UOL Notícias Internacional
 

29/11/2007

Putin reúne suas forças para eleição no domingo

The New York Times
Clifford J. Levy

Em Moscou
Seu valor é exaltado em outdoors por todo o país e seus feitos diários dominam o noticiário da TV. Em um discurso eleitoral na semana passada, seus assessores até mesmo exibiram uma banda de meninas dançarinas cantando uma ode ao queridinho no Kremlin -"Eu quero um homem como Putin, cheio de força!"

Milhares de candidatos estão disputando no domingo as cadeiras no próximo Parlamento, mas a eleição na verdade gira em torno de apenas um político, o presidente Vladimir V. Putin.

Após consolidar de forma contínua o poder sobre a Rússia desde que assumiu a presidência em 2000, Putin transformou a eleição em um voto de confiança em sua liderança e na recuperação econômica de seu país, e está empregando todo o peso de seu governo e máquina partidária na disputa.

Maxim Marmur/AFP - 25.out.2007 
Garotas fazem parte de fã clube do presidente russo Vladimir Putin

Mas para muitos na oposição a disputa não parece totalmente justa.

Os partidos de oposição foram sufocados por novas leis eleitorais rígidas, pouca cobertura da televisão, coibições a organização e investigações criminais. Os funcionários dos órgãos do governo e empresas públicas que recebem verbas do Estado disseram que seus chefes estão pressionando para que apóiem o partido de Putin, o Rússia Unida.

Um professor na Sibéria, Dmitri Voronin, por exemplo, disse em uma entrevista na quarta-feira que ele e outros em sua universidade foram repetidamente chamados pelos administradores e informados que se não votassem pelo Rússia Unida, eles seriam demitidos.

Uma vitória esmagadora do Rússia Unida, que é praticamente certa, poderia encorajar Putin a manter o poder sobre um governo depois que ele deixar a presidência formalmente no próximo ano. Ele não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo segundo a Constituição russa, e ele prometeu seguir a lei.

Mas ele também disse que continuará exercendo influência sobre a Rússia depois da eleição presidencial em março. Seja quem for que Putin endosse provavelmente se tornará o próximo presidente, mas ele não indicou uma preferência.

Na defesa do argumento de que Putin salvou a Rússia após as crises dos anos 90, o Kremlin tem feito uso de imagens sofisticadas como as vistas em campanhas americanas.

O discurso de Putin na semana passada foi em um comício que tinha a cara de uma convenção democrata ou republicana no Madison Square Garden, com Putin apertando as mãos dos fiéis enquanto caminhava pela arena, da mesma forma como fazem os candidatos americanos.

"Juntos, meus amigos, nós já fizemos muito", ele disse para o público na arena Luzhniki daqui. "Nós fortalecemos a soberania e ressuscitamos a integridade da Rússia. Nós ressuscitamos o poder da lei e a supremacia da Constituição?"

Ao mesmo tempo, o partido tem feito uso de comerciais de televisão cheios de estilo que fazem os de seus oponentes parecerem produções colegiais.

As propagandas freqüentemente apelam ao patriotismo, traçando um contraste implícito entre o atual sucesso do país, promovido pelos altos preços do petróleo, e as fraquezas dos anos pós-queda da União Soviética, marcados por colapso econômico, crime e caos político.

"Hoje somos bem-sucedidos em política, economia, arte, ciências, esportes", diz o locutor em uma propaganda acompanhado de música comovente e imagens de Putin e outros russos sorrindo. "Nós temos motivos para orgulho. Nós desfrutamos de respeito e deferência. Somos cidadãos de um grande país e temos grandes vitórias à frente. O plano de Putin é uma vitória para a Rússia!"

Putin conta com altos índices de aprovação e está claro que para alguns russos a estabilidade e senso de autoridade que ele projeta são mais importantes do que ter uma oposição ativa.

Os oponentes de Putin argumentam que ele é popular apenas porque impediu a disseminação das críticas às suas políticas.

Promotores confiscaram mais de 15 milhões de boletins, calendários e folhetos de campanha da União das Forças de Direita, um dos principais partidos liberais que foram molestados.

Nikita Y. Belykh, um líder do partido, foi detido brevemente pela polícia no último fim de semana nos protestos liderados por uma coalizão de oposição, a Outra Rússia, liderada por Garry Kasparov, o ex-campeão de xadrez. Kasparov foi preso e passou cinco dias na prisão.

"O Rússia Unida, por todos os meios ao seu dispor, não permite que outros partidos políticos entrem no cenário político", disse Belykh.

Ele acrescentou que o partido recebeu vários relatos de pessoas sendo ameaçadas de retaliação caso não votem pelo Rússia Unida.

Esta foi a experiência de Voronin, que vive em Prokopyevsk, a 3.200 quilômetros ao leste de Moscou. Falando por telefone, ele disse que os dirigentes locais do Rússia Unida garantiram aos líderes do partido que conquistarão 80% dos votos na região.

"Eles convocam periodicamente os diretores das divisões locais das universidades, diretores de escolas técnicas, escolas especializadas, diretores de clínicas e hospitais e lhes dão instruções sobre como votar", disse Voronin.

Grupos não-partidários que monitoram a campanha, como o Golos, disseram que tais queixas são comuns. Putin disse na quarta-feira não ter dúvida de que a eleição será justa.

"Nós sabemos o valor da democracia autêntica e estamos interessados em conduzir eleições honestas, abertas e com máxima transparência, sem falhas de organização", disse Putin. "Nós temos certeza de que isso ocorrerá." George El Khouri Andolfato

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