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15/11/2007

Carta de Lee Harvey Oswald é encontrada em arquivos de senador falecido

The New York Times
James Baron
A caixa estava intocada no sótão de uma casa em Washington até recentemente, quando a venda da casa forçou que se fizesse uma limpeza, que se olhasse em lugares há muito esquecidos.

Dentro da caixa havia uma pasta de arquivo chamada: "Lee Harvey Oswald".

Na pasta estava uma carta escrita à mão, que Oswald enviara da União Soviética, reclamando que o governo soviético não lhe dava um visto de saída para os EUA. Era endereçada ao senador John Tower, republicano do Texas, que havia morado na casa com sua segunda mulher nos anos 80.

Os outros itens da pasta são datilografados -cartas de Tower ao Departamento de Estado, cartas do consulado americano em Moscou a Oswald, cartas do Departamento de Estado a Tower e memorandos da equipe de Tower após o assassinato do presidente John F. Kennedy, quando Tower defendeu-se contra a impressão de que tinha ajudado a abrir o caminho para a volta de Oswald aos EUA.

Uma empresa texana chamada EasySale planeja fazer um leilão on-line dos itens, talvez já na quarta-feira. A EasySale diz que as cartas são originais, não cópias como as que estão entre os documentos de Tower na Universidade de Southwestern em Georgetown, Texas. Um especialista em caligrafia contratado pela EasySale para examinar a carta de Oswald concluiu que a letra apertada era de Oswald.

A carta de Oswald a Tower, que morreu em 1991, não está datada, mas foi amplamente citada após o assassinato de Kennedy e novamente no relatório da Comissão Warren, em 1964.

Ela começa como um apelo de um cidadão: "Meu nome é Lee Harvey Oswald, 22, de Fort Worth, até outubro de 1959", quando, escreveu, foi para a União Soviética para passar "uma temporada residencial".

Depois de explicar o problema com o visto, Oswald escreveu: "Eu peço ao senhor, senador Tower, para levantar a questão de detenção pela União Soviética de um cidadão americano, contra sua vontade e desejo expresso!!"

De acordo com o relatório da Comissão Warren, um funcionário no escritório de Tower encaminhou a carta para o Departamento de Estado, sob uma capa que era "assinada pelo senador à máquina".

Uma cópia da capa estava na pasta do sótão e deixava claro que o escritório de Tower estava simplesmente encaminhando o apelo de Oswald. "Não conheço o senhor Oswald ou quaisquer dos fatos em torno de suas razões para visitar a União Soviética; nem quais ações, se alguma, este governo pode ou deve tomar em seu nome", dizia a carta.

Sabe-se que Tower deu o arquivo à Comissão Warren para que fosse copiado, mas os originais eram considerados desaparecidos, disse Kathryn Stalard, arquivista da Biblioteca de John Tower em Southwestern. "Estávamos procurando por isso", disse ela.

O diretor executivo da EasySale, David J. Edmondson, disse que a casa, na seção Kalorama de Washington, era da segunda esposa de Tower, Lilla Burt Cummings Tower, advogada de Washington, que morreu em 1993. Edmondson disse que ela e Tower moraram na casa no início dos anos 80. Eles se divorciaram em 1987 e, dois anos depois, quando o primeiro presidente George Bush nomeou Tower como secretário de defesa, suas declarações que o ex-marido bebia excessivamente ajudaram a derrubar a nomeação. Tower negou as acusações.

A questão da volta de Oswald aos EUA perseguiu Tower após o relatório da Comissão Warren ser divulgado. O arquivo no sótão continha uma carta que Tower escrevera ao secretário de Estado Dean Rusk, em março de 1964, assim como a resposta de Rusk: "Não é agora e não foi no passado, a posição do Departamento de Estado que Oswald teve permissão de voltar a este país como resultado do encaminhamento ao departamento da carta de Oswald ao senhor."

Edmondson descreveu a EasySale como "uma empresa de consignação on-line", que pega itens de no mínimo US$ 50 (cerca de R$ 100) que as pessoas não querem mais. "Isso é certamente incomum", disse ele. "Isso é incomum se comparado com as coisas que as pessoas costumam ter jogadas em casa." Deborah Weinberg

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