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19/11/2007

Financiamento de museus por marchands gera polêmica nos Estados Unidos - parte 3

The New York Times
De Jori Finkel
Em Los Angeles
O patrocínio corporativo influencia na gestão de museus?

A Associação Americana de Museus e a Associação de Diretores de Museus de Arte não especificam diretrizes quanto à aceitação de patrocínio das galerias. Em vez disso, elas publicaram diretrizes gerais referentes ao apoio corporativo, como, por exemplo, uma declaração da associação de museus emitida em 2001, após controvérsias em torno de exposições como a de Armani no Guggenheim.

"A autoridade que administra o museu e os seus funcionários devem garantir que nenhum indivíduo ou empresa beneficie-se em detrimento da missão e da reputação do museu, e tampouco da comunidade a qual ele serve", diz um trecho da declaração.

ACEITAR OU NÃO ACEITAR
Museus de arte sem fins lucrativos deveriam aceitar dinheiro de galerias comerciais e marchands?
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
O pior dos casos, concordou a maioria dos entrevistados, seria aquele no qual um museu aceitasse dinheiro de uma galeria para montar uma exposição de trabalhos novos ou disponíveis que a galeria fosse capaz de vender diretamente a partir das paredes do museu.

Este não parece ser o caso da exposição de Richard Prince no Guggenheim, cuja maior fonte de obras foi a própria coleção do artista, seguida de perto por trabalhos pertencentes a colecionadores privados. E apenas um punhado dos mais de 90 trabalhos na exposição de Murakami está à venda, sendo que o mais proeminente é a escultura "Buda Oval", oferecida pela Blum & Poe.

Quanto à mostra bem menor apoiada pela Deitch Projects no Redcat, Deitch diz que McGee é um dos artistas menos comerciais, e que ele ainda não determinou que elementos da mostra poderiam ser vendidos.

Alguns museus fazem parcerias para compartilhamento de lucros com marchands quando encomendam um novo trabalho (foi esse o tipo de acordo que o Museu de Arte Contemporânea em North Adams, Massachusetts, tentava negociar com a marchand nova-iorquina Michele Maccarone quando os planos da galeria para uma grande exposição de Christoph Buechel desmoronaram).

O Redcat afirma que como questão de política não receberá nada caso a Deitch venda alguma peça na exposição de McGee. E o museu de Los Angeles também não lucrará com uma futura venda do Buda de Murakami, garante Schimmel.

"Não temos procurado atuar como co-proprietários nem tentado participar na criação de novas peças devido à relação financeira criada por tais práticas", afirma. Ele acrescenta que a Blum & Poe, a Gagosian e a Emmanuel Perrotin não exerceram qualquer influência sobre o conteúdo da exposição de Murakami.

"As galerias não disseram uma única vez algo do tipo, 'Vocês deveriam inserir esta peça na exposição', ou, 'Procure esse colecionador'", diz ele. "Quanto a outros museus, eu tenho curiosidade de saber se outros curadores diriam tal coisa claramente". Schimmel acrescenta que procurou as três galerias em busca de apoio em fevereiro, após ter completado a lista de trabalhos de Murakami e um projeto de reforma do assoalho.

Jeremy Strick, o diretor do museu de Los Angeles, diz que embora já tenha aceitado em outras ocasiões financiamentos de galerias comerciais, a independência dos curadores continua sendo inegociável. "O Museu de Arte Contemporânea jamais aceitaria a interferência de ninguém no desenvolvimento do seu programa de curadoria", garantiu o diretor.

De forma similar, Eleanor Goldhar, porta-voz do Guggenheim, afirma: "Não temos nenhuma política que proíba o recebimento de apoio de qualquer categoria específica de doadores. No entanto, temos uma política segundo a qual as decisões da curadoria não podem ser influenciadas de forma alguma pelos nossos patrocinadores", Dennison diz que o Guggenheim solicitou dinheiro de marchands para a mostra de Prince na primavera passada, mais de dois anos após ter decidido montar a exposição (a curadora da exposição, Nancy Spector, recusou-se a ser entrevistada a respeito do patrocínio, e a Fundação Guggenheim disse que o seu diretor, Thomas Krens, não estava disponível para tecer comentários).

Mesmo assim, os críticos dizem que questões relativas às influências e aos benefícios aparentes persistem, assim como o motivo pelo qual museus do tamanho do Museu de Arte Contemporânea ou o Guggenheim precisam recorrer a galerias comerciais para obter verbas.

Deitch, da Deitch Projects, atribui isso em parte a uma crise no setor de filantropia artística em um momento no qual as produções artísticas aumentam ainda mais. Ele diz que recebe pedidos semanais de apoio por parte de instituições sem fins lucrativos de todos os tamanhos. "A minha equipe está impressionada com a quantidade de pedidos que recebemos por carta, e-mail e telefone", diz Deitch.

Em junho ele concordou em apoiar a exposição do Redcat, que ele vê como uma forma de ajudar o seu artista a concretizar a sua visão. "Não estou fazendo isso para sair lucrando em cima de Barry McGee", acrescenta Deitch. "Faço isso porque, se não fizesse, não haveria exposição".

Gladstone, que ajudou a financiar a exposição de Richard Prince, apresentou uma argumentação semelhante. "Não vejo mais nenhum apoio corporativo, ou vejo muito pouco daquele apoio que costumava ser proporcionado por, digamos, uma Philip Morris. E o que aconteceu com o Programa Nacional de Financiamento de Artes, que costumava financiar bastante? Creio que as galerias estão entrando relutantemente em cena para preencher essa lacuna". UOL

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