UOL Notícias Internacional
 

28/11/2007

Análise: Preocupações em Annapolis incluem Irã e extremismo

The New York Times
Steven Erlanger

Em Annapolis, Maryland
A conferência de paz para o Oriente Médio realizada aqui na terça-feira tratava oficialmente do fim da disputa entre israelenses e palestinos. Mas havia uma meta não declarada logo abaixo da superfície: deter a crescente influência regional do Irã e do radicalismo islâmico.

Este é o motivo para apesar do enorme ceticismo em relação à capacidade de israelenses e palestinos chegarem a um tratado de paz final, há um enorme alívio entre os muitos países árabes sunitas que estão participando com o fato dos Estados Unidos estarem novamente se envolvendo no que consideram como uma batalha maior e mais importante pelos corações e mentes dos muçulmanos.

"Os árabes vieram para cá não por amarem os judeus ou mesmo os palestinos", disse um conselheiro de uma equipe de negociação palestina que pediu anonimato. "Eles vieram porque precisam de uma aliança estratégica com os Estados Unidos contra o Irã."
PAZ NO ORIENTE MÉDIO
Doug Mills/ The New York Times
Cúpula em Annapolis reúne palestinos e israelenses
TRATADO EM 2008


Pairando sobre Annapolis estão as ansiedades em torno da ameaça da ascensão de um Irã não árabe e xiita, com seu programa nuclear e seus aliados bem-sucedidos no sul do Líbano, Iraque e territórios palestinos. Esses países árabes temem que a maré da história esteja virando contra eles, e que podem estar perdendo seus próprios jovens para a militância religiosa.

"Há uma preocupação e temor genuínos entre as classes políticas no mundo árabe de que a tendência islâmica não tenha chegado ao seu ápice", disse Hisham Melhem, o chefe da sucursal da emissora de televisão "Al Arabiya" em Washington. "Elas temem que o Irã e seus aliados estejam agindo como se fosse o começo do fim da influência americana no Oriente Médio."

Estas preocupações estão associadas nas mentes dos líderes da região à questão palestina, ele disse. "Eles querem tentar uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos, que sempre foi um importante ponto de mobilização para os grupos islâmicos e radicais."

Dan Gillerman, o embaixador de Israel na ONU, disse: "Este é o encontro de cúpula de nossa esperança e do medo deles. É nossa esperança que finalmente o mundo árabe entenda que o problema entre israelenses e palestinos não é o central e que pode ser resolvido, e o temor deles do extremismo islâmico e o Irã, que chamam de ameaça persa. Isso é o que os trouxe aqui."

Em seu discurso aqui, o presidente Bush listou três motivos para ter considerado "o momento certo" para Annapolis. Primeiro, ele disse, "porque palestinos e israelenses têm líderes que estão determinados a chegar à paz". O segundo, ele disse, "porque uma batalha está em andamento pelo futuro do Oriente Médio, e não devemos ceder a vitória aos extremistas". Seu terceiro motivo foi uma extensão do segundo: "Porque o mundo entende a urgência de apoiar estas negociações".

Em seu próprio discurso, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, adotou uma posição semelhante, se dirigindo diretamente a Bush e dizendo: "Nós reconhecemos -e presumo que o senhor compartilhe esta posição comigo- de que a ausência de esperança e o desespero esmagador alimentariam o extremismo".

O ministro das Relações Exteriores saudita, Saud al Faisal, foi direto. "A estagnação do processo de paz aumentou o apelo das ideologias extremistas", ele disse. "Os sentimentos de desespero e frustração atingiram um grau perigosamente alto."

Shibley Telhami, que é professor Anwar Sadat de governo na Universidade de Maryland, disse que o temor da crescente militância e radicalismo, alimentado pelo modelo do Irã e da Al Qaeda, uniu os árabes na esperança de que uma nova urgência levará Washington a tentar resolver o problema entre israelenses e palestinos.

"Eles estão muito preocupados com a militância e a grande simpatia popular pelo Hizbollah e o Hamas", disse Telhami, falando por telefone do Cairo. "Todos ficaram atônitos com a tomada de Gaza pelo Hamas" em junho.

Os países do Golfo em particular, ele disse, "estão preocupados com a estabilidade regional, com seus filhos e com a ameaça ao seu extraordinário poder econômico". Os países árabes moderados estão "vulneráveis à militância devido ao conflito entre árabes e israelenses e ao Iraque, e desejam reduzir sua vulnerabilidade".

Aaron David Miller, um ex-negociador do governo Clinton, disse que apesar de aplaudir o esforço em Annapolis, ele duvida que o governo Bush "conta com a vontade e habilidade" para obter um tratado de paz. "As chances de um Estado palestino no mandato de George Bush são entre mínimas e nenhuma", ele disse. Mas o encontro em Annapolis tem uma importância regional.

"Para os árabes centristas, o novo Oriente Médio é terrível, e a questão palestina tem um apelo profundo e emocional", ele disse.

Assim, apesar das também baixas expectativas dos árabes, estes vieram pressionar Washington, como tanto a Arábia Saudita quanto a Jordânia têm feito desde 2001, a buscar uma paz entre israelenses e palestinos e dar início a um processo regional mais amplo por meio dela. "Bush irá embora em um ano", disse Miller. "Mas os árabes querem amarrar os Estados Unidos a algum tipo de processo de negociação ao qual o próximo presidente também esteja amarrado."

O deputado Gary L. Ackerman, democrata de Nova York, colocou de forma vigorosa: "Todos em Annapolis têm algo em comum. Não é o amor por Israel ou pelos palestinos. É o medo do Irã. Todos precisam de ajuda para protegê-los do Irã". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host