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17/10/2007

Debbie Harry : ainda punk, ainda orgulhosa, ainda quebrando as regras

The New York Times
Melena Ryzik

Em Nova York
Há cerca de 20 anos, Debbie Harry era uma freqüentadora assídua das docas de Chelsea. Juntamente com Chris Stein, Debbie -a vocalista loira oxigenada do Blondie, a banda pioneira de punk-new wave fundada por ela e Chris- perambulava a esmo pela zona portuária decrépita tarde da noite.

"Só havia uns poucos pescadores velhos lá e placas proibindo a entrada", ela lembrou. "Nós costumávamos sempre escalar o cais. Entrar a nosso próprio risco ao estilo Nova York, sabe como é. Era romântico."

Agora, é claro, aquela área abriga os complexos esportivos do Chelsea Piers, trilhas para jogging e turistas boquiabertos. Mas Harry ainda a freqüenta. "É ótimo meditar no Hudson", ela disse recentemente, olhando para ele de um banco atrás do Chelsea Piers, pouco antes do pôr-do-sol. "Às vezes quando você vem aqui à noite e está realmente quieto, é magnífico."

Tyler Hicks/The New York Times 
Debbie Harry, ex-líder do Blondie, está lançando seu primeiro disco solo em 14 anos

Isto significa que ela ainda está quebrando as regras, entrando furtivamente onde não devia?

"Acho que estou", ela disse. "Eu não noto mais."

Ora, por que notaria? Por mais de 30 anos, Debbie Harry, 62 anos, abriu um caminho de rebeldia urbana cool, criando um modelo para inúmeras roqueiras que vieram depois. Juntamente com Patti Smith e David Byrne, ela é uma das poucas sobreviventes da cena punk de Nova York dos anos 70, freqüentemente lamentada depois do fechamento de seu ponto de referência, o CBGB, em outubro do ano passado, e da morte de seu proprietário, Hilly Kristal, em agosto.

E em um momento em que alguns de seus outros contemporâneos remanescentes vivem da nostalgia, ela ainda está olhando para frente. Na semana passada ela lançou "Necessary Evil" (Eleven Seven Music), seu primeiro disco solo em 14 anos. Uma turnê nacional começará em 8 de novembro no Fillmore New York, na Irving Plaza.

"Eu nunca quis fazer parte de uma banda antiga. Eu apenas estava pronta para fazer algo novo e precisava ser criativa."

Chris Stein disse que a longevidade de Debbie Harry se deve em parte a sua sensibilidade urbana. "Eu acho que ela queria fazer algo independente, fora do radar", ele disse sobre o novo álbum.

As 17 canções de "Necessary Evil" são em grande parte um electro-pop com tempero de anos 80, com algumas poucas baladas; a faixa título é uma homenagem a Jimi Hendrix, cantada-falada com um pouco de rosnado. Debbie compôs o álbum ao longo de um ano e meio, nas pausas das turnês mundiais do Blondie. Ela pagou a gravação do próprio bolso, em um pequeno estúdio em Williamsburg, Brooklyn, um bairro que ela raramente visita fora isto. (Sinto muito, descolados.) Apesar de ter colaborado, entre outros, com a equipe de produção Super Buddha -Barbara Morrison e Charles Nieland, conhecidos por seu trabalho com Scissor Sisters e Rufus Wainwright- muito do som veio dela própria.

"Muito mais do que antes, eu realmente chegava com uma melodia ou refrão ou canção completa", disse Debbie. Isto representou uma mudança em comparação ao modo de composição do Blondie, no qual ela em grande parte contribui com letras para a música de Chris Stein.

E ela gostou de ser a chefe?

"Sim e não", ela disse. "Sabe como é, eu faço parte de uma banda há mais de 30 anos. Eu sou boa em ser flexível."

Apesar de sua parceria romântica com Chris Stein ter acabado há muito tempo, eles continuam trabalhando juntos. Ele produziu várias faixas do álbum dela e Debbie disse que todos na banda estão interessados em produzir outro álbum do Blondie. (O grupo se separou em 1982, mas se reuniu em 1997 e lançou dois álbuns de material inédito desde então.) Ela está solteira agora, mas "Necessary Evil" não reflete isso.

"Como a maioria das canções pop, é sobre relacionamentos, é sobre sexo", ela disse. "Eu estou apaixonada pelo amor -às vezes."

Por ora ela se dedica à sua cadelinha, Ki-Suki, uma spaniel japonesa com adereços de pele de leopardo que arfava sob o banco. Em calças pretas justas e camiseta sem manga da Dresden Dolls (ela se apresentou com esta dupla cabaré punk na True Colors Tour de Cyndi Lauper nos últimos meses), sutiã vermelho de alça, pingente dourado de caveira, óculos escuros pretos e seu cabelo loiro platinado, Debbie Harry ainda mantém o visual sexy-punk. No ano passado ela foi nomeada modelo-porta-voz da linha de batons Viva Glam da MAC Cosmetics, com seu cachê destinado para caridade.

E legiões de garotas urbanas imitam seu estilo da era Blondie, do cabelo tingido desalinhado e lábios vermelhos aos vestidos vamp rasgados. "Aquelas cadelas!", ela brincou. Mas ela acompanha suas crias, contando M.I.A., Lily Allen e Yeah Yeah Yeahs entre suas atuais favoritas.

"Ela nunca deixou de ser cool", disse outra herdeira, Johanna Fateman da banda Le Tigre.

Debbie fez objeção. "É difícil para mim pensar que o Blondie era tão original", disse. "Eu realmente não me vejo como ícone. Eu acho que ícone é uma estátua, algo que está congelado, sabe como é. Eu não me sinto assim." E acrescentou: "Eu realmente não gosto de ficar revivendo as lembranças."

Apesar de Debbie não mais escalar docas caindo aos pedaços, ela ainda encontra inspiração na cidade, visitando as galerias próximas de sua casa em Chelsea (ela pinta retratos) e indo a shows de rock (The Gossip, Justin Timberlake). E há o rio.

"Você já passeou no Screamer?", ela perguntou, se referindo ao passeio de barco de aventura. "O Screamer é divertido. Só é preciso dizer ao sujeito que conta a história de Nova York que você conhece a história, que você não quer ouvi-la. Você só quer que ele corra." George El Khouri Andolfato

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