UOL Notícias Internacional
 

21/10/2007

Com idade suficiente para saber como o pai morreu na guerra

The New York Times
Lisa W. Foderaro

Em Lancaster, Nova York
CamerynLee tinha apenas 3 anos quando seu pai, o cabo Eric J. Orlowski, um reservista do Corpo dos Marines, foi morto em um disparo acidental durante os primeiros dias da guerra no Iraque. Agora com 8 anos, ela está repentinamente ávida por informação sobre o homem que lembra apenas vagamente: ele gostava de asa de frango tanto quanto ela? E de hóquei? Ele era engraçado?

"Quando aconteceu, eu não acho que ela entendeu plenamente", disse sua mãe, Nicole Kross, 29 anos. "Naquela idade ela não fez muitas perguntas. Tudo está vindo agora."

New York Times 
CamerynLee, que tinha 3 anos quando seu pai morreu na guerra do Iraque

Em um sombrio lembrete da longevidade da guerra, as crianças, que eram pequenas ou bebês quando perderam um dos pais em ação, estão crescendo. No processo, elas precisam lidar com a morte de uma forma nova, mais madura, às vezes até mais dolorosa -meditando sobre um pai que mal conheceram, fazendo perguntas incisivas sobre as circunstâncias da morte e experimentando uma espécie de pesar tardio.

Família e conselheiros de luto dizem que a cobertura da guerra pela mídia, as cerimônias dedicadas e até mesmo eventos escolares -nos quais a maioria dos colegas de classe conta com a presença de ambos os pais- podem ampliar o anseio pelo pai perdido.

Para as crianças mais novas, a enxurrada de perguntas e sentimentos espinhosos freqüentemente surge no momento em que o cônjuge sobrevivente está conseguindo superar seu próprio pesar intenso, às vezes com novos namorados ou maridos em cena.

"Com 3 anos, elas têm um conceito pragmático, concreto", disse Joanne M. Steen, co-autora de "Military Widow: A Survival Guide" (viúva militar: um guia de sobrevivência). "Elas dizem diretamente: 'Meu pai morreu'. Mas, em momentos significativos de suas vidas, elas voltarão e revisitarão isto, o que é realmente difícil para o cônjuge sobrevivente. Em cada etapa elas acabam recontando inúmeras vezes a história de como o pai morreu.'

Todavia, muitos pais se esforçam para manter viva a memória do pai morto para seus filhos. CamerynLee e sua mãe, sentadas recentemente em sua cozinha ensolarada em Lancaster, cidade de classe média, nos arredores de Buffalo, olhavam para fotos de Orlowski, juntamente com cartas de condolências do presidente Bush e do ex-secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld. Do lado de fora, uma bandeira do Corpo dos Marines estava hasteada ao lado de um espantalho de Dia das Bruxas.

Kross também mostrou para sua filha uma carta que o marido escreveu de Al Kuait, que começava: "Como vão as coisas, garotas?". Ele a encerrou dizendo a CamerynLee para que fosse "uma boa garota para a mamãe" e pedindo a Nicole, uma ex-reservista da Força Aérea, que "se cuide". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host