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30/10/2007

Escobar, um gângster agora em alta em Hollywood

The New York Times
Michael Cieply

Em Santa Monica, Califórnia
Quando "Entourage", a série de ficção sobre Hollywood, concluiu sua temporada no mês passado, o agente extraordinário Ari Gold viu o filme dos sonhos de seu cliente, sobre o cartel das drogas de Medellín, ser atacado pelo público e por possíveis compradores no Festival de Cinema de Cannes.

Talvez Gold estivesse trabalhando no mercado errado.

No American Film Market, que começará aqui na quarta-feira, pelo menos três filmes potenciais sobre o cartel da cocaína e seu chefão, Pablo Escobar, deverão disputar as atenções.

Albeiro Lopera/Reuters - 25.nov.2000 
Mulher reza ao lado de altar improvisado em homenagem a Pablo Escobar

Escobar morreu em uma troca de tiros com as autoridades na Colômbia, em 1993. Por quase 14 anos, sua história circulou pelo mundo do cinema, inspirando a trama de "Entourage" sobre um filme que não foi feito. Mas de repente, e sem motivo óbvio, a história real das drogas gerou uma batalha cinematográfica, colocando diretores como Oliver Stone e Joe Carnahan um contra o outro.

Se todos os três filmes forem feitos, alguém provavelmente sairá machucado. "Capote", com Philip Seymour Hoffman interpretando Truman Capote nos anos "A Sangue Frio", saiu em 2005, esgotando o mercado para "Confidencial", outra cinebiografia de Capote, lançada no ano seguinte. De forma semelhante, "O Ilusionista" e "O Grande Truque" pisaram no pé um do outro quando ambos apresentaram no ano passado histórias sobre mágicos na virada do século 20.

"Nada nos impedirá", disse Bob Yari, produtor de um dos filmes sobre Escobar (e de "O Ilusionista"), sobre a concorrência inesperada.

Com Carnahan ("Narc" e "A Última Cartada"), Yari e outros há anos trabalham na produção de uma adaptação de "Matando Pablo: A Caçada ao Maior Fora-Da-Lei de Que Se Tem Notícia", o livro best seller de Mark Bowden, de 2001. Mas neste mês, Stone disse que se unirá à J2 Pictures, uma produtora independente, para produzir uma cinebiografia. Antoine Fuqua ("Dia de Treinamento") planeja dirigir o filme, baseado em "Mi Hermano Pablo", um livro de memórias em espanhol de autoria do irmão e associado de Pablo Escobar, Roberto.

Também no mercado, outra produtora independente, a Hannibal Pictures, planeja vender os direitos de seu "Escobar", que será dirigido por Alexander Witt ("Resident Evil: Apocalipse"), baseado na pesquisa original e roteiro de Richard Rionda Del Castro e Greg Mellott.

O American Film Market é um encontro anual de compradores e vendedores que negocia principalmente os direitos de distribuição internacional dos filmes. As produções sobre Escobar, que estão sendo financiadas de forma independente, buscam no mercado distribuidores em territórios estrangeiros.

(Se a situação já não fosse complicada o bastante, um homem chamado Robert Escobar Jr. ofereceu recentemente, sem sucesso, financiar o filme de Yari caso este o escalasse em um papel e lhe desse crédito de produtor. Contatado por telefone em Las Vegas na semana passada, este Escobar -a natureza exata de seu relacionamento com a família não é clara- disse que manteve contato com o filho de Pablo Escobar, que começou a viver sob novo nome depois dos banhos de sangue colombianos dos anos 90, e acrescentou que espera oferecer um projeto para a HBO.)

Hollywood sempre teve uma queda por gângsteres, de "Scarface -A Vergonha de uma Nação" (1932) e a série "O Poderoso Chefão" até "O Gângster" (American Gangster), que será lançado pela Universal Pictures na sexta-feira. Provavelmente era inevitável o ingresso de Escobar na galeria cinematográfica.

Nascido em 1949, filho de casal de classe média, Pablo Escobar Gaviria roubava e revendia lápides de cemitério, depois carros, antes de se tornar uma força organizadora entre os bandidos de rua colombianos que tiraram a sorte grande quando o comércio de cocaína do país explodiu nos anos 70. Ele subornava autoridades, ordenava assassinatos e, no auge, vivia com os adornos improváveis de um Charles Foster Kane: entre suas posses estavam submarinos, uma frota de aviões e uma vasta propriedade, a Hacienda Los Napoles, completa com zoológico particular.

Após um atentado a bomba em 1989 contra um avião de passageiros no qual cidadãos americanos foram mortos, agentes americanos se juntaram às autoridades colombianas em sua guerra contra o cartel e seu líder. Obrigado a se esconder, Escobar brincou de gato e rato com a polícia e as forças armadas até 2 de dezembro de 1993, quando foi encurralado por 500 policiais e soldados e morto a tiros. Sua morte provocou profundo pesar entre muitos pobres colombianos, para os quais ele era uma espécie de Robin Hood, transformando dólares americanos em alimento, moradia e empregos.

Se a história de Escobar conta com todos os elementos que o público de cinema há muito adora, ainda assim ela ficou emperrada no sistema de Hollywood. A primeira tentativa de Yari fracassou quando o astro que o interessava (Tom Cruise) e o diretor (Carnahan) se desentenderam. Mas Yari e seus parceiros adquiriram recentemente todos os direitos e decidiram fazer o filme com Christian Bale e Javier Bardem nos papéis principais, para distribuição pelo Yari Film Group.

Enquanto isso, Stone e Fuqua declararam seu interesse em um projeto rival que também está circulando há anos. Este nasceu com uma pequena produtora chamada Sky's the Limit, da qual um dos donos, um colombiano, tem laços com a família Escobar.

Stone não é um novato em duelos de Hollywood. Ele venceu um há alguns anos, quando Baz Luhrmann e Leonardo DiCaprio adiaram um filme sobre Alexandre, o Grande, deixando o campo livre para seu "Alexandre". Mas o filme resultante foi mal recebido pela crítica e público nos Estados Unidos quando a Warner Brothers o lançou em 2004.

Os proprietários da J2, Jason Felts e Justin Berfield, por meio de um porta-voz, se recusaram a ser entrevistados. Uma declaração apresentada pelo porta-voz dizia: "Nós estamos contentes em trabalhar com o irmão de Pablo, Roberto". Muitas pessoas, acrescentou a declaração, querem contar a história de Escobar, "mas muito poucas podem contá-la de forma fiel".

Del Castro, que está trabalhando em "Escobar" nos últimos cinco anos, não pareceu muito preocupado com os esforços de concorrentes mais conhecidos. "Eu acredito que estamos muito mais avançados do que os outros dois projetos", ele disse. Para Del Castro, seu filme foi orçado entre US$ 22 milhões e US$ 28 milhões e ele espera contar com astros americanos, apesar de nenhum ainda ter fechado com ele.

Mas ele pareceu menos certo quando perguntado sobre o motivo da repentina corrida para contar a história de Escobar. "Eu não faço idéia." George El Khouri Andolfato

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