UOL Notícias Internacional
 

27/11/2007

Autoridades impedem Pequim de reduzir o consumo de energia para evitar alta dos custos - parte 2

The New York Times
Howard W. French

Em Qingtongxia, China
Economias de energia abaixo das projeções
Mesmo assim, a iniciativa tem exibido pouco resultado. Segundo estimativas oficiais, que na China costumam ser bastante generosas, o país economizou apenas 1,23% de energia por unidade de produção no ano passado. Na primeira metade de 2007, as autoridades alegam ter obtido 2,4%, o dobro do índice do ano anterior. Especialistas em energia dizem acreditar que a economia aumentará com o tempo, mas para atender a meta de uma redução de 20% até 2010, o país terá que reduzir o consumo de energia por unidade de produção em 4% ao ano em média, de forma que as chances de atingir a meta parecem cada vez mais difíceis.

As frustradas autoridades em Pequim, diante da probabilidade de ficarem aquém de sua meta, estão emitindo avaliações incomumente severas do desempenho de alguns líderes locais, e prometeram usar mais de seus poderes autoritários para colocar as autoridades teimosas na linha.

Chang W. Lee/The New York Times 
Trabalhadores retiram material fundido de caldeirão em fábrica em Ningxia Hui

Em maio, o premiê da China, Wen Jiabao, se queixou amargamente. "O entendimento não é adequado, as responsabilidades não são claras, as medidas não são complementares, as políticas são incompletas, o investimento não chega e a coordenação é ineficaz", ele disse sobre os esforços para reduzir o consumo de energia. "Se tais problemas não forem resolvidos, será difícil obter qualquer progresso significativo."

Mais recentemente, Zhang Lijun, vice-diretor da Administração Estatal de Proteção do Meio Ambiente, alertou que a China provavelmente não cumprirá suas metas para controles de emissões segundo o atual plano de cinco anos, que termina em 2010. "Nós não vimos quaisquer indicadores substanciais de uma desaceleração na expansão dos setores intensivos em energia", disse Zhang. "O investimento continua chegando."

A luta para cumprir a meta acentua o desafio de tornar a China mais verde em um momento em que os principais líderes do país continuam enfatizando um crescimento vertiginoso, mesmo enquanto se preocupam com seus custos. As carreiras de autoridades de todos os escalões supostamente ainda correm maiores riscos caso permitam que o desempenho econômico, a criação de empregos ou a receita tributária deixem a desejar do que se fracassarem em coibir a poluição. Um menor crescimento também significa menos oportunidades para amigos e parentes de pessoas no poder lucrarem com o boom do país.

O cabo-de-guerra entre o governo central e os governos locais também mostra os limites da capacidade da China de impor mudança por decreto em um vasto país indisciplinado, ao mesmo tempo em que expõe a fraqueza da abordagem "tamanho único" para reforma em um país onde as disparidades econômicas regionais estão crescendo rapidamente.
ENERGIA CHINESA
Chang W. Lee/The New York Times
Produtos prontos para serem distribuidos em pátio de fábrica
PARTE 1
PARTE 3


Na Região Autônoma de Ningxia Hui, a província no oeste onde Qingtongxia se encontra, o esforço para economizar energia se deparou com a obsessão local pelo crescimento econômico. Por anos, a província ficou de fora do boom econômico que transformou as cidades costeiras da China. No final dos anos 90, a China iniciou uma campanha "Desenvolver o Oeste", encorajando as regiões como Ningxia a tirarem o atraso em relação a outras áreas. Agora as prioridades do Estado estão começando a se afastar do crescimento irrestrito, no momento em que Ningxia está começando a progredir.

Ningxia depende de sua indústria metalúrgica para propiciar a prosperidade que há muito escapa de seus habitantes. É uma das poucas vantagens comparativas nesta área sem acesso ao mar. O carvão é abundante aqui e os planejadores foram rápidos em aproveitá-lo para gerar quantidades prodigiosas de eletricidade necessárias para fundir metais. Agora, a mudança de política de Pequim ameaça tal ambição.

"É uma teoria simplista dizer que todos sabem que você ganha mais dinheiro plantando bananas do que batatas", disse um executivo de uma grande metalúrgica que usou uma analogia agrícola para questionar as reformas de energia do governo central. "Mas como você pode forçar as pessoas a cultivarem banana em terra onde só dá batata? Ningxia é uma terra de batatas e são nossos recursos naturais e ambiente que determinam tudo." George El Khouri Andolfato

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