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19/11/2007

Financiamento de museus por marchands gera polêmica nos Estados Unidos

The New York Times
De Jori Finkel
Em Los Angeles
O "Buda Oval" de Takashi Murakami, uma nova escultura reluzente de 5,8 metros de altura, feita em platina e alumínio, que se destaca na atual exposição do artista no Museu de Arte Contemporânea, aqui em Los Angeles, deveria ter sido enviado do Japão por navio. Mas, em agosto, depois de vários anos e muitos milhões de dólares, a estátua ainda precisava de alguns retoques.

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Museus de arte sem fins lucrativos deveriam aceitar dinheiro de galerias comerciais e marchands?
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PARTE 3
Assim, a galeria comercial que representa Murakami, a Blum & Poe, montou uma operação de auxílio. Ela fretou um avião da Japan Airlines para ganhar tempo, transportando o Buda gigante de avião até a Califórnia.

E isso não foi tudo o que a Blum & Poe fez para ajudar o museu. A galeria, que começou a exibir o trabalho de Murakami em Los Angeles há cerca de uma década, ajudou Paul Schimmel, o curador do museu, a obter alguns empréstimos de grandes colecionadores. Ela comprou US$ 50 mil em entradas para a festa de gala durante a inauguração noturna da exposição, e o dinheiro foi doado ao museu.

E, em uma iniciativa que vem sendo questionada por muita gente do setor, a galeria fez uma contribuição que o marchand Tim Blum descreveu como de "seis dígitos" para financiar a própria exposição no museu.

"É um voto de confiança para o Museu de Arte Contemporânea, para Paul, para Takashi e para o projeto inteiro", opina Blum.

Schimmel diz que a quantia, que ele se recusou a especificar, é comparável àquela das galerias Gagosian , que representa Murakami em Nova York, e Emmanuel Perrotin, que representa o artista em Paris. Schimmel agradece a essas "três fortes galerias parceiras" no seu catálogo da exposição de Murakami, por "terem dado um apoio administrativo e financeiro substancial para a mostra, bem como para a ampla campanha de marketing do Museu de Arte Contemporânea".

Mas, para muita gente no mundo da arte, tais presentes trazem à tona a pergunta: será que os museus de arte sem fins lucrativos deveriam aceitar dinheiro de galerias comerciais que têm um nítido interesse financeiro na carreira de um artista, e em alguns casos nas obras de arte exibidas?

Ou, colocando a questão de forma mais geral, a disposição das galerias para pagar pode influenciar o que um museu decide exibir?

A exposição de Los Angeles não é a única que está gerando esse tipo de questionamento. Perto do museu, o centro de arte alternativa Redcat elogia a galeria Deitch Projects, de Nova York, que é uma das quatro patrocinadoras da sua exibição de grafites do artista de São Francisco, Barry McGee. O marchand Jeffrey Deitch e a Redcat disseram que a galeria contribuiu com US$ 15 mil. E, o museu confirmou que Larry Gagosian e Barbara Gladstone, os marchands de Richard Prince em Los Angeles e em Nova York, contribuíram com cheques para a atual exposição de Prince no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova York. Nenhum dos dois marchands e tampouco o museu especificaram o valor das contribuições.

Na verdade, as galerias já financiam periodicamente —e, em geral, discretamente— exposições há algum tempo. A Sperone Westwater, por exemplo, deu uma ajuda à exibição de Richard Tuttle, em 2005, no Museu de Arte Moderna de São Francisco. Mas é difícil recordar de qualquer temporada na qual tantas galerias contribuíram com cheques para museus, em se tratando de exposições dedicadas aos seus próprios artistas, e foram tão elogiadas publicamente por isso.

Os curadores enfatizam que os marchands não estão se insinuando no prestigioso contexto dos museus. Segundo eles, são os museus que se aproximam dos marchands, e não o contrário.

"Não diria que o dinheiro está entrando porque as galerias comerciais e os marchands estão batendo à minha porta", afirma Schimmel, do Museu da Arte Contemporânea. "Eu vou até eles e digo que precisamos de ajuda para realizar a exposição. Eu cheguei até a ter a coragem para pedir ajuda a Marianne Boesky, já que ela não representa mais o artista". (Boesky doou uma quantia não revelada para a mostra, assim como fizeram vários colecionadores particulares.)

Lisa Dennison, que foi diretora do Guggenheim quando a exposição de Richard Prince estava sendo organizada, e que agora trabalha na Sotheby's, disse que a queda de doações corporativas fez com que os museus ficassem mais astuciosos nos últimos anos.

"Eles examinam diversas fontes de doações: corporações, indivíduos, galerias e casas de leilões", afirma Dennison. "Os museus vão atrás de todas essas fontes, buscam recursos junto a todas elas".

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