UOL Notícias Internacional
 

25/10/2007

Espectro de Chávez pode influenciar acordos comerciais dos EUA

The New York Times
Steven R. Weisman
Em Washington
O governo Bush está usando um nome curioso para promover sua política de comércio internacional: Hugo Chávez, presidente de esquerda da Venezuela, que adotou a prática de criticar a influência dos EUA na América Latina.

Bush está enfrentando oposição aos acordos comerciais propostos com o Peru, Panamá e Colômbia por parte de sindicatos, grupos ativistas sociais e muitos democratas. Enquanto isso, o presidente lançou uma campanha intensa para conseguir a aprovação dos acordos, argumentando que vão fortalecer o capitalismo e a democracia e enfraquecer Chávez na instável região.

Membros da Casa Branca dizem que Bush tem paixão pelos acordos latino-americanos e com a Coréia do Sul, considerando-os essenciais para seu programa nos últimos meses de seu governo.

O esforço inclui viagens à Colômbia de dois membros do gabinete -Carlos M. Gutierrez, secretário de comércio, e Susan C. Schwab, representante comercial americana- acompanhados de congressistas democratas e republicanos. Em ação separada, a secretária de Estado Condoleezza Rice está enfatizando interesses de segurança na América Latina.

Além disso, Bush convidou democratas à Casa Branca para discutir os acordos comerciais, e os lobistas do presidente fizeram visitas freqüentes ao Capitólio.

Para alguns democratas, os argumentos são persuasivos. O pacto comercial com o Peru deve ser aprovado, apesar dos acordos com o Panamá e Colômbia serem menos garantidos. O da Colômbia foi interrompido por preocupações democratas com a morte de líderes sindicalistas no país.

Assessores dizem que Bush está especialmente determinado a ajudar o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, elogiado por reprimir o crime e o tráfico de drogas, mesmo que as autoridades concordem que a Colômbia deveria fazer mais nessa área.

"Os argumentos econômicos são muito fortes para o acordo colombiano", disse Gutierrez em entrevista. "Mas os argumentos políticos são igualmente fortes. A Colômbia tem sido um de nossos mais próximos aliados na região. Que ironia seria se fosse punida por apoiar os EUA."

Muitos democratas opuseram-se aos acordos, mesmo os promovidos pelo ex-presidente Bill Clinton. O governo Bush espera conquistar os democratas para que os pactos latino-americanos sejam aprovados neste ano ou no próximo. Muitos, entretanto, discordam que o argumento de combater Chávez como questão de segurança vai persuadir os democratas. Estes dizem que a presidente da Câmara, a deputada Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, advertiu o governo a não invocar o espectro de Chávez e sim concentrar-se em deter os abusos trabalhistas de Uribe.

"O problema é que Hugo Chávez não é seu motivo principal -é o único", disse o deputado Charles B. Rangel, democrata de Nova York, diretor do Comitê de Meios e Formas da Câmara. "Ninguém gosta de Chávez, mas não acho que seja um monstro assustador que vai levar as pessoas a aprovarem esses acordos."

Dois outros congressistas democratas de Nova York, entretanto, Gregory W. Meeks e Eliot L. Engel, que foram à Colômbia recentemente, disseram em entrevistas que concordavam que os EUA precisavam ajudar a Colômbia e outros países a enfrentarem o presidente venezuelano.

"A questão Chávez toca em algo importante", diz Meeks. "O que tem que ser considerado é a diferença entre os dois sistemas econômicos. Um é o modelo capitalista de amigos como o da Colômbia, baseado no acesso ao mercado. O outro é o modelo socialista fracassado da Venezuela. Temos que mostrar que nosso sistema funciona."

Engel disse de Chávez: "Ele está dizendo: 'Sigam-me, sou a onda do futuro na América Latina.' Temos que fazer o contraponto a isso." No entanto, Engel disse que não estava pronto a endossar o acordo com a Colômbia sem a melhoria da situação trabalhista no país.

O comércio é um ponto delicado desde que os democratas recuperaram o controle do Congresso, no ano passado. Muitos democratas culpam os acordos de livre comércio pela perda de empregos na indústria. Alguns até citam as medidas de abertura comercial em conexão com a entrada de produtos importados falsificados e sem segurança. Os candidatos presidenciais democratas expressaram preocupação com os efeitos dos acordos comerciais sobre os trabalhadores norte-americanos.

Como resultado, os democratas em geral são contra as propostas. Em maio, entretanto, Pelosi venceu uma importante concessão, quando o governo concordou em agregar proteções trabalhistas e ambientais a todos os acordos comerciais pendentes.

O acordo com o Peru está prestes a ser aprovado, mas o do Panamá está sendo interrompido porque um importante líder legislativo panamenho foi acusado de matar um soldado americano. O acordo com a Coréia do Sul também está empacado.

Opositores do acordo com a Colômbia não negam que as condições melhoraram desde o final dos anos 90, quando Clinton e líderes republicanos do Congresso reuniram um pacote de ajuda de bilhões de dólares. Mas eles dizem que as condições não melhoraram o suficiente, e líderes sindicalistas ainda são mortos impunemente.

Quando Gutierrez disse recentemente que a violência trabalhista não era mais um problema no país, o senador Sherrod Brown de Ohio, democrata eleito no ano passado, em parte desafiando os recentes acordos comerciais, disse que ficou "chocado" com o comentário.

"Pelo contrário", disse Brown em carta ao secretário de comércio, "há evidências claras que a Colômbia continua sendo o país mais perigoso no mundo para um líder trabalhista".

A discussão sobre a violência na Colômbia ofuscou os argumentos econômicos. De acordo com o governo, quase 20.000 empresas americanas vendem produtos para a Colômbia, e a América Latina é a região que mais cresce no mundo para artigos dos EUA, que é a maior fonte de importações da Colômbia hoje.

Rice entrou para o coro neste mês. Ela tomou o cuidado de não usar o nome de Chávez -membros do governo dizem que não querem enfatizar sua importância- mas ela disse que os acordos latino-americanos eram importantes para evitar influências "autoritárias" na região.

A Colômbia, disse ela, era um "Estado falido" há sete anos, mas, com a assistência americana, combateu a influência de insurgentes e gangues de narcotráfico e diminuiu o número de seqüestros, bombas e outros atos de violência. Os acordos comerciais, disse ela, são "essenciais aos nossos interesses estratégicos" na região. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h59

    0,27
    3,153
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h03

    0,74
    65.489,73
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host