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18/11/2007

Apostando contra o dólar? Dê uma olhada na Ásia

The New York Times
De William J. Holstein
Jim O'Neill, o economista-chefe do Goldman Sachs, tem criticado o dólar há pelo menos dez anos. "Ser pessimista quanto ao valor do dólar é uma das coisas mais fáceis", disse O'Neill. Mas ainda há apostas cambiais lucrativas a ser feitas, dizem O'Neill e muitos outros profissionais de finanças, embora a direção da moeda americana não esteja tão clara hoje. "Está ficando mais complicado", disse O'Neill.

Um dos motivos da dificuldade é que o dólar se desvalorizou tanto em relação ao euro, à libra inglesa e ao dólar canadense que talvez não tenha mais muito aonde ir antes de inverter a tendência. O'Neill, que está baseado em Londres, indica que enquanto eram necessários apenas US$ 0,845 para comprar um euro seis anos atrás hoje é preciso US$ 1,45, uma diferença de mais de 60%.

Se o dólar barato continua ajudando as exportações americanas e a reduzir o déficit comercial do país, O'Neill acha que o dólar pode estar perto do fundo em relação àquelas moedas.

"O dólar pode enfraquecer ainda mais a curto prazo", ele diz, "mas daqui a um ano, pessoalmente, espero que ele esteja mais forte contra as moedas européias."

Mas esse provavelmente não será o caso em relação às moedas asiáticas, como a chinesa, a japonesa, a indiana e até a da pequena Singapura, na opinião dele. "Muitas dessas economias estão tendo um enorme crescimento", disse O'Neill.

E o dólar não perdeu tanto valor em relação a estas cotações, que tendem a ser controladas ou influenciadas pelos governos. A China intervém nos mercados de câmbio para regular o valor de sua moeda e permitiu uma alta de apenas 5% até hoje.

O Japão não intervém, mas suas enormes reservas de liquidez e taxas de juros próximas de zero provocaram o chamado "carry trade", em que os fundos hedge e outros grandes investidores institucionais emprestam dinheiro em ienes e o transformam em outras moedas para investir em outros mercados. O efeito prático tem sido semelhante à intervenção do governo: o iene subiu apenas ligeiramente contra o dólar.

Apesar do desejo de alguns governos asiáticos de manter suas moedas onde estão, muitos especialistas acreditam que grandes altas são inevitáveis em toda a região. "O jogo está apenas esquentando", disse Arthur P. Steinmetz, vice-presidente sênior e gerente de portfólio do OppenheimerFunds em Nova York. "Há algumas poderosas forças fundamentais que vão tornar isto interessante."

Uma das mais importantes, segundo Steinmetz, que administra US$ 22 bilhões em fundos mútuos, é a direção das taxas de juros nos EUA. "O maior condutor de movimento em moedas são os diferenciais de taxas de juros", ele disse. "O dinheiro naturalmente flui para países com altas taxas de juros e se afasta de países onde são menores, por causa do que o Federal Reserve está fazendo."

Some tudo isso e talvez esteja na hora de os investidores individuais tomarem decisões não apenas sobre se devem investir em instrumentos nominais em dólar ou outros, mas também se devem escolher fundos mútuos e fundos negociados em divisas que têm a exposição adequada a moedas asiáticas, em vez de confiar nos fundos internacionais mais comuns que podem ser igualmente expostos a diferentes regiões do mundo.

(Pouquíssimos especialistas recomendam que investidores individuais se envolvam em negócios com derivativos em moeda estrangeira ou na compra individual de ações não-americanas.)

Mas planejar uma estratégia vitoriosa com moeda asiática é difícil porque os mercados de ações na China, Hong Kong, Índia e outros lugares da região estão em picos históricos ou perto deles —a Bolsa chinesa mais que duplicou este ano—, e uma vasta maioria de especialistas espera correções ou mesmo colapsos em curto prazo.

O que um investidor deve fazer? "Eu investiria através de fundos cujos administradores saibam mudar do que está alto demais para o que está barato", disse Roger Kubarych, economista-chefe nos EUA da UniCredit Markets and Investment Banking, sediada em Nova York. "É por isso que você procura os profissionais. Qualquer indivíduo teria de estudar os mercados por dois ou três anos para compreendê-los. Começando do zero, é muito melhor [investir] em fundos mútuos. Não há dúvida sobre isso."

Alguns especialistas dizem que mesmo que as Bolsas asiáticas sofram correções acentuadas elas podem ser apostas inteligentes a longo prazo. "É preciso fazer uma distinção entre os mercados e as moedas", disse Mark Cliffe, economista-chefe do ING Group, banco baseado na Holanda. "As Bolsas asiáticas estão em picos históricos. Mas você não pode dizer o mesmo sobre as moedas. Elas ainda estão subvalorizadas. Elas também devem entrar numa apreciação estrutural contra o dólar e as moedas européias."

Mas Gregg Wolper, analista sênior de fundos mútuos da Morningstar, diz que não há garantia de que esta seja a hora de apostar contra o dólar em relação às moedas asiáticas ou de mercados emergentes.

"As tendências de divisas têm o hábito de surpreender até os especialistas", ele disse. Ele também afirma que a maioria dos investidores individuais deve colocar seu dinheiro em fundos mútuos que têm latitude para movimentar o dinheiro ao redor do mundo e não se limitam a certas regiões. "Faz sentido deixar o administrador tomar essas decisões", disse Wolper.

Mas para os investidores sofisticados que podem ter maior tolerância a riscos e um horizonte mais amplo, há uma variedade de instrumentos disponíveis para fazer investimentos mais específicos. Uma lista de fundos da Ásia-Pacífico, por exemplo, é encontrada no site da Morningstar. Esses fundos, que não incluem investimentos japoneses, retornaram quase 50% em média até agora este ano. Entre eles, um forte ator foi o AIM China, cujos maiores investimentos incluem China Mobile e PetroChina. O fundo teve retorno de 82,7% este ano, segundo a Morningstar.

De todas as empresas de fundos mútuos, Wolper cita a família de fundos Matthews como especialmente inteligente. "Eles se especializaram em Ásia há muitos anos", ele disse. "Eles definitivamente demonstraram perícia ao investir nessa área de maneira factível e razoavelmente em longo prazo." Por exemplo, ela oferece fundos específicos da China, Japão, Coréia do Sul e Índia.

Muitos investidores estão céticos sobre investir em ações japonesas porque a Bolsa de Tóquio sofre há mais de uma década. Mas Kubarych diz que os investidores devem considerar investir em companhias japonesas de orientação internacional. "Há uma nova geração de pessoas liderando essas companhias", ele disse. "Sua atitude é: 'Temos de realmente mostrar resultados aos nossos acionistas'. Isso não é algo que seria escutado cinco anos atrás." Ele recomenda Canon, Kyocera e Toyota.

Os investidores individuais mais ousados podem querer jogar em moedas específicas ou mercados específicos através de ETFs, que acompanham os índices de mercados. Por exemplo, o índice iShares MSCI de Singapura investe em valores das maiores empresas blue-chips de Singapura e aumentou quase 24% este ano em termos de dólares.

Investir em títulos asiáticos geralmente é considerado mais difícil do que em ações, mas Steinmetz diz que a estratégia de títulos é mais aconselhável para alguns investidores, "porque o componente taxa de juros é menos volátil". O fundo que ele administra com maior exposição a moedas asiáticas através de títulos é o Oppenheimer International Bond, que também visa moedas latino-americanas comprando títulos nominais nessas moedas.

Como Wolper nota, os fortes retornos de dois dígitos de muitos desses instrumentos este ano não oferecem garantia de que vão manter esse desempenho no futuro. E os investidores que possuem ativos não nominais em dólares devem ter estômago para suportar as ondas de choque geopolíticas. "Eu digo às pessoas para tomarem cuidado", disse O'Neill da Goldman.

Mas se o dólar estiver rumando para mais erosão em relação às moedas asiáticas talvez seja inteligente suportar dificuldades a curto prazo para ter ganhos sólidos em longo prazo. Há oportunidades a se aproveitar. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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