diplomática. O primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki pediu aos seus principais assessores que se reúnam na terça-feira para discutir os desdobramentos. Ele também pediu à Turquia que conceda mais tempo para que um comitê de segurança formado de iraquianos, turcos e americanos possa trabalhar em uma solução.

O governo iraquiano analisará todas as formas possíveis para solucionar a crise com a Turquia, disse Maliki em uma declaração.

"Nós nunca aceitaremos uma solução militar para as diferenças entre a
Turquia e o Iraque", ele disse, acrescentando estar comprometido em deter os ataques do PKK.

"Com nosso entendimento das preocupações dos amigos turcos, nós estamos
prontos para realizar negociações urgentes com altas autoridades turcas para discutir todos os pontos de desentendimento", ele disse.

Os dois países assinaram um acordo de segurança no mês passado para
trabalharem juntos no combate à violência do PKK, que é considerado uma
organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia. Mas os acordos negam especificamente à Turquia o direito de entrar no Iraque.

Os curdos no norte do Iraque geralmente nutrem simpatia pelas aspirações separatistas os rebeldes e não se sensibilizam com os apelos do governo central para contê-los.

O Parlamento turco deverá na quarta-feira votar e aprovar a moção, que
autorizaria as forças armadas turcas a fazerem quantas incursões pela
fronteira iraquiana forem necessárias por um ano. As incursões visariam
apenas o PKK, disse o porta-voz do governo, Cemil Cicek, em uma coletiva de imprensa televisionada.

O pedido de autorização para as incursões foi motivado pela intensificação dos ataques do PKK nas últimas semanas, incluindo o dia mais mortal no conflito nos últimos meses. Treze soldados turcos foram mortos em um mesmo dia no sudeste predominantemente curdo no início de outubro, um ataque que as forças de segurança turcas atribuíram ao PKK.

No domingo, os turcos atacaram com artilharia pesada duas aldeias no lado iraquiano da fronteira, atingindo Nazdoori, no distrito de Zakho, com 100 cápsulas de artilharia, e Shiladazi, em Amadiyya, com 50, segundo o coronel Hussein Rashid, das Forças de Proteção da Fronteira Iraquiana.

"Não havia motivo para o ataque porque não havia PKK nesta área", disse
Rashid. Nenhuma morte foi informada.

Um soldado americano foi morto no sul de Bagdá no domingo e três outros
ficaram feridos na explosão de uma bomba de estrada, disseram as forças
armadas americanas.

As forças armadas também anunciaram que a captura na madrugada de
segunda-feira de quatro pessoas -um suspeito de ser líder rebelde e outros três associados- concluiu os esforços para deter os supostos responsáveis por um ataque com foguete à base militar de Camp Victory, na semana passada, que matou duas pessoas e feriu 38.

No sul do Iraque, rebeldes xiitas usando morteiros e armas de fogo atacaram bases usadas pelas forças poloneses, americanas e iraquianas.

Um porta-voz da polícia e exército iraquianos disse que cinco civis
iraquianos foram mortos e 27 ficaram feridos nos ataques. As forças armadas americanas informaram quatro civis mortos e 12 feridos no mesmo ataque. Dois soldados americanos também ficaram feridos segundo uma declaração dos militares americanos.

Na província de Salahuddin, um homem-bomba atingiu um checkpoint montado pela polícia iraquiana e membros de uma tribo árabe sunita que se uniram ao governo na luta contra a Al Qaeda na Mesopotâmia, um grupo extremista local cuja liderança tem laços estrangeiros, segundo as agências de inteligência americanas. A bomba, perto da cidade de Balad, matou seis pessoas e feriu oito.

Em Diyala, membros da Al Qaeda na Mesopotâmia explodiram as casas de nove famílias que pertenciam à tribo árabe sunita Ezza, cujos homens têm combatido a organização extremista e protegido as famílias xiitas que vivem na área, segundo as autoridades de segurança em Baquba, a capital provincial.

Em Bagdá, um carro-bomba no bairro de Mansour matou três pessoas. Cinco
corpos não identificados foram encontrados na cidade na segunda-feira.

*Sebnem Arsu, em Istambul, e funcionários iraquianos do "The New York Times", contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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