UOL Notícias Internacional
 

27/11/2007

Autoridades impedem Pequim de reduzir o consumo de energia para evitar alta dos custos - parte 3

The New York Times
Howard W. French

Em Qingtongxia, China
Um imperativo de desenvolvimento
Publicamente, autoridades e empresas regionais dizem que devem cumprir o comando do governo central. "Se a política foi emitida em âmbito nacional, então ela deve ter sido adotada após consideração cuidadosa", disse Deng Jiangtao, vice-diretor da empresa de alumínio de Qingtongxia. "Não adianta tentarmos fazer lobby junto às autoridades e pedir para que desistam do plano."

Mas na prática, as autoridades locais estão altamente conscientes de seu atraso no crescimento. Zhang Jianping, vice-diretor do Birô de Eletricidade da Comissão de Economia de Ningxia, que está encarregado de promover as reformas de energia, disse: "Como é uma região menos desenvolvida, Ningxia precisa de tempo para progredir e se desenvolver. Nós estamos trabalhando arduamente para reduzir nossa desigualdade em relação a outras províncias".

Chang W. Lee/The New York Times 
Trabalhador de uma companhia mineradora chinesa em Shizuishan

Em Ningxia, os sinais de tal desigualdade estão por toda parte. Mesmo a capital regional, Yinchuan, tem um aspecto inacabado, com avenidas largas mas pouco do trânsito e agitação comuns no leste do país. O interior é todo de terras agrícolas áridas, ocasionalmente intercaladas por montanhas baixas. Aqui e acolá, o governo criou zonas industriais na esperança de estimular o desenvolvimento. Mas elas consistem de pouco mais de pequenas grades de ruas onde o pó do carvão paira densamente no ar e fábricas de médio porte usando tecnologia ultrapassada expelem fumaça acre.

Mesmo antes do início da campanha nacional de consumo de energia em 2005, as autoridades de Ningxia trabalhavam para contornar as regulamentações ambientais que poderiam atrapalhar o crescimento.

Apesar de Pequim ter emitido regulamentação em 2002 visando limitar o número de novas usinas elétricas a carvão, Ningxia construiu pelo menos três que não tinham a permissão necessária ou não atendiam aos novos padrões ambientais, segundo a Administração Estatal de Proteção do Meio Ambiente.

Mesmo depois do governo nacional ter cancelado as isenções para taxas especiais de consumo que costumavam ser oferecidas para empresas como a Qingtongxia em 2004, o governo local as prorrogou por outro ano, propiciando grande economia para suas indústrias de metal. Até 2005, as autoridades regionais continuavam argumentando que as isenções deveriam permanecer.

As autoridades locais até mesmo permitem que grandes empresas como a Qingtongxia paguem abaixo dos preços de energia fixados oficialmente. O preço mais baixo para eletricidade oficialmente permitido em Ningxia, geralmente reservado para os usuários industriais mais eficientes, é de 5,3 centavos de dólar por quilowatt/hora. Mas até maio, a Qingtongxia conseguia obter uma tarifa de 4,8 centavos por quilowatt/hora, uma diferença imensa em uma indústria onde a eletricidade é de longe o insumo mais importante.

O governo central tentou envergonhar as províncias para que cumprissem as metas. Em abril deste ano, Pequim citou 14 que disse que fracassaram em cumprir as novas regras de eficiência. Entre elas estava a região de Ningxia, cuja taxa de consumo de eletricidade por unidade do produto interno bruto é a mais alta do país. As novas diretrizes de Pequim pediam que cada província da China criasse uma lista de suas indústrias mais perdulárias e implantassem uma nova tabela de preços para a energia elétrica que penalizasse os usuários menos eficientes.

Mas Zhang, o vice-diretor do birô de eletricidade de Ningxia, alegou nunca ter ouvido que Ningxia foi citada por violações.

Zhang também disse não saber ao certo se alguma lista de indústrias esbanjadoras de energia foi elaborada. "Nós estamos ativamente melhorando nosso trabalho e precisamos que a mídia nos entenda", ele disse.
ENERGIA CHINESA
Chang W. Lee/The New York Times
Produtos prontos para serem distribuidos em pátio de fábrica
PARTE 1
PARTE 2


Na verdade, um funcionário da Ningxia Power Company, que falou sob a condição de anonimato, disse que muitas das indústrias metalúrgicas estratégicas da região foram poupadas dos aumentos de preços obrigatórios impostos por Pequim até maio, quase dois anos depois de terem sido anunciados.

"Tal preço favorável não foi aprovado pelo Estado", disse claramente um representante de uma empresa. "Era uma política regional."

Apesar de ter protegido seus maiores consumidores de energia, o governo de Ningxia começou a perseguir alguns consumidores industriais de energia menores, impondo preços mais altos e forçando algumas empresas a fecharem.

Na zona industrial de Lanshan, uma grade de antigas fábricas de metal e carvão que enchem o ar de fuligem e do cheiro pesado de produtos químicos, os gerentes de fábricas de pequeno e médio porte se queixaram de terem sido seriamente prejudicados pelos preços mais altos de eletricidade.

"Não tenho como espremer qualquer economia para compensar o preço mais alto da eletricidade", disse um diretor da Shizuishan Tianhe Ferroalloy Company, onde uma equipe de operários removia à mão grandes tonéis de metal derretido de uma fornalha gigante. "O equipamento que temos determina a quantidade de eletricidade que consumimos a cada mês, e nossos salários já estão determinados. Se os reduzir, os trabalhadores irão embora."

O presidente da empresa, Dai Zhanyin, disse que não adianta reclamar. Diferente da situação de uma grande empresa como Qingtongxia, ele disse, "ninguém se importa com seu prejuízo".

Mas outras empresas relativamente pequenas consideram as novas regulamentações para economia de energia da região fáceis de serem contornadas. Em outra metalúrgica, onde minério de ferro é forjado em barras de aço, Di Duoxing, o presidente da Shizuishan City Hepu Mining Industrial Company, disse que o tamanho pequeno de sua fornalha lhe valeu um lugar na lista de consumidores ineficientes de energia e o colocaram na lista dos que teriam as tarifas de eletricidade aumentadas de forma acentuada.

Mas Di teve uma idéia. Usando uma única prensa de operação manual, sua fábrica produz um pequeno número de barras de materiais reciclados recuperados de sua fundição de aço. "Quando fui pagar a conta de eletricidade, eu protestei que era um produtor de barras recicladas e eles suspenderam o aumento do preço", disse Di, ao lado de pequena pilha de barras que renderam um alívio para sua usina de aço. "Mas até onde sei, os demais produtores de ferro-silício já estão pagando o novo preço."

Os ambientalistas chineses dizem que para tornar tais campanhas eficazes, o governo terá que penalizar os governos locais que deixarem de cumprir as determinações.

"Para que as reformas sejam implantadas, duas coisas precisam ser feitas", disse Lin Boqiang, diretor do Instituto de Pesquisa de Energia da China da Universidade Xiamen.

"Uma é avaliar o desempenho do governo local no cumprimento e se dizem que estão cumprindo mas na verdade não estão. A outra é introduzir penas financeiras significativas. Nós ainda não vimos nenhuma das duas."

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host