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17/10/2007

Preço recorde do petróleo gera novos temores

The New York Times
Jad Mouawad
Na terça-feira (16/10) o preço do petróleo saltou para mais um patamar recorde, gerando previsões de que os motoristas verão preços mais elevados da gasolina até o Thanksgiving (Dia de Ação de Graças, celebrado nos Estados Unidos na quarta quinta-feira de novembro) - e temores de que o barril de petróleo a US$ 100 não seja uma realidade muito distante.

O preço para o petróleo bruto em novembro estabeleceu-se em um novo valor nominal máximo de US$ 87,61 o barril, o que representa um aumento de US$ 1,48. Projeções do mercado futuro chegaram a US$ 88,20 por barril durante a terça-feira, após terem aumentado quase 3% na segunda-feira.

Nos últimos anos a economia têm dado a impressão de estar imune à elevação dos preços da energia, mas alguns analistas temem que, à medida que estes aumentem acentuadamente, isso prejudique o crescimento, já comprometido devido à crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Tais preocupações contribuíram para as vendas de ações nas terça-feira, com vários índices de mercado fechando com queda de cerca de 0,5%.

Os negociadores de petróleo, ao discutir os motivos para o último aumento, citaram um potencial conflito na fronteira da Turquia com o Iraque que poderia elevar as tensões no Oriente Médio, e possivelmente afetar os suprimentos de petróleo vindos da região.

"Os mercados detestam incertezas", afirma Lawrence J. Goldstein, economista da Fundação de Pesquisa de Políticas Energéticas. "As bases do mercado atual condizem bastante com elevados preços do petróleo. Mas o último aumento nada tem a ver com as bases do mercado, mas sim com o medo".

Desde a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, as exportações de petróleo do norte do Iraque através da Turquia têm sido esporádicas, no melhor dos cenários, devido aos freqüentes ataques a bomba contra o oleoduto pelo qual passa a produção petrolífera na região. Mas à medida que os produtores de petróleo de todo o mundo se esforçam para atender ao aumento da demanda, os investidores estão se concentrando em qualquer coisa que possa prejudicar o fornecimento.

A Turquia é um importante corredor para as exportações do petróleo do Iraque e do Mar Cáspio. As forças armadas turcas ameaçaram nos últimos dias cruzar a fronteira iraquiana para erradicar os separatistas curdos que desfecharam ataques dentro da Turquia.

Os preços do petróleo mais do que quadruplicaram desde 2001, à medida que a forte demanda pelo produto por parte da Ásia, do Oriente Médio e dos Estados Unidos superou a capacidade dos produtores de fornecer novos suprimentos. Com pouca capacidade extra de produção, os mercados de petróleo tornaram-se mais voláteis. Após um ajuste para a inflação, os preços estão se aproximando dos índices recordes alcançados no início da década de 1980, quando uma crise de energia, a revolução iraniana e o início da guerra Irã-Iraque fizeram com que os preços disparassem para o equivalente a US$ 100 o barril, com ajuste para o valor atual do dólar.

Os analistas do setor energético em geral acreditam que o mercado está reagindo exageradamente a uma possível incursão turca no norte do Iraque. Antoine Halff, analista da firma de corretagem de petróleo Fimat, diz esperar que os preços caiam assim que o mercado perceber que o fornecimento não será afetado. "Essa tendência parece destinada a se dissipar", afirma ele.

Enquanto isso, todavia, o preço mais elevado do petróleo bruto significará gasolina mais cara, segundo o clube automobilístico AAA.

Nas últimas semanas o preço da gasolina caiu, depois que a demanda diminuiu com o final da temporada de verão, durante a qual os motoristas circulam intensamente pelas estradas norte-americanas. Mas, segundo o porta-voz da AAA, Geoff Sudstrom, essa situação deve mudar à medida que as refinarias começarem a transferir os custos elevados do petróleo aos consumidores.

De acordo com a AAA, na terça-feira o preço médio da gasolina nos Estados Unidos era de aproximadamente US$ 2,76 o galão (cerca de 76 centavos de dólar o litro). No verão deste ano no hemisfério norte a gasolina chegou a custar mais de US$ 3 o galão (79 centavos de dólar o litro).

Reagindo ao aumento da semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) descartou uma liberação emergencial de reservas de petróleo. Ao se reunir em Viena no mês passado, o cartel do petróleo concordou em aumentar modestamente a produção em 500 mil barris diários.

O secretário geral da Opep, Abdalla Salem El-Badri, disse em um pronunciamento na terça-feira que a Opep está preocupada com o aumento dos preços. Mas ele observou que "não houve interrupção do fornecimento de petróleo bruto".

"A organização não é favorável a preços do petróleo nesse nível, e ela acredita firmemente que a conjuntura econômica não apóia os atuais preços elevados e que o mercado está muito bem abastecido", declarou El-Badri. "Porém, o aumento dos preços do petróleo que estamos presenciando neste momento está sendo provocado em grande parte por especuladores do mercado".

A maioria dos analistas afirma que os motivos para os aumentos do preço são complexos. Eles incluem gargalos nas refinarias nos Estados Unidos, um dólar fraco, ameaças geopolíticas no Oriente Médio, a guerra no Iraque, a violência na Nigéria e as nacionalizações da produção na Venezuela e na Rússia que afetam os investimentos estrangeiros no setor.

Além disso há a forte demanda por parte da China e do Oriente Médio, onde os preços dos combustíveis foram mantidos artificialmente baixos por meio dos subsídios governamentais.

A Agência Internacional de Energia, que assessora os países industrializados nas questões energéticas, anunciou na semana passada que espera que a demanda global por petróleo aumente 2,4% no ano que vem, chegando a 88 milhões de barris por dia. Alguns negociantes citaram esta previsão como sendo uma das causas do aumento de preços, embora vários analistas digam que o número não é realista, tendo em vista a desaceleração da economia global.

"Existe a impressão de que as bases da economia estão mais favoráveis aos aumentos de preço do que de fato ocorre", opina Roger Diwan, analista da PFC Energy, uma empresa de consultoria do setor petrolífero.

Investidores e fundos de hedge também contribuíram para o aumento. Os investidores parecem ter desprezado o risco de uma recessão nos Estados Unidos depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) reduziu as taxas de juros em setembro. Como resultado, segundo os analistas, eles recentemente retornaram com vigor aos mercados.

Alguns investidores estão comprando petróleo para se protegerem contra o declínio do valor do dólar. Desde o início do ano, o dólar sofreu uma desvalorização de quase 8% em relação ao euro. UOL

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