UOL Notícias Internacional
 

26/10/2007

EUA anunciam sanções contra a Guarda Revolucionária do Irã

The New York Times
Helene Cooper e John H. Cushman Jr.
Em Washington
O governo Bush anunciou na quinta-feira (25/10) uma política debatida por muito tempo de novas sanções contra o Irã, acusando a divisão de elite Quds da Guarda Revolucionária de apoiar o terrorismo.

O governo também acusou toda a Guarda Revolucionária, parte das forças armadas do Irã, de propagar armas de destruição em massa, segundo as autoridades. Há muito que os EUA rotulam o Irã de Estado patrocinador do terrorismo, mas a decisão de apontar a Guarda reflete a frustração crescente no governo com o ritmo lento das negociações diplomáticas em relação ao programa nuclear de Teerã.

Com a medida, serão impostas sanções unilaterais com a intenção de deter a Guarda Revolucionária e os que fazem negócios com ela. Esta é a primeira vez que os EUA tomam tais medidas contra as forças armadas de algum governo soberano.
FORÇA MILITAR DO IRÃ
Atta KenareAFP -22.out.2007
Jipes da Guarda Revolucionária do Irã desfilam em Teerã
CONHEÇA A GUARDA


A secretária de Estado Condoleezza Rice e o secretário do Tesouro Henry Paulson anunciaram as novas sanções em uma conferência de imprensa do Departamento de Estado.

Rice disse que as medidas tinham a intenção "de confrontar o comportamento ameaçador dos iranianos".

Os EUA estão abertos a uma solução diplomática, mas, segundo Rice, "infelizmente, o governo iraniano continua a desdenhar nossa oferta de abrir negociações. Em vez disso, ameaça a paz e a segurança perseguindo tecnologias nucleares que podem levar a uma arma nuclear, construindo mísseis balísticos perigosos, apoiando militantes xiitas no Iraque e terroristas no Iraque, Afeganistão, Líbano e territórios palestinos, e negando a existência de um membro da Organização das Nações Unidas, com a ameaça de apagar Israel do mapa".

Segundo Paulson, "é cada vez mais provável que se você está negociando com o Irã, está negociando com a Guarda Revolucionária iraniana".

O anúncio também intensifica as tensões entre os dois países. O governo acusou membros da Guarda Revolucionária de prover armas e explosivos usados por milícias xiitas contra tropas americanas no Iraque, o que Teerã negou.

Em agosto, membros da Casa Branca disseram que tinham a intenção de declarar toda a Guarda Revolucionária como organização terrorista estrangeira, mas essa possibilidade de tal forma levantou questionamentos dos aliados americanos na Europa e de algumas autoridades nos Departamentos de Estado e do Tesouro que o governo adiou esses planos, enquanto o debate interno prosseguia. O anúncio de quinta-feira refletiu um meio termo.

Em relação ao Irã, Rice vem lutando há mais de um ano para manter uma frágil coalizão de poderes mundiais que freasse as ambições nucleares iranianas pelo que seria uma série crescente de sanções da ONU. No entanto, depois de duas rodadas de sanções, a Rússia e a China desistiram de escalar a terceira.

Na semana passada, o presidente Russo, Vladimir Putin, causou consternação em Washington quando visitou Teerã e disse publicamente que não havia necessidade de ataques militares. A Guarda é considerada a base de poder para o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Sob seu governo, a Guarda participou cada vez mais de operações comerciais, obteve lucros e estende sua influência para grandes contratos do governo, disseram autoridades americanas, inclusive construindo aeroportos e outras instalações de infra-estrutura, produzindo petróleo e fornecendo telefones celulares.

A conseqüência imediata de designar a unidade Quds como organização terrorista é tornar ilegal uma pessoa sujeita à jurisdição americana fornecer apoio material e recursos à organização, de acordo com o Departamento de Estado. Qualquer instituição americana que descobrir que possui ou controla fundos de uma organização terrorista estrangeira deve entregá-los ao Departamento de Tesouro.

Como o Irã fez poucos negócios comerciais com os EUA em mais de duas décadas, a intenção maior da designação é de aumentar a pressão política e psicológica sobre o Irã, disseram membros do governo, e persuadir governos estrangeiros e instituições financeiras a cortarem laços com empresas e indivíduos iranianos. Deborah Weinberg

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