UOL Notícias Internacional
 

02/11/2007

Polícia londrina errou na morte de brasileiro em 2005

The New York Times
Julia Werdigier
Em Londres
A força policial londrina foi considerada culpada na quinta-feira (01/11) de colocar o público em risco durante uma operação equivocada de combate ao terrorismoem 2005, que levou à morte de um eletricista brasileiro inocente em um trem de metrô.

A Polícia Metropolitana foi multada em US$ 364.000 (em torno de R$ 728.000) e teve que pagar US$ 800.000 (cerca de R$ 1,6 milhão) em custos legais por violar leis de saúde e segurança quando policiais perseguiram e mataram Jean Charles de Menezes, 27, que acreditavam ser um suspeito de uma tentativa fracassada de atentado suicida.

Foi a primeira vez que a lei de saúde e segurança foi aplicada em conexão com uma operação policial de combate ao terrorismo.

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Reuters
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O veredicto irritou alguns grupos de direitos humanos e políticos de oposição e renovou pedidos para a renúncia do comissário da polícia de Londres, Ian Blair.

No dia 22 de julho de 2005, em uma operação descrita como caótica pelos promotores, a polícia identificou erroneamente Menezes como um dos quatro homens que tinham tentado detonar bombas no sistema de transporte de Londres no dia anterior. Duas semanas antes da tentativa, quatro suicidas se explodiram e mataram 52 pessoas no sistema de trânsito.

Os policiais seguiram Menezes até um o metrô de Stockwell, no sul de Londres, e atiraram sete vezes em sua cabeça, diante de passageiros horrorizados.

A polícia cometeu um erro "chocante e catastrófico" e colocou o público em perigo, disseram os promotores ao júri na quinta-feira na Corte Criminal Central, primeiro por permitir que alguém que suspeitavam ser um homem-bomba entrasse no trem e depois por atirar contra ele.

"Foi o resultado de erros fundamentais no sentido de executar uma operação planejada de forma segura e razoável", disse a promotora Clare Montgomery.

Ronald Thwaites, advogado da polícia, disse que levantar a lei de saúde e segurança era um sinal de que não havia evidência suficiente para culpar os indivíduos de homicídio. Ele disse que Menezes morreu por seu próprio comportamento, por tomar atitudes que a polícia é treinada a identificar como as de um possível suicida prestes a se detonar.

A polícia admitiu que a operação deu muito errado, mas negou violar a lei.

A família de Menezes pediu a renúncia dos responsáveis pela operação, mas o júri absolveu policiais individuais e em vez disso determinou na quinta-feira que a organização como um todo era responsável.

Blair, que em decorrência do evento sofreu pressão para renunciar, disse na quinta-feira que ficaria porque o caso não tinha revelado a presença de "erros sistêmicos".

Blair chamou a morte de Menezes de tragédia e disse que a polícia pediu desculpas muitas vezes a seus familiares e amigos. Ele acrescentou que "as dificuldades apresentadas no julgamento foram as de uma organização que luta, em um único dia, para lidar com uma situação simplesmente extraordinária". Ele disse que vai considerar se a condenação significa que alguma prática deve ser alterada.

Membros da oposição, contudo, tentaram manter a pressão sobre Blair. David Davis, porta-voz de assuntos internos do Partido Conservador, disse que a lei de saúde e segurança era um "mecanismo inadequado para avaliar uma operação de combate ao terrorismo", mas que o julgamento lançou luz em uma série de erros sistêmicos da polícia que tornaram a posição de Blair "insustentável". Deborah Weinberg

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